Trump quer mudar o termo “IA”, mas ciência rebate e faz distinção; entenda

Wait 5 sec.

Donald Trump não está satisfeito com o nome de uma das tecnologias mais discutidas dos últimos anos. O presidente dos Estados Unidos quer substituir a expressão inteligência artificial (IA) por superinteligência, que considera mais precisa e, sobretudo, mais agradável de ouvir.Nesta quinta-feira (8), Trump foi além da preferência pessoal e afirmou que a Casa Branca considera inimigos aqueles que insistirem em usar o termo tradicional. A declaração foi  publicada em sua rede Truth Social e reforça uma mudança que ele já havia determinado por decreto para os órgãos do governo federal.Mas tudo isso entra em choque com a definição científica de cada conceito. No campo da tecnologia, superinteligência tem um significado próprio e descreve um estágio muito mais avançado do que a inteligência artificial que conhecemos hoje.Leia também: Empresas já testam agentes de IA no trabalho; veja o que eles estão fazendoPor que Trump quer mudar o nome da inteligência artificial?A preferência de Trump por superinteligência apareceu publicamente em setembro, durante a Assembleia Geral da ONU. Na ocasião, o presidente afirmou que o termo soava melhor e defendeu sua adoção para se referir às tecnologias de IA.A iniciativa também ocorre em meio à resistência de parte da população americana à expansão do setor. O crescimento dos data centers, que exigem grandes quantidades de energia e água, tem provocado protestos em comunidades preocupadas com os impactos dessas instalações.Nesse contexto, a mudança de nomenclatura busca construir uma imagem mais favorável da tecnologia. A palavra superinteligência sugere um avanço extraordinário, embora não haja evidências de que a troca de expressão, por si só, altere a percepção pública.Trump formalizou a decisão em um decreto de setembro, determinando que os órgãos federais adotassem a nova terminologia. O documento, entretanto, utiliza como referência a definição legal de inteligência artificial já existente nos Estados Unidos.Leia também: Melhor IA para fazer vídeos: veja qual ferramenta usar em cada situaçãoQual é a diferença entre inteligência artificial e superinteligência?A inteligência artificial já está presente em atividades do dia a dia, como conversar com assistentes pessoais, traduzir textos ou receber recomendações de conteúdo. São sistemas desenvolvidos para tarefas que exigem capacidades associadas à inteligência humana, embora seu funcionamento seja diferente do nosso.Já a superinteligência artificial representa um estágio muito mais avançado. O conceito descreve uma inteligência capaz de superar amplamente o desempenho humano em praticamente todas as atividades cognitivas, incluindo aquelas que exigem criatividade e raciocínio complexo.O termo ganhou projeção com o filósofo Nick Bostrom, da Universidade de Oxford, autor do livro Superintelligence: Paths, Dangers, Strategies, publicado em 2014. Na obra, ele examina as possibilidades e os riscos de sistemas cuja capacidade intelectual ultrapassaria a dos seres humanos.Essa tecnologia ainda é hipotética. Mesmo os modelos mais avançados de IA disponíveis atualmente apresentam limitações de raciocínio e confiabilidade. Também não há consenso científico sobre quando, ou mesmo se, uma superinteligência será desenvolvida.O que muda com a decisão de Trump?Por enquanto, a mudança tem alcance limitado ao governo federal americano. O decreto determina que os órgãos públicos adotem a expressão superinteligência em suas comunicações oficiais, mas não obriga empresas privadas ou cidadãos a abandonar o termo inteligência artificial.Companhias de tecnologia também já utilizam a palavra superinteligência, embora com significados e objetivos próprios. A Meta, por exemplo, adotou o termo para identificar sua área de pesquisa voltada ao desenvolvimento de sistemas mais avançados de IA.Para quem utiliza ferramentas como ChatGPT ou Gemini, nada muda. Os produtos continuam funcionando da mesma maneira, e a nova nomenclatura não altera suas capacidades nem as regras de uso.A declaração de Trump sobre considerar inimigos aqueles que mantiverem a expressão inteligência artificial também não veio acompanhada de medidas concretas. Até o momento, o governo americano não anunciou sanções ou penalidades para quem continuar usando o nome tradicional.The post Trump quer mudar o termo “IA”, mas ciência rebate e faz distinção; entenda appeared first on InfoMoney.