IPCA veio alto, mas mercado está de olho em outro fator, segundo analista da Empiricus

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O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (9), apresentou alta no comparativo mensal. Apesar disso, o Ibovespa opera em alta de cerca de 1,5% no dia.Para Laís Costa, analista da Empiricus Research, há um motivo claro para isso: as eleições de 2026. Com o resultado inesperado do primeiro turno, em que Flávio Bolsonaro (PL) teve liderança, o foco do mercado é a política fiscal que está por vir.Com o novo cenário, Costa acredita que a curva de juros apresenta a possibilidade de corte da Selic de 0,25% nas próximas duas reuniões deste ano, além de cortes até ao menos agosto do ano que vem.Antes dessa perspectiva, a projeção era que houvesse apenas mais um corte em novembro.“IPCA é muito importante, mas o real problema do Brasil é a curva de juros”, afirmou a analista em entrevista ao Giro do Mercado, programa do Money Times no Youtube.IPCA teve inflexão confirmada Costa comentou como, no mês anterior, já desconfiava de um ponto de inflexão. Neste mês, a hipótese foi confirmada.No acumulado dos 12 meses, a inflação subiu 4,58%. O número ficou acima do teto da meta perseguida pelo Banco Central (BC), que é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.O principal impacto no índice foi a energia elétrica residencial, que saltou 7,98%. Essa alta, porém, já era esperada devido ao Bônus de Itaipu.Na visão da analista, o que realmente surpreendeu para cima foi a gasolina, em especial, em São Paulo e no Sul. Os combustíveis, no conjunto, tiveram aumento de 1,41%. Costa explica que a surpresa foi por não haver nenhuma coleta indicando essa alta.Na ponta da surpresa para baixo, o destaque foi Automóveis, que veio mais deflacionado pela entrada “avassaladora” dos carros chineses.Câmbio pode impactar no curto prazo? Inflação vai voltar para meta? Com o dólar em queda e o real em alta, Costa acredita que alguns itens mais sensíveis, como a parte de importação podem sentir algum impacto no curto prazo.Além disso, a analista mantém projeção para 5,3% para o final deste ano. Em sua perspectiva, a inflação voltará para meta apenas em 2028.“No curto prazo, mais importante do que a gente estar dentro do intervalo da meta, é existir o direcionamento de política fiscal”, afirmou.Assista à entrevista na íntegra:*Sob supervisão de Renan Dantas