A combinação de valuations atrativos e a expectativa de queda na taxa Selic criaram uma das maiores oportunidades para o mercado de ações brasileiro nos últimos 25 anos, segundo o fundador da AlphaKey, Christian Keleti.Durante participação no podcast Stock Pickers, o gestor explica que o mercado local apresenta uma forte assimetria para ativos domésticos, que se beneficiam diretamente da melhora no ambiente fiscal e da estabilização macroeconômica.O otimismo com o mercado acionário ganha força após momentos de inflexão política e de reajuste nas projeções de juros. Ao analisar a atratividade do mercado local frente aos patamares atuais de preço, o executivo destacou a raridade do momento para alocação em renda variável. Leia também: EcoRodovias pode ter ganho de mais de 100% dependendo da eleição, diz Acuto Capital“Talvez esta seja uma das duas ou três oportunidades deste século, destes últimos 25 anos em que a gente faz entrada no mercado, em que existe uma assimetria muito grande ainda para as ações domésticas”, disse Keleti.Redução da taxa Selic impulsiona precificaçãoMuitas companhias listadas na Bolsa chegaram a níveis críticos de alavancagem financeira em razão do patamar elevado da taxa básica de juros, a Selic, segundo o gestor.Ele explica que o custo dos empréstimos corporativos atrelados ao CDI (Certificado de Depósito Interbancário) reduziu drasticamente a rentabilidade e obrigou as companhias a direcionar o caixa operacional majoritariamente para o pagamento do serviço das dívidas acumuladas.Leia mais: Queda dos juros no Brasil pode destravar ganho de até 80% na Eneva (ENEV3)A perspectiva de controle do endividamento público e a desaceleração da atividade econômica criam espaço para o Banco Central (BC) cortar a taxa básica de juros para a faixa de 11% a 11,50%. De acordo com Keleti, a redução na taxa de desconto altera os modelos de precificação das empresas e aumenta expressivamente o potencial de ganho para os investidores na bolsa.O avanço inicial do mercado está concentrado nos papéis de maior liquidez, impulsionado pela entrada forte de recursos estrangeiros. O movimento agora abre espaço para que a seleção criteriosa de ativos alcance empresas fora do índice principal. “O off-index, ou seja, as ações que pesam menos no índice, vão começar a andar, e as ações de Small Caps também vão começar a andar”, afirmou.Migração da renda fixaO volume expressivo de recursos alocados na renda fixa brasileira representa um combustível adicional para o mercado de ações. A elevação dos juros nos últimos três anos elevou a custódia em títulos de renda fixa para R$ 15 trilhões, criando um potencial de realocação para a renda variável à medida que o retorno dos títulos pós-fixados diminuir.Uma migração de apenas 0,5% ou 1% desse capital alocado na renda fixa tem capacidade para injetar dezenas de bilhões de reais no mercado acionário. Na avaliação do fundador da AlphaKey, a entrada conjunta de investidores locais e estrangeiros tende a alterar o patamar de preço dos papéis diante do volume limitado de ações em circulação.Veja mais: Depois da China, quem vem? Vale (VALE3) aponta novos motores da demanda por metaisA trajetória de valorização da bolsa dependerá da entrega das reformas econômicas e da consolidação das propostas fiscais no país. “Se entrarem R$ 150 bilhões ou que seja a metade, 0,5%, ou seja, R$ 70 bilhões desse dinheiro dos locais que está na renda fixa, o estrangeiro vai colocar mais R$ 70 bilhões”, destacou.The post Queda da Selic e preço atrativo das ações criam momento raro na Bolsa, diz gestor appeared first on InfoMoney.