Mike Ditka, que conquistou títulos da NFL como jogador e treinador do Chicago Bears, morreu aos 86 anos. A família de Ditka anunciou a morte nesta sexta-feira (9), por meio de um comunicado.“É com profunda tristeza que anunciamos a morte de nosso amado marido, pai, avô e amigo, Mike Ditka”, afirmou a família. “Enquanto o mundo conhecia Mike como um jogador de futebol americano integrante do Hall da Fama, treinador lendário e líder do Chicago Bears campeão do Super Bowl XX, nós o conhecíamos como o coração da nossa família. A falta que Mike fará é imensurável, e ele será lembrado para sempre.”Apelidado de “Iron Mike” (“Mike de Ferro”) durante a carreira como jogador, Ditka ajudou a revolucionar a posição de tight end antes de passar para a lateral do campo e assumir como treinador de Chicago. Leia Mais Comentarista da ESPN se desculpa após fala sobre saúde mental: "Errei" Ex-jogador da Seleção Brasileira, Carlos Alberto Dias morre aos 59 anos Diego Souza é anunciado como novo técnico do Joinville Seu time de 1985 contou com uma das defesas mais dominantes da história do esporte. A equipe também reunia personalidades tão marcantes que seus jogadores chegaram a gravar um videoclipe de rap, “The Super Bowl Shuffle”, e confirmaram toda a confiança demonstrada na música ao vencerem o jogo do título três meses depois.Depois de se aposentar como treinador, Ditka tornou-se dono de restaurantes, garoto-propaganda e personalidade da televisão, além de atuar como um firme defensor da melhoria dos benefícios médicos e de aposentadoria destinados a ex-jogadores.Ditka era durão e ríspido, a personificação do Chicago Bears. Fazia de tudo, desde pedir comida fora do cardápio até derrubar defensive backs com um rosnado. Sua cidade adotiva aproveitou cada minuto disso.Ainda reverenciado como “Da Coach” e como o comandante do Bears de 1985 — uma das equipes mais dominantes e talvez mais excêntricas a conquistar um Super Bowl na história da liga —, Ditka foi incluído nos Halls da Fama do futebol americano universitário e profissional. Durante uma cerimônia em 2013, o Bears anunciou que sua camisa número 89 seria a última a ter o número aposentado pela franquia.De “Iron Mike” a estrela da NFLDitka nasceu em Carnegie, na Pensilvânia, filho de um soldador que mudou o sobrenome da família de Dyczko. Ele cresceu na vizinha Aliquippa, perto das minas de carvão e siderúrgicas que se espalhavam pela região oeste do estado.Grande, talentoso e praticante de três esportes, tornou-se All-American pela Universidade de Pittsburgh. Seu estilo físico e agressivo fazia com que seu primeiro apelido, “Iron Mike”, combinasse perfeitamente com ele.Escolhido pelo exigente proprietário do Chicago Bears, George Halas, com a quinta seleção geral do Draft de 1961, Ditka conquistou o prêmio de Calouro do Ano, foi selecionado diversas vezes para o Pro Bowl e venceu o título da NFL de 1963.Nesse processo, ele e John Mackey, do Baltimore, mudaram para sempre a posição de tight end e os esquemas ofensivos da liga. Ditka era um verdadeiro aríete como bloqueador, mas tinha a mesma capacidade de receber um passe curto e atravessar toda a secundária adversária derrubando defensores pelo caminho ou superar um safety isolado em velocidade para receber um passe longo para touchdown.Ele deixou Chicago em 1966 e teve passagens por Philadelphia e Dallas. Em 1973, passou para a lateral do campo como assistente do reverenciado Tom Landry e permaneceu no Cowboys por oito temporadas, antes de retornar a Chicago, recebido como herói, para assumir como treinador principal em 1982.O retorno ao Chicago Bears como treinadorO retorno de Ditka ao Bears durou dez anos turbulentos, período que incluiu cinco títulos consecutivos da NFC Central, a conquista do Super Bowl, uma condenação por dirigir sob efeito de álcool, um ataque cardíaco, uma longa rivalidade com o coordenador defensivo Buddy Ryan e, finalmente, um novo apelido: “Da Coach”.Para Mike Singletary, linebacker integrante do Hall da Fama, as sementes do que aconteceria nos anos seguintes foram plantadas logo na primeira reunião de Ditka com o elenco. O treinador apresentou sua visão e afirmou que Chicago disputaria o Super Bowl dentro de três anos — e que muitos dos jogadores presentes naquela sala não estariam mais no time quando isso acontecesse.“Quando o ouvi pela primeira vez, quando ele entrou naquela sala, para mim o técnico Ditka tinha a oportunidade de ser o maior treinador de todos os tempos, porque ele tinha aquele fogo”, disse Singletary durante as comemorações do centenário do Bears, em junho de 2019.“Eu não sei como George Halas treinava. Mas consigo imaginar que o fogo, a intensidade e a paixão que o técnico Ditka demonstrou naquele primeiro dia deram o tom exatamente para aquilo que ele disse: ‘Daqui a três anos, estaremos no Super Bowl’. E aquilo foi em 1982. Em 1985, estávamos lá, e foi por causa daquela visão.”O histórico Bears de 1985As desavenças públicas com Ryan refletiam as batalhas travadas nos bastidores por Ditka na tentativa de controlar uma equipe repleta de personalidades marcantes.“Era mais do que um time”, disse Ditka certa vez. “Era um time de personagens que tinham caráter, que jogavam para um homem louco, que deixavam que ele fosse louco e se divertiam fazendo isso, sem jamais pedir desculpas. Eu não gostaria de ser um desses caras de terno andando pela lateral do campo hoje.”“Não tenho nenhum desejo de ser assim. Eu era o que era, eles eram o que eram e, droga, foi divertido.”Foi somente quando duas dezenas de jogadores gravaram “The Super Bowl Shuffle” — um ousado videoclipe em estilo rap lançado três meses antes da decisão de 1986 — que o restante do mundo do futebol americano começou a se perguntar se Ditka estava perdendo o controle da equipe.Seus jogadores nunca pensaram assim.“Nós o chamamos de ‘Sybil’, por causa daquela garota do filme”, explicou certa vez o quarterback Jim McMahon. “Sabe, aquela que tinha todas aquelas personalidades. Mike está calmo em um minuto e, no seguinte, joga uma prancheta longe. As pessoas não entendem isso, mas nós entendemos.”Título do Super Bowl e um arrependimentoO Bears atropelou o New England Patriots por 46 a 10 no Super Bowl, mas Ditka dizia frequentemente que se arrependia de ter colocado McMahon e o defensive tackle William “The Refrigerator” Perry para correr com a bola e marcar touchdowns em vez de Walter Payton, o leal running back de Chicago que havia sofrido durante tantos anos com a equipe.Ryan deixou o time pouco depois para assumir como treinador principal em Philadelphia. Embora o Bears tenha permanecido competitivo durante a maior parte dos cinco anos seguintes, uma temporada com campanha de cinco vitórias e 11 derrotas levou à saída de Ditka em 1992.Passagem pelo New Orleans SaintsDepois de cinco anos afastado, ele voltou a trabalhar como treinador no New Orleans Saints, mas não conseguiu recuperar a franquia. Após uma péssima temporada de 1999, encerrada com campanha de três vitórias e 13 derrotas — a pior de Ditka como jogador ou treinador —, ele deixou definitivamente a lateral do campo.Televisão, restaurantes e defesa de ex-jogadoresSeu rosto e seu comportamento já eram tão conhecidos naquele momento que iniciar uma segunda carreira foi uma transição natural. Ditka começou a construir uma rede de restaurantes e apareceu interpretando a si mesmo em sitcoms como “Cheers” e “Third Rock from the Sun”, além de participar de programas como “L.A. Law” e “Saturday Night Live”.Ele também permaneceu próximo do esporte como analista da NFL e personalidade de programas de dias de jogos na ESPN. A enorme projeção pública de Ditka também fez dele um defensor eficaz da luta por melhores benefícios de saúde e aposentadoria para ex-jogadores.Ditka também teve nome cogitado na políticaDurante anos, seu nome também circulou nos meios políticos de Illinois. Embora nunca tenha concorrido a um cargo público, Ditka se descrevia como um conservador convicto e foi mencionado diversas vezes como possível candidato pelo Partido Republicano, inclusive para uma disputa pelo Senado dos Estados Unidos contra Barack Obama, que na época era senador estadual por Illinois.NFL no Rio bate recorde de audiência de um jogo internacional nos EUA