“Triturador de treinadores”

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O jornal espanhol AS batizou o Campeonato Brasileiro de “triturador de treinadores”. O gancho da manchete foi a demissão de Fernando Diniz pelo Corinthians, a 19ª troca de comando da competição, ainda na 29ª rodada. São 18 profissionais diferentes. Diniz entra duas vezes na conta porque já havia saído do Vasco em fevereiro. A queda veio depois da derrota por 2 a 1 para o Internacional, a sétima consecutiva do Timão no Brasileirão. O Corinthians ficou em 16º, com 32 pontos — um ponto acima da zona de rebaixamento (aberta pelo próprio Internacional, com 31). Em 33 jogos sob Diniz, foram 13 vitórias, oito empates e 12 derrotas.Corinthians, Vasco, São Paulo, Botafogo, Chapecoense e Remo já trocaram de técnico mais de uma vez só nesta edição. O que o AS aponta não é apenas a quantidade. É quem cai. Filipe Luís deixou o Flamengo meses depois dos títulos do Brasileirão e da Libertadores de 2025. Tite saiu do Cruzeiro após o Mineiro. Dorival Júnior foi dispensado pelo Corinthians mesmo com a Copa do Brasil de 2025 e a Supercopa do Brasil de 2026 no currículo recente. No São Paulo, Hernán Crespo caiu depois de um início invicto, e Roger Machado também saiu com o time no G-4. Título recente ou boa posição na tabela não seguraram ninguém. Para o jornal espanhol, o contraste incomoda. Flamengo, Palmeiras e Fluminense estão nas semifinais da Libertadores (com jogos marcados a partir de 14 de outubro). O Brasil domina o continente e não segura o próprio banco de treinadores. “É possível afirmar sem medo que o Brasil domina a América do Sul em termos futebolísticos. Uma prova irrefutável é a Conmebol Libertadores, na qual a hegemonia brasileira arrasa o resto do continente. Mas isso contrasta com a fragilidade dos projetos esportivos e o elevado número de demissões de treinadores”, resumiu o AS. A Espanha também demite, sobretudo no meio e na parte de baixo da tabela. Mas não nesse volume, nem com essa pressa depois de um título ou de uma boa sequência. Lá, os grandes tendem a trocar o treinador quando o ciclo acaba. Aqui, a demissão virou resposta imediata à tabela, à torcida e ao calendário.O apelido de “triturador de treinadores” é duro. Mas com 19 demissões (18 profissionais) até o meio da 29ª rodada — e 13 dos 20 clubes já tendo mudado de comando pelo menos uma vez —, a manchete do AS retrata bem a situação. A rotatividade é marca registrada do futebol brasileiro: pressão por resultados imediatos, calendário desgastante e pouca paciência para projetos de médio prazo. O domínio continental coexiste com a instabilidade interna dos bancos.Até a próxima.