A equipe de Flávio Bolsonaro (PL) avalia que o candidato cometeu um tropeço ao fazer declarações sobre mudanças na Constituição durante a campanha para o segundo turno das eleições de 2026. A fala, considerada vaga e não ensaiada, gerou reações negativas de aliados, juristas e abre espaço para uso pela campanha adversária.Segundo Débora Bergamasco explicou ao CNN 360º, Flávio teria afirmado que usaria a maioria no Congresso para mudar a Constituição, com o objetivo de “redemocratizar o país”. A declaração foi interpretada por adversários como uma intenção de substituir integralmente a Constituição de 1988, o que gerou críticas imediatas.No dia seguinte, o candidato buscou esclarecer a afirmação, dizendo que se referia a Propostas de Emenda à Constituição (PECs) — instrumento que altera partes específicas do texto constitucional e exige quórum qualificado de três quintos em dois turnos, tanto na Câmara quanto no Senado.Improviso fora do roteiroO jornalista Pedro Venceslau, que apurou o episódio, destacou que Flávio Bolsonaro é descrito por integrantes da campanha como um candidato disciplinado, que costuma seguir orientações do marqueteiro e treinar suas declarações antes de eventos públicos. “Ontem foi algo que foi de improviso, não foi treinado antes, não foi algo que saiu da área de comunicação”, disse Venceslau. Leia Mais Jair Bolsonaro pode votar nas eleições 2026 após ser condenado? Entenda Análise: O fator STF nas eleições Flávio resgata pautas de costume ao destacar peso de indicações ao STF A declaração sobre a Constituição não constava do roteiro da campanha e foi classificada internamente como um “movimento brusco” — expressão usada por um aliado próximo ao candidato ouvido pelo jornalista. Segundo essa fonte, tais movimentos devem ser evitados nesse momento da disputa eleitoral, pois passam uma imagem de soberba e mexem em um tema sensível, especialmente após os eventos de 8 de janeiro.Juristas criticam a declaraçãoA fala de Flávio Bolsonaro também foi alvo de críticas por parte de juristas. Miguel Reale Júnior, ex-ministro da Justiça ouvido por Pedro Venceslau, afirmou que “é temerário dizer que vai mudar a Constituição” e questionou: “Mudar para quê? Para o modelo de Bukele?”. Reale Júnior acrescentou que a declaração “traz insegurança, é muito preocupante, precipitado e temerário”.Na mesma linha, Aloysio Nunes Ferreira, ex-ministro da Justiça e ex-ministro das Relações Exteriores classificou a declaração como “vazia”, por não explicar que tipo de mudança seria promovida. Ambos foram consultados pelo jornalista durante a apuração do episódio.Risco para o eleitorado de centroFontes internas da campanha avaliam que o episódio configura um deslize porque temas ligados ao 8 de janeiro e a pautas radicais circulam bem no eleitorado bolsonarista, mas têm forte rejeição entre eleitores que não são necessariamente simpatizantes de Flávio Bolsonaro. Segundo essa análise, há um contingente de eleitores que vota no candidato não por afinidade, mas por oposição ao adversário — e que pode ser afastado por declarações que reforcem uma imagem mais radical.A campanha do PL vinha construindo desde o início do processo eleitoral a imagem de um “Flávio moderado”, diferente do discurso adotado pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. O tropeço, segundo as fontes, dificulta essa construção.Campanha adversária deve explorar a declaraçãoPor fim, Larissa Rodrigues analisa quais serão os próximos passos que rumam o segundo turno. De acordo com a apuração, a campanha do PT deve utilizar a fala de Flávio Bolsonaro tanto nas redes sociais quanto nas propagandas obrigatórias de rádio e TV, que devem retornar nos próximos dias.A estratégia se insere em uma linha já adotada pela campanha adversária de “plantar uma sementinha de temor” no eleitorado, sugerindo que Flávio Bolsonaro representaria um risco para minorias, mulheres e para o eleitorado de esquerda. A declaração sobre a Constituição, segundo as fontes ouvidas pela analista, reforça a tese de que o candidato colocaria em risco a própria democracia. Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.