Os fundos de renda fixa, impulsionados pelos juros altos, lideraram a captação dos fundos de investimentos no ano até setembro, com R$ 136 bilhões em novas aplicações no ano, conforme dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Em seguida aparecem os fundos de direitos creditórios, ou FIDCs, que compram recebíveis como duplicatas e faturas de cartão de crédito, com R$ 56 bilhões captados no ano. Os fundos com cotas negociadas em bolsa, os ETFs, atingiram em setembro captação de R$ 42,5 bilhões, e os fundos de investimento em participações, ou FIPs, R$ 39,1 bilhões. Os Fiagros, voltados para o agronegócio, alcançaram R$ 9,9 bilhões em novos recursos.Já fundos ligados à renda variável, como ações e multimercados, perderam recursos, com resgates líquidos no ano de R$ 10,9 bilhões e 9,3 bilhões, respectivamente. O quadro ficou parecido com o do ano passado, com fundos de renda fixa e fundos estruturados liderando a captação enquanto multimercados e ações registravam fortes saídas. Para Pedro Rudge, diretor da Anbima, essa tendência de o investidor preferir a renda fixa só deve se reverter com um ambiente macro mais previsível e uma percepção de queda dos juros. “Se caminharmos para isso, para um ambiente com equilíbrio fiscal mais duradouro, reformas, a expectativa é de retorno para ativos de maior risco e para fundos multimercados e de ações”, afirma.Outro destaque negativo no ano são os fundos de previdência, que tiveram o maior volume de resgates até setembro, com R$ 12,4 bilhões. O motivo, segundo Rudge, ainda são as mudanças feitas pelo governo, que limitou os fundos exclusivos em previdência a R$ 5 milhões e criou um IOF sobre os aportes mensais acima de R$ 50 mil.No total, os fundos em geral acumularam no ano, até setembro, captação de R$ 251,7 bilhões, 61% maior que no mesmo período do ano passado e a segunda maior dos últimos cinco anos, abaixo apenas dos R$ 305 bilhões de 2024. O forte crescimento dos FIDCs fez a Anbima preparar uma proposta de nova classificação desses fundos que deve entrar em audiência pública ainda este mês, afirma Julya Wallisch, diretora da entidade. Os FIDCs alcançaram um património total de R$ 819 bilhões em setembro, R$ 69 bilhões a mais que em outubro do ano passado. O número de fundos cresceu 8,7%, para 4.270 carteiras, 342 a mais que em dezembro. Além disso, os FIDCs estão registrando forte crescimento nas carteiras destinadas ao varejo, segmento que alcançou um patrimônio total de R$ 5,1 bilhões no mês passado, quase o dobro dos R$ 2,7 bilhões do fim de 2025. “É um ritmo expressivo de crescimento, por isso estamos trabalhando em uma agenda que aumente a transparência, a prestação de informações ao investidor e fortalecimento das estruturas”, explica.Segundo ela, apesar de existirem hoje quatro categorias de FIDCs (fomento mercantil, financeiro, agronegócio e outros), a grande maioria se enquadra como outros. “Isso não atendo o propósito de transparência e vamos sugerir agrupar os FIDCs pelo tipo de direito creditório que compram, se é consignado, educacional, saúde, imobiliário, qual cadeia produtiva, e classificações acessórias para identificar o devedor e o cedente, se há concentração em um devedor, se é de pessoas físicas ou jurídicas, índice de subordinação, se é um crédito performado ou não e classificação de risco”, afirma Wallisch.A proposta é que as novas regras comecem a valer para novos FIDCs em janeiro do ano que vem. Os fundos já existentes terão prazo para adaptação em duas fases, a primeira, para metade do estoque, até abril do ano que vem, e o restante, até junho. “Essa medida, mais o guia para avaliação e provisão para créditos em atraso que já criamos, vai possibilitar ao investidor entender melhor o risco e comparar os produtos, além de permitir à Anbima aprimorar nossa base de dados sobre a indústria de FIDCs e ter um acompanhamento mais próximo”, diz. “Estamos também apoiando a adoção da duplicata escritural, orientando administradores sobre reconhecimento de perdas e estimulando a governança da indústria”, completa.Em termos de rentabilidade, a melhor performance é dos fundos de renda fixa com títulos de prazo mais longo, ou duração alta, que acumulam ganho de 10,5% no ano, empatando com o CDI. A pior na categoria renda fixa é dos fundos de crédito livre, com 8,3% em média, e que puxaram a média da categoria para baixo, para 8,7% no ano. Já os multimercados renderam em média 7,0% no ano, com os multimercados livres liderando com ganho de 8,2% até setembro enquanto os investimento no exterior ficaram com 4,4%. The post Renda fixa e FIDCs lideram aplicações de fundos no ano appeared first on InfoMoney.