Dragon’s Dogma 2: Dark Arisen review: um RPG completo e com muitos detalhes na jogabilidade

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Dragon’s Dogma 2: Dark Arisen vale a pena para quem gosta de RPG de mundo aberto com sistemas profundos, peões com personalidade própria e horas e mais horas de exploração, e o preço compensa pela quantidade de conteúdo. Mas se você espera gráficos ultrarrealistas, uma história cheia de reviravoltas ou um jogo que explica tudo de mão beijada, prepare-se: aqui o tempo (o seu e o do jogo) é parte da experiência.Prós:Mundo aberto vivo, em que a passagem do tempo muda pessoas, monstros e até itensSistema de peões com classes, personalidades e comandos de comportamentoMuita liberdade para montar classe, equipamento e estilo de jogoCutscenes bem produzidas, mesmo no modo portátil do Switch 2Conteúdo extenso, que justifica o investimentoContras:Sistema de combinação de itens mal explicado, na base da tentativa e erroSem áudio em português (só legendas), o que dificulta o acesso do públicoAtalhos pouco práticos para itens no esquema padrão de controleExcesso de opções e configurações pode deixar o começo confusoAlgumas cutscenes demoram a carregar no Switch 2Dragon’s Dogma 2: Dark Arisen é a versão completa do RPG de ação da Capcom lançado em 2024, agora acompanhado de uma expansão inédita ambientada na região de Norgan. O pacote chega em 9 de outubro de 2026 para PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC (Steam) e, pela primeira vez, Nintendo Switch 2, plataforma em que testei o jogo.Dragon’s Dogma 2 Dark Arisen review – Arisen em Norgan. – Capcom / DivulgaçãoDragon’s Dogma: a franquia que nasceu (e renasceu) com um “Dark Arisen”O primeiro Dragon’s Dogma, de 20212, chegou ao PlayStation 3 e ao Xbox 360 em maio daquele ano, dirigido por Hideaki Itsuno, nome que os fãs de ação conhecem de Devil May Cry. A história começa em Cassardis, uma vila de pescadores no ducado de Gransys, quando um dragão ataca, arranca o coração do protagonista e o deixa vivo. A partir dali, você se torna o Arisen, o escolhido destinado a enfrentar a criatura.A grande sacada do jogo, já naquela época, eram os peões: companheiros controlados pela inteligência artificial que você cria, treina e compartilha com outros jogadores. Um peão seu podia acompanhar a aventura de outra pessoa e voltar com conhecimento novo sobre missões e inimigos.Em abril de 2013, a Capcom lançou Dragon’s Dogma: Dark Arisen, uma versão expandida que juntava o jogo original a um conteúdo novo e bem mais difícil: a Bitterblack Isle, uma ilha-masmorra pensada para o pós-jogo. Foi essa edição que manteve a franquia viva por anos, ganhando versões para PC em 2016, PS4 e Xbox One em 2017 e Nintendo Switch em 2019. No meio do caminho, o Japão recebeu ainda o Dragon’s Dogma Online (2015), um spin-off online que nunca saiu de lá e foi encerrado em 2019, e a Netflix lançou uma adaptação em anime em 2020.A sequência demorou mais de uma década para chegar. Dragon’s Dogma 2 foi lançado em 22 de março de 2024 para PS5, Xbox Series X|S e PC. Nele, você volta a ser o Arisen, mas desperta sem memória, enquanto um impostor ocupa o trono do reino de Vermund. O mapa se divide entre Vermund, terra dos humanos, e Battahl, lar dos beastren. O jogo passou de 4 milhões de cópias vendidas até o fim de 2025 sem receber nenhuma expansão, uma lacuna que finalmente foi preenchida agora.A história de Dark Arisen: um dragão sem coração em NorganAssim como em 2013, o novo Dark Arisen junta o jogo-base a um conteúdo inédito, e não por acaso: a expansão é dirigida por Kento Kinoshita, o mesmo diretor do Dark Arisen original. Segundo a Capcom, a nova campanha leva o Arisen ao norte, para Norgan, uma região gelada abandonada há muito tempo. Lá, ele encontra o Dragão Caído (Fallen Dragon), uma criatura imortal que está sem o próprio coração, e se une a uma personagem misteriosa chamada Eir para investigar os segredos dela.O espelho com o primeiro jogo é claro: se antes era o Arisen quem perdia o coração para um dragão, agora é o dragão quem vaga sem ele. Além da campanha, a expansão traz 12 masmorras de desafio, chamadas Lost Rites, que recompensam com equipamentos raros, e relíquias encontradas na exploração de Norgan, que podem ser avaliadas por NPCs específicos para forjar armas e armaduras mais fortes, algumas com efeitos e habilidades únicas. O editor de personagens também ganhou novos penteados e tatuagens.Gráficos: aqui a mecânica fala mais altoO visual de Dragon’s Dogma 2: Dark Arisen não é nada impressionante no Nintendo Switch 2. É o padrão de um RPG desse porte, em que o que importa mais é a mecânica e a história do que gráficos extremamente avançados. Quem chega esperando um espetáculo visual de nova geração vai se decepcionar, mas quem conhece a proposta da série sabe que o foco nunca esteve aí.As cutscenes, por outro lado, são bem feitas e cumprem bem o papel de dar peso aos momentos da história.Desempenho no Nintendo Switch 2Joguei no Nintendo Switch 2, no modo portátil, com todas as configurações no máximo. O jogo roda a no máximo 30 FPS, com o FSR 3 Frame Generation ligado. A Capcom confirmou que essa é a primeira vez que usa geração de quadros num jogo de Switch 2: o recurso interpola imagens para chegar a algo equivalente a 60 FPS, e pode ser ligado ou desligado a qualquer momento.Durante a jogatina em si, não percebi travamentos ou dificuldades. O único ponto que me incomodou foram algumas cutscenes que demoraram a entrar, dando a impressão de que o console precisava de mais tempo para carregá-las.Mundo aberto, missões e um relógio que não aparece na telaO mundo de Dragon’s Dogma 2 é aberto, e você vai aceitando diversas missões ao longo da jornada. E aqui vai o primeiro conselho: cuidado para não acumular missões demais e esquecer as que dependem do tempo.Um exemplo: ao chegar a Vernworth, a capital de Vermund, recebi uma missão para entrar no castelo e encontrar uma pessoa. Só que isso só era para ser feito à meia-noite. Não existe um relógio na tela marcando o prazo, mas também não dá para enrolar e esperar o dia raiar.A passagem do tempo muda tudoEssa passagem de tempo influencia diversas situações. Pessoas que ficam num lugar durante o dia podem estar em outro à noite. Para avançar as horas, você pode se hospedar numa pousada ou usar bancos especiais espalhados por alguns locais.A noite tem regras próprias. Você precisa de uma lamparina para enxergar no escuro, o que também ajuda a localizar – e ser localizado pelo – os monstros, e, nas áreas selvagens, encontra criaturas diferentes das que aparecem durante o dia.Até os itens sentem o tempo passar. Uma maçã, por exemplo, pode amadurecer, envelhecer e virar itens diferentes para a combinação de materiais. Os alimentos crus pedem atenção redobrada, para que você não acabe consumindo algo velho ou podre que traga efeitos colaterais.Combinação de itens: na base da sorteEssa foi a parte em que achei a explicação do jogo mais fraca. Há uma variedade enorme de itens, e você acaba tendo que fazer combinações na sorte para descobrir novos objetos. Na criação de poções, por exemplo, é difícil saber de antemão o que vai sair ao juntar duas ervas. Pelo nome de algumas, dá para deduzir, mas só depois de fazer é que você tem certeza. A boa notícia: descoberta a receita, basta repetir a mesma combinação quando precisar.Dragon’s Dogma 2: Dark Arisen chega em 9 de outubro – Captação InternaForjas e melhoria de equipamentosNão tive muito tempo para explorar esse sistema, mas é a boa e velha fórmula: encontrar ou comprar os materiais necessários e levar até uma loja de equipamentos ou forja para fazer os upgrades. O detalhe interessante é que cada forja tem um estilo diferente, e isso pode influenciar o resultado, puxando mais para magia ou para força. Vale ficar de olho em qual estilo combina mais com o seu jeito de jogar e com o equipamento que você está melhorando.Peões: os companheiros que fazem a diferençaOs peões continuam sendo o coração da série. Você pode convocá-los nas pedras da fenda (mediante um custo) ou contratá-los pelo caminho e nas cidades espalhadas pelo mapa. Dá para dar comandos para que tenham comportamentos diferentes, mais agressivos, mais exploradores, mais focados em suporte, ou simplesmente deixá-los no modo padrão.Cada peão tem classe e personalidade próprias, o que muda tanto a forma de agir em combate quanto as falas. Foi justamente um peão com aura de cura que salvou a minha pele em vários momentos, como conto mais abaixo.Sem áudio em português: as legendas não dão conta no meio da lutaDragon’s Dogma 2: Dark Arisen tem legendas em português, mas não tem áudio em PT-BR. Eu costumo jogar com o volume bem baixo ou sem som, e senti que isso me prejudicou. O jogo tem muitos diálogos, dos NPCs que te acompanham e dos próprios peões, e várias dessas falas passam informações úteis naquele exato momento. A legenda até aparece, mas no meio de uma batalha você está focado em acertar o inimigo e desviar dos golpes, não em ler. E para quem não sabe inglês ou japonês, fica com esta dificuldade também.Controles: cadê o atalho de itens?Nos controles, senti falta de alguns botões de acesso rápido, principalmente para itens de cura. No esquema padrão, não havia uma opção prática para usá-los, e quando o bicho apertava, já era. A solução veio de outro jeito: depois que recrutei um peão com aura de cura, as coisas ficaram bem mais tranquilas.Dragon’s Dogma 2: Dark Arisen vale a pena? VereditoAchei Dragon’s Dogma 2: Dark Arisen um jogo um pouco confuso no começo. São muitas opções de configuração, de especificação de personagem e até de como fazer as missões (dá para mandar peões cumprirem tarefas separadas, por exemplo), e isso me deixou perdida. É como ter uma ferramenta excelente nas mãos e usar só o básico porque é mais fácil.Claro que, com tempo, dá para explorar tudo, e isso é um ponto positivo. É um jogo extenso, em que você vai investir muitas horas, e pelo preço essa relação compensa, ainda mais com as diferentes classes disponíveis, que geram aventuras diferentes por sua jogabilidade.Nestas primeiras horas de teste, a dificuldade foi justamente conseguir explorar tudo o que o jogo oferece. É um RPG que pede paciência e tempo. Mas se você está esperando gráficos ultrarrealistas ou uma história completamente surpreendente (até onde joguei, não houve nenhuma grande reviravolta), este não é o jogo para você.Ficha técnicaJogo: Dragon’s Dogma 2: Dark ArisenDesenvolvedora e publicadora: CapcomDiretor da expansão: Kento KinoshitaGênero: RPG de ação em mundo abertoLançamento: 9 de outubro de 2026Plataformas: PlayStation 5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch 2 e PC (Steam)Versão analisada: Nintendo Switch 2 (modo portátil)Idiomas: interface e legendas em português; áudio sem PT-BRPreço: pacote completo (jogo-base + expansão) a R$ 242,50 no PS5 e R$ 242 no Xbox; expansão avulsa a R$ 145,50 no PS5 e R$ 145 no XboxClassificação indicativa: 16 anosO post Dragon’s Dogma 2: Dark Arisen review: um RPG completo e com muitos detalhes na jogabilidade apareceu primeiro em Olhar Digital.