Mercado de bioinsumos deve crescer até 7% em valor de vendas em 2026

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O mercado brasileiro de bioinsumos deve encerrar o ano com crescimento de 5% a 7% em valor de vendas e de aproximadamente 10% em volume na comparação com 2025, segundo projeção da ANPII Bio (Associação Nacional de Promoção e Inovação da Indústria de Biológicos).No primeiro semestre, o volume comercializado aumentou 7% em relação ao mesmo período de 2025. Já o valor das vendas permaneceu estável, em um cenário marcado pelo adiamento de compras e pela pressão sobre os preços dos insumos agrícolas.A desaceleração foi mais acentuada no segundo trimestre, quando problemas relacionados aos preços e ao abastecimento de fertilizantes, somados às incertezas sobre as cotações futuras das principais commodities agrícolas, influenciaram as decisões dos produtores. Parte das compras foi postergada para períodos mais próximos do início do plantio da safra de verão. Leia Mais Mercado de bioinsumos movimenta R$ 1,35 bilhão até abril e área cresce 15% Bioinsumos podem adicionar R$ 15,8 bilhões ao PIB brasileiro Koppert mantém expectativa de crescimento mesmo em cenário desafiador Segundo Larissa Bonotto, diretora de operações da ANPII Bio, o crescimento do volume comercializado indica a continuidade da adoção de produtos biológicos, embora o comportamento dos preços tenha limitado o avanço do faturamento no primeiro semestre. A entidade projeta uma retomada do ritmo de compras na segunda metade do ano, com impacto no resultado anual.Os dados foram apresentados pela consultoria 5P2R Marketing de Precisão às empresas associadas à ANPII Bio no fim de agosto. A plataforma reúne uma série histórica iniciada em 2009 e conta atualmente com informações de 30 empresas, permitindo acompanhar a evolução do mercado e as mudanças na composição da indústria.Mudanças no mixAlém dos indicadores de vendas, os dados apontam mudanças no perfil dos produtos disponíveis no mercado. Entre os biodefensivos, aumentou a participação de soluções que combinam mais de uma classe de uso, como nematicidas-fungicidas e acaricidas-inseticidas biológicos. No segmento de inoculantes, também avançam formulações que reúnem diferentes espécies de microrganismos.Essas categorias responderam por 22% do valor das vendas no primeiro trimestre de 2026, contra 16% em 2025, conforme os dados da plataforma.“Essa mudança no mix é um dos sinais de amadurecimento do mercado. As empresas estão ampliando seus portfólios e incorporando tecnologias com diferentes funcionalidades e combinações de microrganismos. Também observamos uma diversificação na atuação das indústrias, que passaram a estar presentes em mais de um segmento, acompanhando a demanda por soluções cada vez mais integradas ao manejo agrícola”, disse Anderson Nora Ribeiro, sócio-fundador da 5P2R Marketing de Precisão.A diversificação também aparece no perfil das companhias monitoradas. Das 30 empresas analisadas em 2026, metade atua tanto com inoculantes quanto com defensivos biológicos. As demais concentram suas operações em um dos dois segmentos. Em 2022, a proporção de empresas presentes nas duas categorias era de 26%.Lei de BioinsumosO mercado de bioinsumos também acompanha a regulamentação da Lei nº 15.070/2024, conhecida como Lei de Bioinsumos. Em outubro de 2026, a expectativa da indústria é pela publicação do decreto regulamentador, etapa que deverá anteceder a discussão de portarias e de outros atos complementares necessários à aplicação prática da legislação.Para a ANPII Bio, a conclusão desse processo está relacionada à previsibilidade regulatória e às condições para investimentos e desenvolvimento de novas tecnologias. A entidade também destaca a necessidade de estabelecer regras compatíveis com as características dos diferentes produtos biológicos e com a operação das empresas do setor.Após a publicação do decreto, a implementação do marco legal deverá avançar por meio de normas complementares. A expectativa da associação é que esse processo contemple aspectos de segurança, inovação, proporcionalidade e viabilidade operacional, considerando também as necessidades dos produtores rurais.