Mais que uma concessionária Volkswagen, a Dacon foi uma lenda do automobilismo nacional. Os quatro Karmann-Ghia com motor Porsche da Escuderia Dacon venceram metade das provas que disputaram e consolidaram o prestígio do engenheiro Paulo Goulart junto ao fabricante de Stuttgart. Foi daí que nasceu o PAG Dacon 928.A influência do Porsche 928 é inequívoca. Desenvolvido para o mercado americano, o 928 foi o segundo Porsche com motor dianteiro refrigerado a água (após o 924) e um importante avanço para o fabricante alemão.O nome PAG, de Projects d’Avant Garde, também representava as iniciais de Paulo de Aguiar GoulartFernando Pires/Quatro RodasOrigem do fora de série nacionalPara entender o contexto do PAG Dacon 928, é preciso voltar aos anos 1970, período em que a Dacon também representava marcas como BMW, Jaguar e Citroën-Maserati. Tudo ia bem para a revenda paulistana até a publicação do Decreto-Lei nº 1.455/1976, que proibiu as importações e afetou a seleta clientela.Cinco carros médios usados completões com preço de carro compacto Continua após a publicidadeIntransponível, a nova restrição fomentou modelos fora de série como Puma e Adamo e incentivou o surgimento de outros como Bianco, Miura e Santa Matilde. Foi então que a Dacon virou grife automotiva: instrumentos, rodas e volantes Porsche tornaram-se obrigatórios nas personalizações realizadas em modelos Brasilia e Passat.–Marco de Bari/Quatro RodasA década seguinte foi um período difícil, com o país em recessão e com hiperinflação. A solução adotada pela Dacon para sobreviver foi fundar a PAG (Projects d’Avant Garde), empresa sediada em Santana de Parnaíba (SP) para o desenvolvimento de novos modelos. Para diminuir custos, o recém-lançado Gol GT foi escolhido como base para o PAG Dacon 928, em 1984. Continua após a publicidade–Marco de Bari/Quatro RodasO capô alongado melhorava a aerodinâmica e era tão bem integrado aos para-lamas dianteiros que o para-brisa do Gol passava quase despercebido. Peças de plástico reforçado com fibra de vidro eram adicionadas para modificar a aparência de capota, laterais e portas. A traseira foi inteiramente modificada: a porta de acesso ao porta-malas e os vidros eram exclusivos.Portas redesenhadas continuavam com a estrutura originalFernando Pires/Quatro Rodas Continua após a publicidadeMecânica envenenadaOutra exclusividade do PAG Dacon 928 era o bloco: a cilindrada saltou dos 1.781 cm³ para 2.006 cm³ com o uso de pistões de 84 mm e um novo virabrequim com 90,5 mm de curso. Por razões tributárias, a potência declarada permanecia em 99 cv, mas a sensação de torque era evidente.O conjunto interno, do VW Gol, permanecia inalterado para reduzir custos. Encostos de cabeça no banco traseiro eram raríssimos na década de 1980. Ar-condicionado era opcionalFernando Pires/Quatro RodasO fôlego a mais do motor era bem-vindo para compensar a queda no desempenho causada pelo ar-condicionado, único equipamento oferecido como opcional. O notável comportamento dinâmico era um convite ao excesso de velocidade: a 180 km/h a impressão era de estar a 120 km/h. Continua após a publicidadeNinguém sabe quantos PAG Dacon 928 foram produzidos, mas ele é considerado um dos carros mais raros da marca. O esportivo foi sucedido pelo Nick (1987) e pelo Chubby (1990), mas a PAG encerrou as atividades em 1991, logo após a abertura das importações. A concessionária Dacon resistiu até 1996.–Fernando Pires/Quatro Rodas Continua após a publicidadeFicha Técnica – PAG Dacon 928 1984Motor: longitudinal, 4 cilindros em linha, 2.006 cm³, alimentado por um carburador de corpo duplo, 99 cv DIN a 5.400 rpm; 14,9 kgfm a 3.200 rpmCâmbio: manual de 4 marchas, tração dianteiraCarroceria: fechada, 2 portas, 5 lugaresDimensões: comprimento, 4,05 m; largura, 1,60 m; altura, 1,37 m; entre-eixos, 2,35 m; peso: 910 kg; pneus: 185/60 HR 14Motor de 2.000 cc foi oferecido pela Dacon muitos anos antes da própria VWFernando Pires/Quatro Rodas Publicidade