Integrantes da PF (Polícia Federal) e a defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro não confirmaram o conteúdo e a autenticidade do áudio divulgado pela revista Veja no qual o ex-controlador do Banco Master diz ter negociado o financiamento de um filme sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição.À CNN Brasil, a PF disse na manhã desta sexta-feira (9) que a corporação recusou a delação premiada de Vorcaro por ausência de elementos mínimos que pudessem dar credibilidade ao que ele disse. Segundo o órgão, a PGR (Procuradoria-Geral da República) teve a mesma avaliação sobre o caso.Ainda pela manhã, fontes próximas a Vorcaro ouvidas pela CNN haviam confirmado a autenticidade do áudio em que ele relata tratativas com governistas para financiar um filme sobre o presidente Lula. Segundo os relatos, porém, a gravação não chegou a integrar um depoimento formal às autoridades. Leia Mais Flávio acusa Lula de receber propina após áudio divulgado por revista Campanha de Lula chama de "farsa" depoimento de Vorcaro citado por revista Vorcaro relatou a Mendonça desejo de delatar membros do governo, diz jornal As fontes levantaram a possibilidade até mesmo de se tratar de uma gravação clandestina porque há uma distorção no início do áudio que indicaria, para os aliados de Vorcaro, a presença de uma terceira pessoa no ambiente de conversa. Asseguram, entretanto, que o áudio é posterior à prisão do ex-banqueiro, em 17 de novembro de 2025.Na tarde desta sexta, como também mostrou a CNN, a defesa do ex-banqueiro divulgou uma nota dizendo não confirmar a veracidade do áudio divulgado pela Veja.“A defesa de Daniel Vorcaro repudia a divulgação de supostos anexos que estariam relacionados a tratativas de colaboração premiada que não foi celebrada. A defesa não confirma o conteúdo de qualquer material divulgado, cuja origem, autenticidade e integridade não são reconhecidas“, diz a nota assinada pelos advogados Sérgio Leonardo e Engels Augusto Muniz.Ambos afirmam que “o material preliminar da colaboração foi disponibilizado a um número restrito de autoridades que possuem dever legal de confidencialidade” e que “Vorcaro não prestou nenhum depoimento à PF ou à PGR no âmbito das tratativas de colaboração premiada“.No comunicado, também destacam que Vorcaro tem “informações personalíssimas e relevantes para o caso e segue disponível para contribuir com as autoridades”.O advogado Daniel Bialski, que integra a defesa de Daniel Vorcaro, também afirmou à CNN que desconhece o relato atribuído ao ex-banqueiro pela revista.Bialski disse que não atuava na defesa quando foram apresentadas as propostas de colaboração premiada e afirmou que Vorcaro não prestou novo depoimento sobre o assunto à PF ou a qualquer outro órgão.Um integrante da PGR ouvido pela CNN chegou a dizer que o áudio não foi enviado à equipe que conduzia as tratativas de delação na instituição.Vorcaro cita R$ 30 mi a filme de Lula, diz revista; PF vê delação sem prova | LIVE CNNEntenda o casoMensagens e documentos obtidos pela Veja e divulgados na madrugada desta sexta voltaram a repercutir supostas negociações envolvendo Vorcaro e o extinto Banco Master.O site afirmou que Vorcaro teria liberado R$ 30 milhões em espécie ao Instituto Lula, gerenciado por Paulo Okamotto, para financiar o documentário do cineasta Oliver Stone sobre o atual presidente Lula. A intermediação teria sido feita entre o empresário e o ex-tesoureiro do PT (Partido dos Trabalhadores), João Vaccari Neto.Segundo a revista, a aproximação de Vorcaro com o PT foi articulada pelo então CEO do Master, Augusto Lima. Além disso, o então líder do governo Lula no Senado, senador Jaques Wagner (PT-BA), teria articulado o primeiro encontro com Vaccari.Segundo a reportagem, o detalhamento do esquema teria sido enviado à PGR em forma de documentos e de um áudio atribuído ao ex-banqueiro na segunda tentativa de uma delação premiada. A PGR, no entanto, alegou falta de provas e não avançou no caso.“Banco do Brasil a gente estruturou isso com ele [Vaccari]. É… O Augusto adianta ali para o Okamotto do Instituto Lula… E aí tem o negócio do filme também. O cara [Vaccari] pede para colocar dinheiro no filme do Lula”, diz gravação divulgada pela Veja e cuja autenticidade não foi confirmada.Segundo informações do analista de política da CNN Caio Junqueira, a leitura no governo e no PT é de que está em curso um “acórdão” para eleger o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e soltar Vorcaro. O combinado seria que o ex-banqueiro apresentaria denúncias contra o presidente Lula para ajudar na eleição do candidato do PL. O senador, uma vez eleito, ajudaria em uma composição para tirá-lo da prisão.A avaliação é de que Vorcaro busca agora uma “bala de prata” contra Lula para encaminhar uma vitória de Flávio e viabilizar um ambiente institucional que acabaria levando à sua soltura. A defesa de Vorcaro, como mostrou a CNN, apresentou em setembro um pedido para que ele deixe a prisão e aguarde o julgamento em prisão domiciliar.Há também o entendimento de que a denúncia busca desviar o foco das relações entre Flávio e Vorcaro. O candidato do PL admitiu ter pedido recursos ao ex-banqueiro para financiar o filme “Dark Horse”, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Os dois negociaram um repasse de US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões. Há um áudio de Flávio pedindo o dinheiro, além de mensagens cobrando os valores.Mais cedo, os advogados Marco Aurélio de Carvalho e Reinaldo Santos de Almeida, que representam o Grupo Prerrogativas, chegaram a acionar a PF pedindo investigação sobre uma suposta articulação entre Vorcaro e a campanha de Flávio.Eles mencionam a existência de negociações para uma entrevista televisionada com o ex-banqueiro. No pedido, citam que depoimentos de Vorcaro teriam sido entregues a terceiros e alegam que o conteúdo não teria respaldo em elementos de prova e teria sido concebido para produzir efeito político durante o período eleitoral.Os advogados pediram que as autoridades priorizem a investigação e a identificação dos interlocutores que estariam negociando a entrevista com emissoras de televisão.Vorcaro consultou Moraes sobre fuga: “2ª tenho que estar fora?”