O humorista e comediante Renato Albani, relatou nas redes sociais, que nos últimos dias havia acordado com metade do rosto dormente. Ele apontou que, após exames, foi diagnosticado com “paralisia de Bell”. O especialista explica que a causa exata nem sempre é identificada, mas a principal hipótese é que uma infecção viral, especialmente por vírus da família do herpes, provoque uma resposta inflamatória que leva ao inchaço do nervo facial. O que é a paralisia de Bell? O médico neurologista e doutor pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), Dr. Frederico M. Haidar Jorge, especialista em diagnóstico e manejo de condições que afetam o sistema nervoso central, informou que a paralisia de Bell é uma paralisia periférica do nervo facial, o 7º nervo craniano, que é responsável por movimentar os músculos da expressão facial. “Quando esse nervo sofre uma inflamação ou disfunção, os comandos do cérebro não chegam adequadamente aos músculos de um dos lados da face, provocando perda ou redução dos movimentos. Também podem ocorrer alterações no paladar, na produção de lágrimas e na sensibilidade a sons”, ressalta. A paralisia, segundo o médico é a fraqueza ou paralisia de um lado do rosto é o principal sintoma. Quanto a aparição, ela pode ser rápida. Leia Mais Vídeo: "Homem-Aranha" ajuda pessoa em cadeira de rodas a cruzar rua nos EUA Diogo Defante mostra transformação física após retirada de tumor Clarice Falcão afirma ter "doença do Brad Pitt"; entenda “Surge de maneira relativamente rápida, podendo evoluir ao longo de algumas horas e atingir o máximo de intensidade em até 72 horas. Algumas pessoas relatam dor atrás da orelha, sensação diferente na face ou alterações no paladar antes de perceber claramente a paralisia”, indica. Além da paralisia em um dos lados do rosto, ela pode se estender para outras partes do corpo. “Fraqueza ou dormência em um braço ou uma perna, dificuldade para falar ou compreender, alteração súbita da visão, perda de equilíbrio, dificuldade para caminhar, confusão mental, tontura intensa ou uma dor de cabeça súbita e muito forte são sinais de alerta para outras causas, especialmente AVC”, destaca. A razão da aparição dos sintomas aparecer em apenas um lado do rosto seria porque a inflamação ou compressão costuma atingir um único nervo facial. “Como temos um nervo facial de cada lado, o comprometimento de um deles provoca alterações predominantemente em apenas metade da face”, diz o neurologista. Quais são as causas? Dr. Frederico M. Haidar Jorge informa que as causas nem sempre são identificadas, mas a principal hipótese é que um vírus cause a inflamação de um nervo facial. “A principal hipótese é que uma infecção viral, especialmente por vírus da família do herpes, provoque uma resposta inflamatória que leva ao inchaço do nervo facial. Como ele passa por um canal ósseo estreito, esse edema pode comprometer sua função. Nem todo caso, porém, pode ser atribuído diretamente a um vírus”, aponta. A situação acontece mais em adultos, existem situações em que o risco pode ser maior, como durante a gestação e em pessoas com algumas condições metabólicas ou imunológicas. Como diferenciar a paralisia do AVC? Segundo o médico neurologista, a paralisia de Bell e o AVC (Acidente Vascular Cerebral), conhecido popularmente como derrame, a confusão pode acontecer devido a assimetria facial. “É possível confundir uma paralisia de Bell com um AVC, principalmente no início, porque ambas podem provocar assimetria facial. A diferença fundamental é que, na paralisia de Bell, geralmente há comprometimento de toda a metade da face, incluindo a capacidade de fechar o olho e enrugar a testa. No AVC, dependendo da região cerebral afetada, a fraqueza facial costuma predominar na parte inferior do rosto e pode vir acompanhada de outros déficits neurológico”, ressalta. Porém, o diagnóstico é principalmente clínico. O neurologista avalia a distribuição da fraqueza facial, a movimentação da testa e dos olhos e procura outros sinais neurológicos. Exames de imagem, como tomografia ou ressonância, não são necessários em todos os casos, mas podem ser indicados quando existem sintomas atípicos, evolução diferente do esperado ou suspeita de outra doença. AVC não é sentença de morte, aponta especialistas | CNN Sinais VitaisQual o tratamento e o processo de recuperação? O tratamento costuma envolver corticoides, porque reduzem a inflamação e aumentam a chance de recuperação. Em situações específicas, o médico pode associar antiviral. “Outro cuidado fundamental é proteger o olho quando o paciente não consegue fechá-lo completamente, utilizando lubrificação e, em alguns casos, proteção durante o sono para evitar lesões na córnea”, ainda destaca Dr. Frederico M. Haidar Jorge. A maioria dos pacientes apresenta melhora progressiva nas primeiras semanas e uma recuperação importante dentro de três a seis meses. “O risco aumenta quando a paralisia é muito intensa desde o início ou quando a recuperação é lenta e incompleta”, aponta. *Sob supervisão de Thiago Félix