Influenciadores digitais podem declarar apoio e pedir votos nas redes sociais durante o período de eleições por conta própria. A Justiça Eleitoral Brasileira proíbe qualquer pagamento de campanhas para criadores de conteúdo divulgarem candidatos no Instagram, TikTok ou YouTube, não importa o tamanho da conta. As regras vêm direto da Resolução nº 23.610/2019 do TSE. Para falar o que pode postar, o que é proibido ou dá multa, o TechTudo conversou com o advogado eleitoralista Paulo Henrique de Mattos Studart, e com o mestre em Direito Constitucional pela UFF Caio Grande Guerra, para explicar quais são os limites éticos de postar nas redes sociais no período das eleições. 🔍Eleições 2026: como consultar os planos de governo dos candidatos online📱O que é permitido e o que é proibido nas redes sociais no 2º turno?📲 Comparador de celulares do TechTudo: como usar a ferramenta e economizarInfluenciadores podem apoiar candidatos nas redes sociais, mas precisam respeitar as regras da propaganda eleitoralMariana Saguias/TechTudo📲 Canal do TechTudo no WhatsApp: acompanhe as principais notícias, tutoriais e reviews📝 Os votos nas urnas eletrônicas são mesmo secretos? Veja no fórum do TechTudoEntenda as regras para influenciadores nas eleiçõesInfluenciadores podem ser contratados para fazer campanha eleitoral?Influenciador pode pedir voto para um candidato?É preciso identificar o conteúdo de campanha?O que é proibido na propaganda feita por influenciadores?Quais são as punições para quem descumprir as regras?Influenciadores podem ser contratados para fazer campanha eleitoral?Influenciadores não podem receber dinheiro ou outros benefícios para publicar propagandas eleitorais em seus próprios perfis. A proibição vale para vídeos, fotos, publicações e outros conteúdos divulgados nas redes sociais. Mesmo que o pagamento seja indireto ou oferecido como prêmio, a prática pode ser irregular.Trabalhar em campanha não é proibido para quem é criador de conteúdo. A lei declara que criadores sejam contratados para as produções de serviços profissionais, como gravar vídeos ou apresentar peças de campanha, mas é preciso respeitar as normas da Justiça Eleitoral Brasileira.📱Trocou de celular e não consegue acessar o Gov.br? Veja como resolverEle pode, por exemplo, ser contratado para produzir vídeos, ou atuar como apresentador na propaganda eleitoral do candidato.A diferença está na finalidade da contratação. Uma campanha pode pagar pela produção de um vídeo destinado aos canais oficiais do candidato. O que não pode é comprar o alcance do perfil pessoal de um influenciador para divulgar aquela propaganda eleitoral. A legislação permite a contratação de serviços de produção de conteúdo, mas proíbe o pagamento por propaganda eleitoral nos perfis pessoais de influenciadoresReprodução/iStockInfluenciador pode pedir voto para um candidato?Assim como qualquer cidadão, um influenciador pode declarar apoio político, defender propostas e pedir votos nas redes sociais. Para isso, a manifestação deve ser voluntária, sem pagamento ou benefício oferecido em troca da publicação.O professor Caio Guerra explica que a Constituição protege a liberdade de expressão de todos os cidadãos, não importa se produzem ou não conteúdo. Ainda assim, essa liberdade não autoriza a divulgação de informações falsas que violem a legislação eleitoral ou ataques ilegais contra candidatos.📱Como tirar CNH agora? Guia completo para virar motorista em 2026O apoio público de um influenciador é, antes de tudo, exercício de cidadania e de liberdade de expressão.Para o advogado Paulo Studart, a manifestação também precisa ser espontânea. O criador de conteúdo pode declarar publicamente seu apoio a um candidato, desde que essa manifestação seja espontânea e não remunerada. Assim, publicar um vídeo explicando por que apoia determinada candidatura é diferente de receber dinheiro para convencer seguidores a votar nela.Influencers podem pedir voto político nas redes sociais, só se for de forma espontânea e não remunerada Mariana Saguias/TechTudoÉ preciso identificar o conteúdo de campanha?Depende do tipo de publicação. Um influenciador que declara apoio espontâneo a determinado candidato não precisa identificar sua opinião pessoal como publicidade paga. O entendimento é diferente quando existe propaganda eleitoral impulsionada por uma campanha.Uma manifestação política espontânea não precisa receber o rótulo de "publicidade" ou "conteúdo patrocinado"No caso dos anúncios eleitorais pagos, o TSE exige uma identificação clara. O conteúdo impulsionado deve apresentar a expressão "Propaganda Eleitoral", além do CPF ou CNPJ do responsável, conforme as regras aplicáveis. Esse tipo de divulgação só pode ser contratado pelos participantes da disputa autorizados pela legislação.Também há exigências específicas para materiais de propaganda que utilizam inteligência artificial. Quando imagens, vídeos ou áudios são fabricados ou manipulados por IA nas situações previstas pela resolução, o responsável precisa informar o uso da tecnologia de maneira clara e acessível. Portanto, nem toda postagem política precisa de um aviso de publicidade. O importante é distinguir uma opinião espontânea de um anúncio eleitoral e observar as regras próprias de cada formato.📱Como esconder aplicativo de banco no celular? Confira o passo a passoO que é proibido na propaganda feita por influenciadores?Além da remuneração irregular, a Justiça Eleitoral Brasileira estabelece limites para a divulgação de conteúdos políticos na internet. As restrições buscam impedir práticas que possam prejudicar a disputa entre candidatos ou enganar os eleitores. Entre as principais proibições estão:Publicações eleitorais pagas: receber dinheiro, prêmios ou benefícios para divulgar propaganda nos próprios perfis.Impulsionamento irregular: pagar para ampliar o alcance de propaganda eleitoral fora das condições permitidas pela lei.Disparos em massa: utilizar serviços proibidos de envio coordenado de mensagens eleitorais para um grande número de pessoas.Desinformação: divulgar conteúdos sabidamente falsos ou gravemente fora de contexto, em situações que violem as regras eleitorais.Deepfakes: utilizar vídeos ou áudios manipulados digitalmente para criar ou alterar imagens e vozes de pessoas, favorecendo ou prejudicando candidaturas nas condições proibidas pelo TSE.Nas eleições de 2026, a inteligência artificial ganhou atenção especial. As normas exigem a identificação de materiais sintéticos usados na propaganda e proíbem determinadas manipulações, mesmo quando há autorização da pessoa retratada. Outra restrição impede a publicação de novos conteúdos sintéticos com imagem, voz ou manifestação de candidatos ou pessoas públicas nas 72 horas anteriores à votação e até 24 horas após o término do pleito, conforme as condições previstas na resolução.Para o mestre em direito constitucional Caio Guerra, o problema também envolve a facilidade com que informações enganosas circulam nas plataformas. Na sala de aula, ele procura ensinar os estudantes a verificar a origem das publicações, consultar fontes oficiais e desconfiar de conteúdos que provocam reações emocionais imediatas. Entre os cuidados recomendados pelo professor estão a consulta ao portal do TSE, a checagem de notícias e a busca reversa de imagens, ferramenta que ajuda a descobrir se uma fotografia foi retirada de outro contexto.📱Como saber se fui restringido no Instagram? Veja 3 formas de descobrirPropaganda eleitoral de influenciadores deve respeitar as regras da Justiça Eleitoral.Mariana Saguias/TechTudoQuais são as punições para quem descumprir as regras?As punições dependem da infração e de sua gravidade. No caso de propaganda eleitoral paga irregular na internet, a legislação prevê multas que podem atingir tanto quem divulgou o conteúdo quanto o candidato beneficiado, quando ficar comprovado que ele tinha conhecimento dessa irregularidade. Além de multas, a Justiça Eleitoral Brasileira pode determinar a retirada de publicações irregulares. De acordo com a conduta, os envolvidos podem responder por crimes eleitorais ou outras infrações.No caso de propaganda eleitoral paga irregular na internet, a legislação prevê multa de R$ 5 mil a R$ 30 mil, ou equivalente ao dobro do valor gasto, quando esse montante superar o limite máximo previsto.Quando a propaganda não respeita a lei e acontece abuso de poder econômico ou uso irregular dos meios de comunicação, as consequências podem atingir as candidaturas. A Justiça Eleitoral pode chegar a cassar o registro ou o diploma do candidato e ainda aplicar punições graves, como deixar o candidato inelegível. Isso não significa que toda publicação irregular terá a mesma punição. Cada situação precisa ser analisada conforme o conteúdo divulgado, a participação dos envolvidos e as provas disponíveis.Para os influenciadores, a principal orientação é conhecer a diferença entre expressar uma preferência política e participar de uma divulgação remunerada. Apoiar um candidato é um direito. Receber para promover essa candidatura em um perfil pessoal, por outro lado, pode representar uma violação das regras eleitorais.Propaganda eleitoral irregular pode resultar em multas, retirada de publicações e outras penalidades, dependendo da gravidade da infraçãoReprodução/ PexelsCom informações de TSE(1,2) Mais do TechTudo 🎥Veja também: e-Título 2026: como Baixar, Ativar e Usar o Aplicativo nas Eleições 2026e-Título 2026: como Baixar, Ativar e Usar o Aplicativo nas Eleições 2026