O estrangeiro agora vai à China para fazer compras. O turismo virou desculpa

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StartupiO estrangeiro agora vai à China para fazer compras. O turismo virou desculpaQuem desembarca hoje em Xangai, Shenzhen ou Guangzhou percebe uma mudança que os números já confirmam. De janeiro a julho de 2026, os visitantes estrangeiros gastaram 263,6 bilhões de yuans dentro da China, cerca de US$ 39 bilhões, segundo o Ministério do Comércio chinês. São 27,8% a mais que no mesmo período do ano passado. O roteiro clássico de Muralha, Cidade Proibida e Bund ainda existe, mas virou o pano de fundo. O motivo real da viagem, cada vez mais, é a mala vazia que vai e volta cheia.O que mudouTrês decisões de Pequim explicam a virada.1. Entrar ficou fácil. A China ampliou a isenção de visto para dezenas de países, inclusive o Brasil, com até 30 dias sem visto, e criou o trânsito livre de 240 horas. De janeiro a agosto, foram 61,29 milhões de entradas e saídas de estrangeiros (+19,5%), e 23,72 milhões delas sem visto (+26,8%).2. Pagar ficou fácil. Até pouco tempo, o estrangeiro era um turista de segunda classe num país que não usa dinheiro vivo. Hoje Alipay e WeChat Pay aceitam cartão estrangeiro, e o visitante paga no QR code como qualquer chinês.3. O imposto volta na hora. Desde abril de 2025, a China devolve o imposto de quem compra para levar ao exterior ali mesmo no balcão da loja, sem esperar o aeroporto. O efeito foi imediato. O número de turistas pedindo restituição mais que triplicou em um ano, e o uso do reembolso instantâneo cresceu quase 13 vezes. Já são cerca de 14 mil lojas credenciadas, mais de 8 mil delas com devolução na hora. Desde setembro de 2026, o processo é todo digital, sem papel.O que o estrangeiro compraNão é souvenir. É tecnologia e produto que no Ocidente custa o dobro. Em Shenzhen, o mercado de eletrônicos de Huaqiangbei recebe em média 8 mil compradores estrangeiros por dia. Entre janeiro e julho, as vendas de produtos com inteligência artificial ali subiram 55%, as de óculos inteligentes dobraram, e as de drones e robôs cresceram de 60% a 70%. Também saem da China em malas estrangeiras celulares de marcas chinesas, eletrodomésticos, roupas, chás de Chengdu, salgadinhos de Changsha e mercadoria de atacado de Chongqing e Yiwu.E o turista brasileiro?O Brasil entrou nessa onda tarde, mas com força. Desde 1º de junho de 2025, brasileiro entra na China sem visto por até 30 dias, a turismo ou a negócios, e a regra foi prorrogada até 31 de dezembro de 2026. Foi a primeira vez que a China abriu a isenção para a América Latina, junto com Argentina, Chile, Peru e Uruguai.O efeito apareceu rápido. Só pelos aeroportos e portos de Xangai, entre junho de 2025 e maio de 2026, foram 81 mil entradas de cidadãos desses cinco países, 50,5% a mais que no ano anterior, e quase 70% delas já sem visto. A procura também disparou: as buscas de hospedagem de brasileiros na China cresceram 229% na Booking, as de voos para Hong Kong subiram 205% no Kayak, e a Decolar registrou alta de 85% na procura de passagens entre Brasil e China no segundo semestre de 2026. No sentido contrário, o Brasil recebeu 113 mil turistas chineses de janeiro a agosto de 2026, mais do que em todo o ano de 2025.O governo chinês ainda não divulga um número nacional só de brasileiros. Na prática, quem está lá vê o movimento: na Destino China, a delegação de outubro para a Feira de Cantão tem mais de 70 viajantes brasileiros.E o empresário brasileiroEu vejo esse movimento de perto há 16 anos, e nunca foi tão forte. Neste mês de outubro, a Destino China leva mais de 70 empresários brasileiros à Feira de Cantão, a maior feira de comércio do mundo. Quase todos chegam com a mesma pergunta: “o que eu posso comprar direto da fábrica, com a minha marca, por uma fração do preço que pago no Brasil?”É aqui que a “viagem de compras” do estrangeiro comum vira negócio. O turista enche a mala em Huaqiangbei. O empresário brasileiro senta com a fábrica que abastece Huaqiangbei.Três cuidados que eu repito a cada delegação:1. Preço de vitrine não é preço de fábrica. O mercado atacadista mostra a tendência, mas a margem está em negociar com quem produz.2. Mala não é importação. Para revender no Brasil, a compra precisa de nota, de licença quando for o caso, e de cálculo de imposto. O que sai baratíssimo na China pode chegar caro no Brasil se a conta for malfeita.3. Qualidade se confere antes de pagar. Amostra, inspeção na fábrica e contrato com especificação técnica são o que separa o bom negócio da dor de cabeça.O que vem pela frenteO governo chinês quer chegar a 190 milhões de visitantes internacionais por ano até 2030, com mais voos, mais isenção de visto e mais serviços digitais para estrangeiros. A China deixou de ser só o lugar de onde as coisas vêm e virou o lugar aonde as pessoas vão para buscá-las. Para o turista é uma vitrine, e para o empresário brasileiro que souber usar isso é uma vantagem competitiva concreta.O post O estrangeiro agora vai à China para fazer compras. O turismo virou desculpa aparece primeiro em Startupi e foi escrito por StartupiO post O estrangeiro agora vai à China para fazer compras. O turismo virou desculpa apareceu primeiro em Startupi.