O patrimônio líquido de Elon Musk voltou a superar a marca de US$ 1 trilhão nesta semana, e poucas pessoas acompanharam tão de perto os fatores por trás de seu sucesso quanto sua ex-subordinada, Linda Yaccarino.Veterana da indústria de mídia há 30 anos, Yaccarino foi escolhida como CEO do então Twitter em 2023, em meio à reconstrução da plataforma promovida por Musk. Durante esse período, teve uma visão privilegiada da filosofia que orienta empresas como Tesla e SpaceX: agir rápido, repensar tudo e não esperar pelo amanhã.“O motivo pelo qual as empresas dele são únicas no que entregam é esse senso insaciável de urgência. Não existe prazo para um projeto ou para lançar um produto. É agora”, disse Yaccarino à Fortune.Segundo ela, essa mentalidade muda completamente a forma de enfrentar desafios. Em vez de simplesmente trabalhar em direção a uma data de entrega, ela obriga as pessoas a reduzir um projeto aos seus elementos essenciais e descobrir o que realmente precisa acontecer para que funcione.“Muita gente fala em primeiros princípios, mas é exatamente isso que essa abordagem força você a fazer”, acrescentou.E ela percebeu isso quase imediatamente. Quando chegou ao Twitter, a empresa atravessava mais uma fase de turbulência, incluindo a aposentadoria do icônico logotipo do pássaro azul e, posteriormente, sua transformação em X, tudo isso com apenas uma fração da equipe existente antes da chegada de Musk. Ao mesmo tempo, cresciam preocupações com desinformação, discurso de ódio e bots, questões que continuaram acompanhando a plataforma mesmo após sua saída, em 2025.Para Yaccarino, porém, a instabilidade fazia parte do atrativo. Apesar dos desafios de comandar a rede social e trabalhar para Musk, ela acredita que os momentos mais difíceis da carreira podem acabar se revelando “um presente”.Antes de Musk, um erro burocrático marcou o início da carreiraA crença de Yaccarino em abraçar desafios surgiu muito antes de trabalhar com o homem mais rico do mundo.Criada em Long Island, Nova York, em uma família ítalo-americana, ela e suas duas irmãs cresceram com o que chama de “mentalidade de imigrantes”: trabalhar duro, confiar em si mesma e lembrar que a família importa independentemente do sucesso ou do fracasso profissional.Essa confiança foi testada cedo. Estudante de telecomunicações na Universidade Penn State, ela conseguiu um estágio na NBC durante o verão anterior ao último ano da graduação. Porém, ao chegar para o primeiro dia de trabalho, descobriu que a empresa não tinha qualquer registro dela.“Eles literalmente não tinham nenhuma informação sobre mim”, relembrou. “Foi devastador.”Ela voltou para casa sentindo que havia fracassado. Mas o contratempo rapidamente virou apenas um detalhe da história. A NBC pediu que retornasse no dia seguinte e a colocou no departamento comercial, dando início a uma carreira de três décadas na mídia.“Foi ali que começou minha paixão”, disse. “Passei a conviver com pessoas que lideravam a indústria, influenciavam a cultura popular e estavam por trás das manchetes. Como não se apaixonar por esse setor naquela época?”Após se formar em 1985, Yaccarino subiu gradualmente de posição nas áreas de vendas e publicidade da Turner e da NBCUniversal. Em 2020, tornou-se presidente global de publicidade e parcerias da NBC, supervisionando cerca de US$ 13 bilhões em receita anual de anúncios.Quando Musk a convidou para migrar para o setor de tecnologia, ela considerou difícil recusar. Segundo Yaccarino, Musk era “único em sua capacidade de transformar a comunicação humana e a mobilidade”, e participar dessa missão no Twitter/X parecia algo de enorme relevância.Conselho para a Geração Z: “procurem o desconforto”Depois de dois anos turbulentos à frente do X, Yaccarino deixou o cargo em julho de 2025 e começou a refletir sobre o próximo passo da carreira.Com várias oportunidades à disposição, procurou orientação de seu mentor, o bilionário Michael Milken, hoje presidente do Milken Institute.“Ele me disse: ‘Linda, você tem muitos caminhos possíveis, e todos são bons. Então você não vai errar. Mas não escolha apenas um caminho bom. Escolha outro caminho relevante. Você passou tanto tempo fazendo coisas capazes de mudar o mundo no X. Seja impactante novamente’”, contou.O conselho a levou ao comando da eMed, startup de saúde avaliada em US$ 2 bilhões e especializada em telemedicina e tratamentos com medicamentos da classe GLP-1, entre cujos investidores está o ex-jogador Tom Brady.Essa também é a mensagem que ela procura transmitir à Geração Z em um mercado de trabalho cada vez mais moldado pela inteligência artificial: não basta melhorar nas mesmas tarefas que todos executam. É preciso desenvolver habilidades que diferenciem cada profissional.“Celebrem as competências que estão na interseção entre arte e ciência, entre magia e matemática, e não apenas aquilo que as ferramentas digitais oferecem”, afirmou, destacando que capacidades humanas como empatia e tomada de decisão continuam sendo fundamentais.Acima de tudo, ela incentiva as pessoas a correrem em direção aos problemas.“Conforto é complacência. E isso não vai tornar ninguém relevante na carreira nem na vida”, disse Yaccarino. “Portanto, vá em direção ao desconforto.”© 2026 Fortune Media IP LimitedThe post Ex-CEO do X revela a lição número 1 de Musk: “Não existe prazo, é tudo para agora” appeared first on InfoMoney.