Moagem de cacau segue 18,5% abaixo de 2023, apesar de reação no trimestre

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A moagem de cacau no Brasil permaneceu abaixo dos níveis registrados antes da crise do setor, apesar da recuperação observada no terceiro trimestre de 2026. Entre janeiro e setembro, o processamento somou 155.169 toneladas, volume 18,5% inferior ao registrado no mesmo período de 2023 e 8,6% abaixo de 2024. Na comparação com os nove primeiros meses de 2025, houve crescimento de 7,7%.Os dados foram compilados pelo SindiDados – Campos Consultores e divulgados pela AIPC (Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau). O levantamento aponta uma recuperação recente da atividade industrial em um cenário de aumento da oferta nacional de amêndoas, mas indica que a moagem ainda não retornou aos patamares anteriores à crise.No terceiro trimestre, o processamento alcançou 53.743 toneladas, alta de 8,1% em relação ao segundo trimestre e de 16,4% na comparação com o mesmo período de 2025. Leia Mais Exportação de algodão do Brasil será recorde em 2026, diz Anea Algodão ganha espaço para recuperação com oferta ajustada, aponta Itaú BBA Produção de algodão deve atingir 4,2 milhões de toneladas em 2025/26 Recebimento de amêndoasEntre outubro de 2025 e setembro de 2026, o recebimento de amêndoas de cacau pelas indústrias brasileiras totalizou 226.497 toneladas, crescimento de 25,3% em relação à safra anterior.No terceiro trimestre de 2026, o volume recebido foi de 71.652 toneladas, aumento de 7,7% frente ao trimestre anterior e de 5% na comparação anual. Foi o maior volume registrado em um terceiro trimestre entre 2023 e 2026.O resultado acompanha a sazonalidade da produção brasileira, que concentra maior disponibilidade de cacau entre abril e setembro. Segundo a AIPC, a manutenção desse desempenho dependerá de fatores como condições climáticas, sanidade das lavouras, produtividade, assistência técnica e investimentos no campo.Para a presidente-executiva da AIPC, Anna Paula Losi, a continuidade dessa recuperação depende da evolução da demanda por derivados de cacau. Segundo ela, o avanço da oferta de matéria-prima precisa ser acompanhado pelo aumento do consumo para ampliar a atividade industrial, a geração de renda e os empregos na cadeia produtiva.A entidade destaca que o aumento da oferta, isoladamente, não garante a retomada da atividade industrial. A evolução da moagem será um dos indicadores a acompanhar nos próximos períodos para avaliar se a maior disponibilidade de matéria-prima se traduzirá em aumento sustentado do processamento.Exportações de derivadosAs exportações brasileiras de derivados de cacau somaram 17.311 toneladas entre julho e setembro, alta de 22,1% em relação ao segundo trimestre e de 54,3% na comparação com o terceiro trimestre de 2025.De janeiro a setembro, os embarques totalizaram 44.050 toneladas, crescimento de 10,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. Argentina e Estados Unidos foram os principais destinos no terceiro trimestre, com aproximadamente 32% do volume exportado cada um.De acordo com a AIPC, o aumento das exportações contribuiu para o avanço da moagem no período. A entidade, no entanto, ressalta que a continuidade dos embarques será importante para confirmar uma recuperação consistente da demanda por derivados.No mercado interno, as importações de derivados recuaram 16,1% no terceiro trimestre, para 9.373 toneladas. No acumulado de janeiro a setembro, somaram 32.709 toneladas, queda de 2% em relação a 2025.Importações de amêndoasO Brasil não registrou importações de amêndoas de cacau no segundo e no terceiro trimestres de 2026. Todo o volume importado nos nove primeiros meses do ano, de 18.068 toneladas, ingressou no país entre janeiro e março.O total representa uma redução de 57,1% em relação ao mesmo período de 2025. Segundo a AIPC, a queda está relacionada ao aumento da disponibilidade de matéria-prima nacional e ao nível de atividade da indústria.A associação ressalta, porém, que a redução das compras externas não significa que o país tenha alcançado autossuficiência estrutural na oferta de cacau. As importações continuam sendo utilizadas de forma complementar, conforme as condições de produção e demanda.