Quase metade das jogadoras de futebol está considerando abandonar o esporte precocemente, sendo as pressões financeiras e os problemas de saúde mental os principais motivos. É o que revela um relatório divulgado nesta segunda-feira pela Federação Internacional de Associações de Jogadores Profissionais (Fifpro).O relatório global Working Conditions in Women’s Football (Condições de Trabalho no Futebol Feminino), de 2026, é considerada a análise mais abrangente das condições de trabalho no futebol feminino em uma década. Cerca de 800 jogadoras de diferentes países foram entrevistas para este levantamento.Entre as jogadoras ouvidas, 49% disseram estar considerando abandonar o futebol antes do previsto. Dessas, 59% citaram a situação financeira como motivo e 46% apontaram o estresse psicológico.O levantamento mostrou ainda que 57% relataram dificuldades relacionadas à saúde mental. Entre elas, metade afirmou não ter recebido apoio psicológico dos clubes.A Fifpro é uma organização global que representa mais de 70 mil jogadores de futebol profissionais por meio de 68 a 70 associações nacionais de jogadores espalhadas por todo o mundo, além de contar com divisões continentais (África, Américas, Ásia/Oceania e Europa).Leia tambémEstudo aponta 17 ameaças “catastróficas” à saúde; duas podem extinguir a humanidadeComissão internacional destaca riscos que vão de mudanças climáticas e pandemias ao uso malicioso de inteligência artificial e a conflitos nuclearesEm maio de 2026, a Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol (Fenapaf), do Brasil, retornou oficialmente à estrutura global da Fifpro na condição de Observadora Especial.Segundo o documento, apesar do crescimento do futebol feminino e do aumento das receitas do setor, boa parte das atletas ainda enfrenta salários baixos, contratos precários e falta de assistência à saúde.— A indústria do futebol feminino percorreu um longo caminho — disse Alex Culvin, diretor de futebol feminino da Fifpro. — (Mas) para 95% (das jogadoras), o resto da indústria, ainda há um longo caminho a percorrer.Embora os salários médios mensais ajustados pela inflação nos clubes tenham triplicado desde o último estudo global da Fifpro em 2017, chegando a US$ 2.601 (cerca de R$ 13 mil), a mediana é substancialmente menor, em US$ 1.669 (R$ 8.4 mil), ilustrando o que o relatório descreve como um crescimento “desigual e fragmentado”.Em 10 países do leste europeu analisados, os salários médios permanecem abaixo do salário mínimo nacional. Mesmo na Europa Ocidental e na Ásia/Oceania, que incluem alguns dos maiores mercados do esporte, a remuneração média não é significativamente superior ao salário mínimo nacional, de acordo com a Fifpro.A duração média dos contratos aumentou de 12 meses em 2017 para 19 meses, e a proporção de jogadoras com agentes subiu acentuadamente de 14% para 41%.— Há um tema recorrente de precariedade e condições precárias — disse Culvin. — Não apenas em termos de tratamento e remuneração justa, mas também, de forma geral, nas expectativas depositadas nessas jogadoras, expectativas profissionais que não se concretizam em circunstâncias profissionais porque as condições que lhes são oferecidas são inadequadas.O relatório constatou que 56% das jogadoras têm contrato de trabalho, 13% recebem pensão do clube e 47% afirmaram que seus clubes não têm funcionários suficientes.A Fifpro está exigindo que padrões mínimos obrigatórios, abrangendo áreas como salário, instalações, equipe e assistência médica, sejam incluídos nos contratos de trabalho em âmbito nacional.Apenas oito das 30 ligas nacionais femininas analisadas possuem um acordo coletivo com as jogadoras por meio de seus sindicatos. A Fifpro defende que o apoio psicológico seja obrigatório.Uma área em que a Fifpro afirmou que a regulamentação produziu progressos claros foi a proteção à maternidade.Desde que a Fifa introduziu padrões mínimos globais de maternidade em 2021, a proporção de jogadoras que consideram deixar o futebol para constituir família caiu para 19%, em comparação com 47% em 2017.The post Quase metade das jogadoras de futebol está considerando se aposentar cedo appeared first on InfoMoney.