Nobel de Química premia descoberta que explica por que moléculas têm ‘lado único’

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O francês Henri Kagan e o japonês Kenso Soai receberam, nesta quarta-feira (7), o Nobel de Química por terem resolvido um dos mistérios da vida: o porquê de, na natureza, algumas moléculas aparecerem em uma única forma — uma descoberta fundamental para o desenvolvimento de medicamentos.“Suas descobertas desempenharam um papel determinante para os químicos que projetam reações destinadas à fabricação de produtos farmacêuticos”Comitê do Nobel em um comunicadoAssim como as mãos, algumas moléculas, chamadas quirais, podem ter versões “direita” ou “esquerda”, dependendo da forma como refletem a luz. Elas possuem propriedades físicas idênticas, mas biológicas muito diferentes.Quase todos os aminoácidos existem em duas variantes especulares, mas apenas uma delas é encontrada nas proteínas das células do organismo. A outra aparece raramente na natureza, um fenômeno conhecido como “homoquiralidade”, explicou a Real Academia Sueca de Ciências.Os cientistas questionam-se há muito tempo sobre como esse processo ocorre, e as descobertas dos dois ganhadores do Nobel permitiram “provocar reações químicas que levam à homoquiralidade”, apontou o júri.Solução para um mistério“Henri Kagan e Kenso Soai apresentaram uma solução para um mistério químico que remonta a mais de um século: como a homoquiralidade pode surgir espontaneamente. As reações químicas que eles desenvolveram são espetaculares”, afirmou Heiner Linke, presidente do Comitê Nobel de Química.Estudos relacionados a esse conceito já foram premiados com o Nobel em 2001.No entanto, o prêmio não foi concedido ao professor Kagan, considerado tanto na França quanto no restante do mundo o “pai” dessa técnica. Isso provocou, na época, protestos por parte do Ministério da Pesquisa da França.Henri Kagan, de 95 anos, é professor emérito na Universidade de Paris-Saclay.Kenso Soai, de 76 anos, leciona na Universidade de Ciências Naturais de Tóquio. Ele estava fazendo compras perto de casa quando recebeu a grande notícia.‘O dia mais incrível’“É o dia mais incrível da minha vida”, declarou o premiado, contatado por telefone pela Fundação Nobel.“Acredito que o nosso prêmio deveria levar as pessoas a reconhecer a importância da quiralidade das moléculas. Estou, portanto, muito contente nesse sentido”, acrescentou.Por enquanto, o comitê do Nobel não conseguiu entrar em contato com o professor Kagan.No ano passado, o Nobel de Química premiou novas estruturas moleculares capazes de reter gases.O Nobel consiste em um diploma, uma medalha de ouro e um cheque no valor de 12 milhões de coroas suecas, o que equivale a pouco mais de um milhão de dólares (4,96 milhões de reais, na cotação atual).O Nobel de Química é o terceiro prêmio, depois dos de Medicina e Física, que foram anunciados na segunda (5) e na terça-feira (6). Na quinta-feira (8), é a vez do prêmio de Literatura.O autor húngaro László Krasznahorkai foi o vencedor no ano passado, e vários especialistas consultados pela AFP esperam que, desta vez, o prêmio vá para uma escritora não europeia.Talvez a americana nascida em Antígua e Barbuda, Jamaica Kincaid, conhecida sobretudo pelo romance “Lucy”, a chinesa Can Xue, a argentina Samanta Schweblin ou a mexicana Cristina Rivera Garza.O grande dia será sexta-feira (9), quando será anunciado o Nobel da Paz.As chances de Donald Trump recebê-lo são praticamente nulas, mas o presidente americano voltará a ser assunto devido à campanha sem precedentes que realizou em favor de sua candidatura no ano passado.Mais uma vez, o comitê sabe que está sob os holofotes após a polêmica gerada pela vencedora do ano passado, a líder da oposição venezuelana María Corina Machado, que presenteou Trump com sua medalha.O prêmio de Economia encerrará a temporada do Nobel em 12 de outubro.