Grandes fundos internacionais voltaram a mirar o mercado brasileiro — mas não apenas pelo caminho convencional da Bolsa. O interesse recente passa por rotas alternativas, que vão de operações em seguradoras a fundos de capital de risco, em um movimento ainda discreto, mas que pode representar uma virada na forma como o capital externo enxerga o país.O sinal mais concreto veio de Bruno Serra, gestor da estratégia Janeiro, da Itaú Asset, que relatou um volume incomum de reuniões com investidores estrangeiros nas últimas semanas. “Nunca passei por nada parecido na carreira. Tem gente interessada em alocação comprada, gente querendo colocar dinheiro em fundo macro no Brasil, gente procurando startups, colocando dinheiro em fundos de venture capital”, disse.O cenário foi discutido no programa Aftermarket, do Stock Pickers, apresentado por Lucas Collazo e que contou com a participação de Andrew Reider, da WHG, e Christian Keleti, da Alpha Key, além de Serra como convidado especial.Veja mais: Gringo vê risco que o brasileiro ignora no ciclo de crédito, diz gestor da IP CapitalE também: BC sem saída? Gestores veem corte menor de juros após choque globalFora do radar tradicionalReider chamou atenção para um fluxo que passa longe dos noticiários: o dos chamados fundos multiestrutura — grandes gestoras internacionais que operam simultaneamente em diversas classes de ativos. Ele citou a Balyasny, que estaria montando uma mesa de operações para a América Latina em Dubai, além de outras casas, como Schonfeld e Millennium, que já teriam vinculado gestores locais às suas operações.“Eles captaram muito dinheiro, estão no limite da capacidade e precisam procurar fontes de retorno que não se correlacionem com o portfólio que já têm. Por isso, estão olhando para o Brasil”, explicou.Há ainda um movimento mais silencioso, mas potencialmente transformador: grupos globais que seguem o modelo da Apollo Global Management — e, por trás dele, o da Berkshire Hathaway, de Warren Buffett — de usar reservas de seguradoras para financiar investimentos de longo prazo. Segundo Reider, alguns desses grupos estariam sondando o mercado brasileiro de seguros e resseguros como porta de entrada no país.“Imagina essas empresas começando a vir aqui para emitir apólices e ter que casar o balanço delas aqui no Brasil”, disse o gestor.Vale lembrar que o fluxo estrangeiro tradicional para o Brasil costuma passar pelo iShares MSCI Brazil ETF, o EWZ, fundo negociado na Bolsa americana que replica o desempenho do mercado brasileiro. O que chama atenção agora é justamente o interesse por caminhos alternativos a esse veículo.Leia tambémEstudo da McKinsey em sucessões familiares mostra que maior problema não é o herdeiroLevantamento em mais de 200 empresas em 50 países conclui que nem sempre as disputas ocorrem na família, como mostra a série SuccessionEleição já entra nos cálculosSe o dinheiro estrangeiro é o tema do momento nos mercados, a política começa a disputar espaço na conversa — antes mesmo de o calendário eleitoral esquentar. O estopim foram os áudios envolvendo o senador Flávio Bolsonaro, que passou a aparecer em posição menos favorável em simulações de segundo turno, segundo pesquisas mencionadas no programa.Reider traçou um paralelo com a Colômbia, onde candidatos de direita ganharam força nas pesquisas às vésperas do pleito. “A Colômbia está mostrando que as coisas mudam muito rápido no finalzinho. E aqui no Brasil a gente já começou com essas surpresinhas”, afirmou.Para Keleti, é justamente essa variável eleitoral que começa a tornar a Bolsa atraente. “Tem talvez 30%, 50% para ganhar num cenário bom que contemple a eleição, e uns 10% para perder. Essa assimetria começa a chamar atenção”, avaliou.Mesmo assim, o gestor foi cauteloso: com a taxa básica de juros a 14% ao ano por um período prolongado e a possibilidade de um quarto mandato do presidente Lula, o capital de grande porte ainda teria resistência a retornar à Bolsa em volume expressivo.Ele fez uma pergunta ignorada por todos — e lucrou com o colapso da GafisaMultimodelos: a estratégia da XP para oferecer atendimento sob medida ao clienteThe post Capital estrangeiro volta a mirar o Brasil — e não é só pela Bolsa appeared first on InfoMoney.