Mercado vê eleição presidencial ainda coadjuvante diante do cenário externo

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O cenário eleitoral tem mexido com os ânimos dos investidores e a volatilidade pôde ser sentida nos preços dos ativos nos últimos tempos.Em 5 de dezembro de 2025, quando ainda era feito o primeiro rascunho do desenho eleitoral, a bolsa paulista fechou em queda de mais de 4% com o mercado reagindo negativamente à notícia de que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) havia escolhido o filho Flávio (PL-RJ) como candidato à Presidência em 2026, para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).O mercado se estabilizou, mas, uma vez tendo o senador como principal candidatura de oposição, os investidores passaram a acompanhar seus movimentos. De modo que as conversas ligando Flávio Bolsonaro ao ex-dono do liquidado Banco Master Daniel Vorcaro trouxeram oscilações negativas de preços.No dia 13 de maio último, o Ibovespa fechou em queda superior a 2%, após reportagem do Intercept mostrando que o pré-candidato do PL à Presidência teria negociado pagamentos com Vorcaro para um filme sobre o ex-presidente. Leia Mais Análise: Zara se torna marca de moda mais valiosa do mundo Moody’s e fiscal: A política atrapalha o tão necessário ajuste na economia Não está no 1º lote da restituição do Imposto de Renda 2026? Veja motivos Apesar dessas quedas significativas, analistas ouvidos pelo CNN Money afirmaram que o cenário político ainda é coadjuvante diante do contexto geopolítico.Até o período de definição dos candidatos à Presidência, o foco dos investidores está mais voltado ao cenário externo.Mas com a proximidade da disputa eleitoral é possível observar impactos mais claros, como aumento da volatilidade do câmbio e da bolsa refletindo as expectativas em torno dos candidatos e de seus programas econômicos.Bruno Perri, economista-chefe da Dom Investimentos, analisa que, em dias com poucas novidades sobre o conflito entre Estados Unidos e Irã, e com notícias relevantes sobre o pleito de outubro, nota-se influência importante do fator eleição sobre o movimento do mercado.Desse modo, para o especialista, as eleições ainda são coadjuvantes em relação ao Oriente Médio.Já o economista e especialista em investimentos Danilo Coelho pontua que é possível começar a sentir o reflexo das eleições no mercado com a saída do capital estrangeiro da bolsa.Investidores estrangeiros retiraram mais de R$ 9,64 bilhões da B3 desde o início do mês de maio. Este é o maior recuo mensal parcial desde abril de 2024, quando o mês total registrou saída de R$ 11,36 bilhões, de acordo com dados compilados pela consultoria Elos Ayta.“O investidor estrangeiro tem tirado dinheiro da bolsa todos os dias desde a metade do mês passado. Isso tem feito o Ibovespa recuar para a casa dos 173 mil pontos e em alguns dias negociando até abaixo desse patamar. Estamos vendo um fluxo vendedor forte no mercado brasileiro”, analisa Coelho.O que esperar para os próximos mesesO cenário deve ser de volatilidade na bolsa e no câmbio, com sensibilidade ao noticiário político, segundo especialistas.De acordo com os especialistas, o contexto desta eleição é especialmente desafiador: juros elevados, maior aversão ao risco global e um ambiente internacional mais instável deixam o mercado mais sensível a qualquer sinal de tensão.No cenário doméstico, a questão fiscal também ganha protagonismo e deverá ser um dos principais pontos de atenção, independentemente de quem vença a disputa.“O período eleitoral tende a adicionar mais tensão a um mercado que já opera sob pressão, ampliando a volatilidade nos próximos meses”, afirma Raissa Florence, economista da Oz Câmbio.Não vemos perdas da B3 em maio como estruturais, diz analista | ABERTURA DE MERCADOPara Florence, essa eleição traz um componente novo: o avanço da inteligência artificial no fluxo de informações e na dinâmica das campanhas, acelerando a circulação de notícias e tornando o ambiente mais complexo e sensível a mudanças de percepção.Para ela, nesse cenário, devemos observar oscilações importantes no câmbio, ainda bastante influenciadas pelo ambiente externo, e possíveis impactos na bolsa.“O Ibovespa vem sendo sustentado, em parte, pela entrada de capital estrangeiro, e o risco eleitoral em países emergentes costuma pesar nas decisões de alocação dos investidores internacionais.”Como se proteger da volatilidadeA volatilidade deve permanecer elevada nos próximos meses, principalmente durante o período eleitoral.Segundo os especialista, acompanhar o noticiário e os movimentos do mercado de perto será fundamental. Ao mesmo tempo, estratégias voltadas à preservação patrimonial ganham relevância nesses momentos.Para Perri, da Dom Investimentos, é importante que o investidor equilibre a carteira com ativos de menor risco, como a renda fixa. O economista afirma também que ativos de proteção, como ouro e dólar, são bem-vindos porque oferecem, historicamente, correção inversa aos ativos de maior risco.Já Danilo Coelho sugere investir no exterior como uma alternativa para driblar a oscilação na carteira e fugir da volatilidade brasileira.“O investidor pode começar a olhar cada vez com mais carinho para uma alocação em bolsa americana, europeia ou algo em que o patrimônio dele fica fora das mazelas do nosso período eleitoral”, recomenda.A economista da Oz Câmbio complementa que uma das opções são os investimentos de longo prazo e de menor risco, como os Treasuries nos Estados Unidos e os títulos públicos no Brasil.Além disso, ela relembra que é importante buscar por alternativas de crédito mais eficientes diante do cenário de juros elevados.Candidato ideal para o mercadoEspecialistas ouvidos pelo CNN Money afirmaram que falar em um “candidato preferido do mercado” neste momento ainda é precipitado.Para Florence, da Oz Câmbio, o foco dos investidores está menos em nomes específicos e mais na capacidade de os candidatos apresentarem compromisso com responsabilidade fiscal, previsibilidade econômica e governança das contas públicas.“O mercado tende a reagir de forma mais positiva a candidaturas que transmitam maior segurança institucional, reduzam percepções de risco e demonstrem disposição para enfrentar temas como equilíbrio fiscal, eficiência do gasto público e ambiente de negócios.”De acordo com Roberto Dumas, estrategista-chefe da GCB e professor do Insper, o mercado ainda não tem um candidato visto como ideal. Para ele, o importante é o que o futuro presidente vai propor em relação às contas públicas.“Nós estamos esperando um candidato, seja Bolsonaro ou qualquer outro, que enderece o problema da dívida pública, porque ela está em uma trajetória explosiva. Com a gastança do Lula, já começamos a pensar que o Banco Central vai postergar qualquer corte de juros”, afirmou.Veja os 5 sinais de que as contas públicas do Brasil estão em risco