Inteligência Artificial ainda engatinha nas empresas, diz gestor da IP Capital

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A euforia em torno da inteligência artificial tem gerado mais ruído do que resultados concretos no mundo corporativo — ao menos por enquanto. É o que avalia Gabriel Raoni, sócio e cogestor da IP Capital Partners, gestora independente de recursos. Para ele, a adoção empresarial da tecnologia “mal começou”, tanto no Brasil quanto lá fora, e o mercado financeiro tem cometido o erro de extrapolar tendências de curto prazo como se fossem irreversíveis.“Se o CEO da Microsoft (MSFT34), uma das cinco maiores empresas do mundo, pegou uma tendência de curto prazo e extrapolou em relação à inteligência artificial, imagine nós mortais”, disse Raoni. Em 2023, Satya Nadella, CEO da Microsoft, previu que as margens do Google (GOGL34) no negócio de buscas jamais voltariam a crescer com o advento da inteligência artificial. “Aconteceu o oposto. A margem subiu de lá para cá”, afirmou o gestor da IP.O alerta foi dado durante entrevista ao programa Stock Pickers, apresentado por Lucas Collazo. Para Raoni, o tema exige “humildade intelectual gigante” e muita disposição para rever opiniões — postura que, segundo ele, a IP Capital tenta adotar ao acompanhar o assunto de perto.Veja mais: BC sem saída? Gestores veem corte menor de juros após choque globalE também: Polo chama Hapvida (HAPV3) de “avião que caiu” e monitora sinais para sair da apostaRevolução barulhentaRaoni traçou um paralelo entre a inteligência artificial e as grandes ondas tecnológicas anteriores — internet, celulares e computação em nuvem — para mostrar que o momento atual é diferente. “Aquelas foram revoluções do lado da comunicação, de como a informação é distribuída. Agora estamos em uma revolução de poder computacional. Geracionalmente, a gente não viveu isso antes”, explicou.Uma distinção importante, segundo ele, é a ordem de adoção. Tecnologias como GPS e computadores chegaram primeiro às empresas e governos, e só depois ao público em geral. A inteligência artificial fez o caminho inverso: começou massificada, com o ChatGPT em 2022, e agora começa a ser absorvida pelo mundo corporativo. “O mundo corporativo e o mundo governamental mal começaram a festa”, disse.Esse processo, na avaliação do gestor, tornou a revolução atual muito mais “barulhenta” do que as anteriores — e isso se reflete em volatilidade nos mercados internacionais.“O mercado tem sido rápido demais em definir quem são os perdedores e quem são os vencedores. Há 18 meses os investidores odiavam o Google. Hoje é uma empresa extremamente querida”— Gabriel Raoni, sócio e cogestor da IP Capital Partners.Leia tambémRenda fixa americana pagando mais: é hora de trocar o Tesouro Direto pelos EUA?Com juros dos Estados Unidos perto das máximas desde 2007, analistas alertam contra “ilusão de ótica” e explicam como equilibrar a segurança da moeda forte com a rentabilidade dos títulos brasileirosInvestimentos triplicam, e demanda respondeNo mundo das grandes empresas de tecnologia, os números impressionam. Entre 2023 e 2025, os investimentos combinados de Microsoft, Alphabet — dona do Google —, Amazon (AMZO34), Meta (M1TA34) e Oracle triplicaram, saindo de cerca de US$ 130 bilhões para aproximadamente US$ 413 bilhões. E em 2026 o ritmo acelerou ainda mais: a previsão média de crescimento dos investimentos é de 75%.“Todo mundo foi surpreendido. Eu tinha no meu modelo um investimento combinado da Amazon em US$ 140 bilhões. Ela está investindo US$ 200 bilhões este ano”, revelou Raoni. O total do setor deve chegar perto de US$ 750 bilhões em 2026, com projeções de ultrapassar US$ 1 trilhão no ano seguinte.A demanda correspondeu. O consumo de “tokens” — unidade básica de processamento dos modelos de linguagem, e boa métrica para medir o uso real da tecnologia — explodiu. “A Amazon menciona que no primeiro trimestre teve mais consumo de tokens do que em todos os anos anteriores somados, de 2022 até 2025”, afirmou.Quando ninguém queria, eles compraram — e acertaram em cheioEle fez uma pergunta ignorada por todos — e lucrou com o colapso da GafisaThe post Inteligência Artificial ainda engatinha nas empresas, diz gestor da IP Capital appeared first on InfoMoney.