Trump manda procuradores ‘recuarem’ em investigação contra líder da Venezuela

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O governo do presidente Donald Trump teria orientado procuradores federais em Miami a suspender ou evitar novas investigações criminais envolvendo a líder interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, segundo informações de autoridades atuais e ex-integrantes da aplicação da lei federal norte-americana.A decisão marca uma mudança relevante na postura dos Estados Unidos em relação a Caracas e ocorre em meio a sinais de aproximação diplomática entre Washington e o novo governo venezuelano, após a saída de Nicolás Maduro do poder.Ordem interna para “recuar”De acordo com fontes ouvidas pela Associated Press, a orientação foi transmitida de forma discreta a promotores federais que atuam no sul da Flórida, uma das principais jurisdições dos EUA para casos ligados a cartéis, lavagem de dinheiro e corrupção internacional.Segundo essas fontes, a instrução era para que não fossem abertos novos avanços investigativos contra Rodríguez – figura que, por anos, esteve no radar da Drug Enforcement Administration (DEA), a agência antidrogas dos EUA.Um funcionário do Departamento de Justiça, no entanto, afirmou em resposta oficial que “nunca houve uma investigação para ser encerrada”, contestando a existência de um inquérito formal ativo.Nome monitorado há anos pela DEAApesar da negativa do Departamento de Justiça, registros da DEA obtidos anteriormente pela imprensa indicam que Delcy Rodríguez aparece em dossiês de investigação desde pelo menos 2018.Segundo esses documentos, ela teria sido citada em diferentes apurações envolvendo redes de corrupção, tráfico internacional e lavagem de dinheiro ligadas a autoridades venezuelanas.Em 2022, ela chegou a ser classificada como um “alvo prioritário” dentro de investigações de impacto significativo, embora nunca tenha sido formalmente acusada ou indiciada nos Estados Unidos.Outros altos integrantes do antigo governo venezuelano, incluindo aliados diretos de Nicolás Maduro, já foram denunciados ou processados em cortes federais norte-americanas em casos semelhantes.A orientação para reduzir o foco investigativo ocorre em paralelo a uma mudança mais ampla na política externa dos Estados Unidos em relação à Venezuela.Fontes ligadas ao governo afirmam que a administração Trump busca estabilizar o país após a queda de Maduro e abrir caminho para maior cooperação econômica, especialmente no setor de petróleo – um dos mais ricos do mundo.Nesse novo cenário, Delcy Rodríguez passou a ser vista como peça central na interlocução com Washington.Relatos indicam que a estratégia atual prioriza estabilidade política e reabertura econômica, em vez de uma abordagem centrada em sanções e processos criminais.Não está claro, segundo as fontes, se os procuradores em Miami chegaram a reunir elementos suficientes para uma acusação formal contra Rodríguez ou se o caso estava próximo de uma denúncia. Também não há confirmação de que o Departamento de Justiça tenha arquivado um processo existente.O uso de investigações contra líderes estrangeiros envolve protocolos específicos, incluindo autorização direta do procurador-geral dos EUA, especialmente quando se trata de chefes de Estado ou autoridades equivalentes.A decisão de conter investigações contra uma figura estrangeira citada há anos em apurações da DEA já gera debate entre juristas e especialistas em direito internacional.Críticos afirmam que decisões desse tipo podem abrir precedentes perigosos ao subordinar investigações criminais a interesses diplomáticos. Um ex-procurador federal ouvido pela imprensa afirmou que o sistema de justiça norte-americano não deveria ser usado como “instrumento de negociação política”, ressaltando que decisões do Departamento de Justiça devem se basear em evidências e não em conveniências geopolíticas.Venezuela e reconfiguração do poderDelcy Rodríguez, que era vice-presidente durante o governo Maduro, assumiu papel central na nova estrutura política venezuelana após a mudança de regime. Desde então, o governo de transição tem buscado reaproximação com os Estados Unidos e sinalizado abertura para investimentos estrangeiros, especialmente em energia e infraestrutura.A movimentação é vista por analistas como uma tentativa de reinserir a Venezuela no mercado internacional após anos de sanções e isolamento econômico.Silêncio das partesAté o momento, nem Delcy Rodríguez nem representantes oficiais do governo venezuelano comentaram publicamente o caso.A assessoria da líder também não respondeu aos pedidos de entrevista.