O IPCA-15 de maio registrou alta de 0,62%, acendendo o debate sobre os rumos da política monetária no Brasil.Para Solange Srour, colunista do CNN Money, a inflação atual tem pouco a ver com os efeitos da guerra e muito mais com a resiliência da própria economia brasileira.Srour destacou que, embora exista um choque de oferta relevante derivado da alta de commodities, ele ainda não chegou a impactar plenamente o Brasil.“A gente tem uma política de subsídios para a gasolina, para o diesel, a questão toda de fertilizantes ainda não impactou alimentos no Brasil”, afirmou.Segundo ela, enquanto nos Estados Unidos a gasolina já subiu mais de 50%, no Brasil esse movimento ainda não se materializou da mesma forma.Núcleos de inflação preocupamA colunista ressaltou que os núcleos de inflação estão em níveis preocupantes, especialmente a inflação de serviços.“Em todas as métricas que você olha, qualquer abertura, é uma inflação extremamente alta, porque você tem, de fato, uma economia aquecida”, disse Srour.Ela apontou que a diferença entre o que os economistas previam no início do ano e as projeções atuais “tem muito pouco da guerra e tem muito da resiliência da inflação”, impulsionada por uma política fiscal expansionista que a política monetária pode não estar conseguindo contrabalançar adequadamente. Leia Mais Análise: Mineradoras júniores são as startups do setor? Contrabando e pirataria geraram prejuízo recorde de R$ 514 bi em 2025 Proposta atual para fim da 6x1 se afasta do padrão internacional, diz CLP Srour também alertou para o impacto das expectativas de inflação de longo prazo, que não são apenas reflexo da demanda aquecida, mas também da percepção de que a dívida pública pode não seguir uma trajetória sustentável.“A inflação longa está impactada pela expectativa de que talvez a gente vai precisar inflacionar essa economia de verdade para conseguir escapar de uma dívida que sobe muito”, explicou.Risco de sinalização equivocada do Banco CentralUm dos pontos centrais da análise de Srour foi o risco de o BC (Banco Central) não demonstrar comprometimento com o centro da meta de inflação, atualmente fixada em 3%.Ela observou que a projeção do próprio BC “não é perto de 3%”, e que, se a instituição continuar sinalizando conforto com cortes adicionais de juros nesse cenário, o mercado pode interpretar que a meta efetiva não é mais de 3% ou que o horizonte de convergência foi ampliado.“Isso vai pressionar mais ainda a expectativa de inflação”, alertou.Para a próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), Srour avaliou que a decisão deverá ser de corte de 0,25 ponto percentual, mas destacou que a comunicação do Banco Central será ainda mais determinante do que a própria decisão.Mesmo diante de um eventual fim do conflito e recuo nos preços de commodities, ela concluiu que “não tem muito espaço para o Banco Central ir além dos próximos 25”, dado o nível de estímulo fiscal, o desemprego nas mínimas históricas e o crescimento da renda no país.Veja os 5 sinais de que as contas públicas do Brasil estão em risco Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.