A apenas 17 quilômetros das tropas russas, o analista sênior de Internacional, Américo Martins, relatou os bastidores tensos e perigosos da cobertura da guerra na Ucrânia. Em entrevista, ele descreveu em detalhes a rotina de uma região próxima à linha de frente, onde moradores convivem diariamente com o conflito e onde cada detalhe pode significar a diferença entre a vida e a morte.Durante uma gravação na região, Américo foi surpreendido por uma sirene de alerta de ataque. “Agora a gente ouve uma sirene de ameaça de ataque, portanto eu vou acelerar a minha entrada aqui, porque temos risco de ataque com drone“, disse ele no momento em que registrava sua reportagem no local.Américo explicou que, naquela área próxima a Kharkiv, as principais estradas foram cobertas com telas sustentadas por postes de madeira, estendendo-se por quilômetros. A medida foi adotada para proteger o tráfego de veículos — incluindo o transporte de armas, equipamentos e soldados — dos chamados pequenos drones, que infestam a linha de frente. Leia Mais Ataques de drones da Rússia danificam embarcações estrangeiras na Ucrânia Ataque de drones da Rússia deixa pelo menos um morto na Ucrânia Cidade-fantasma: Ucranianos fogem e deixam prédios devastados para trás “Toda hora tem drones de vigilância e drones que são drones normais, de prateleira, que você compra numa loja. E muitos deles têm explosivos, que detonam quando eles encontram inimigos”, descreveu.Para se orientar sobre a posição exata das forças russas, o jornalista utilizou um aplicativo chamado DeepState, que exibe em tempo real os avanços do conflito, os pontos de bombardeio e a distância entre o usuário e as linhas inimigas.Ele ressaltou que, nas proximidades da linha de frente, os moradores costumam desligar a internet para dificultar uma possível localização pelos russos.O papel essencial do fixer localFundamental para a segurança da equipe foi a presença do fixer Dima, um local com profundo conhecimento do terreno e dos protocolos de segurança. Quando os disparos começaram a ser ouvidos — indicando que os soldados ucranianos estavam tentando abater drones nas imediações —, foi Dima quem tomou a decisão imediata de evacuar o local.“O Dima quase me pegou pelo colarinho, vamos embora, porque eu não estou gostando nada disso. Eu já vi isso, eu já vi ataque com drone e vamos cair fora daqui”, relatou Américo.O jornalista destacou que o conhecimento local é insubstituível em zonas de conflito. “A sirene é um aviso, mas você tem que ler todas as pequenas coisas e de preferência com alguém para poder interpretar o risco real”, afirmou.Além do fixer, Américo manteve contato constante com a equipe de segurança da CNN, que o orientou sobre as condições do local naquele dia, recomendando que ele não permanecesse além do tempo estritamente necessário.Medo, cálculo e responsabilidade jornalísticaQuestionado sobre o medo de cobrir zonas de guerra — tendo estado três vezes na Ucrânia e duas vezes em Israel —, Américo foi direto: “Claro, a gente sente medo. Você está indo para o desconhecido.”Ele revelou que, em uma das viagens anteriores à linha de frente, chegou a pensar na possibilidade de não voltar. “Pensei nas minhas filhas, pensei na minha família, pensei na minha mulher. Na possibilidade de que, meu Deus, talvez não volte”, confessou.No entanto, o jornalista frisou que o medo não pode ser paralisante. “Porque se for, você não consegue fazer o seu trabalho, porque o seu trabalho é contar a história do que está acontecendo ali, contar a história das pessoas”, disse.Ele também mencionou os protocolos adotados, como o uso de colete à prova de balas, e lembrou que mais de 130 jornalistas morreram na Ucrânia desde o início do conflito. “As coisas infelizmente dão errado, às vezes”, reconheceu, reforçando que o risco, embora calculado, nunca é zero. Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.