As principais redes sociais do mundo falham sistematicamente em aplicar suas próprias regras contra discurso de ódio na União Europeia. Um relatório divulgado nesta quinta-feira (28) pelo Appeals Centre Europe (ACE) revelou que plataformas como Facebook, TikTok, Instagram e YouTube mantêm no ar conteúdos abusivos e ilegais que violam frontalmente os seus termos de serviço.O órgão independente, criado sob a Lei de Serviços Digitais da União Europeia para mediar disputas de usuários, registrou mais de 24 mil reclamações no período de um ano, até março de 2026. Isso representa a média de uma queixa a cada 22 minutos enviada por cidadãos e organizações do bloco europeu. O volume total de contestações superou a marca de 30 mil casos. E a maioria envolvia denúncias de discurso de ódio.TikTok lidera rejeições em análise que reverteu 70% das omissões das redes sociaisA entidade revisou 1,4 mil casos nos quais plataformas digitais decidiram manter no ar publicações denunciadas. Desse montante, o ACE derrubou a decisão das redes sociais em 70% das vezes, determinando a remoção imediata do material considerado abusivo. O TikTok apresentou o pior desempenho regulatório entre as plataformas avaliadas. O órgão revisor reverteu as omissões da plataforma em 83% dos casos, seguido pelo Instagram com 74%, Facebook com 61% e YouTube com 58%.Órgão independente revisou 1,4 mil casos nos quais as plataformas digitais decidiram manter no ar publicações denunciadas – (Imagem: Garun.Prdt/Shutterstock)Entre as violações graves mantidas incorretamente no ar, o relatório cita ofensas racistas que comparavam jogadores de futebol negros a macacos no Instagram, publicadas logo após uma partida da UEFA Champions League. O documento também expõe vídeos antissemitas no YouTube compartilhados por figuras públicas de destaque na Polônia, além de ataques recorrentes direcionados a minorias religiosas, à comunidade LGBTQI+, a migrantes e ao povo cigano. No TikTok, a falha envolveu inclusive um vídeo gerado por inteligência artificial (IA) sobre a guerra entre Rússia e Ucrânia que permaneceu ativo mesmo violando regras claras contra a desinformação.O levantamento geográfico do órgão aponta que os cidadãos europeus estão contestando com maior intensidade a moderação das big techs. A França liderou o ranking com o maior número de disputas elegíveis, seguida por Bélgica e Itália. Embora o foco principal seja o discurso de ódio, o tribunal de apelação também lida com erros inversos de moderação automatizada. Um exemplo foi o caso de um fotógrafo tcheco que teve suas imagens removidas injustamente pelo Facebook sob a alegação incorreta de nudez adulta e atividade sexual.As principais redes sociais do mundo falham sistematicamente em aplicar suas próprias regras contra discurso de ódio na União Europeia, aponta relatório – Imagem: 13_Phunkod/Shutterstock“Nossas decisões estão começando a revelar padrões de problemas proeminentes e recorrentes na forma como as plataformas de mídia social moderam o conteúdo”, apontou o texto oficial do relatório da instituição. O impacto social da negligência técnica das empresas foi criticado pelo CEO do ACE, Thomas Hughes. “O ódio e o assédio online têm consequências no mundo real para muitas pessoas e comunidades. Em mais de dois terços das nossas decisões sobre discurso de ódio, descobrimos que as plataformas falharam em aplicar suas próprias políticas e deixaram no ar conteúdo odioso. Isso mostra que as plataformas nem sempre acertam”, declarou o executivo.(Esta matéria usou informações de Euronews.)O post Redes sociais falham em remover discurso de ódio na União Europeia, diz relatório apareceu primeiro em Olhar Digital.