Quem é Paloma Valencia, candidata da direita na Colômbia

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Paloma Valencia chega ao final da campanha com um impulso enfraquecido, a proposta de somar diferentes setores e a esperança de ser a candidata que disputará a presidência com o governo de Petro.Valencia confirmou nesta campanha que é a aluna destacada do ex-presidente Álvaro Uribe e busca demonstrar que pode levar seu grupo político novamente à Presidência.A senadora, candidata presidencial após vencer a consulta da direita na Colômbia como aspirante do partido Centro Democrático, há anos defende o nome e o projeto do ex-presidente e há muito tempo tenta ser o rosto visível desse movimento.Ela obteve uma votação expressiva de mais de três milhões de votos, superando a obtida por Iván Cepeda, o candidato do petrismo, em sua consulta em 2025. Conta com o apoio do segundo partido mais votado no Congresso e também com o apoio de seus oito colegas na Grande Consulta pela Colômbia.Herdeira de duas famílias políticas, crítica ferrenha de Gustavo Petro, polêmica e, ao mesmo tempo, considerada moderada dentro do uribismo, quem é Paloma Valencia e quais serão suas chances nas eleições deste domingo? Leia Mais Análise: Futuro da esquerda latino-americana se define na Colômbia Colômbia vota neste domingo novo Congresso e pré-candidatos à presidência Colômbia e Venezuela concordam em trocar inteligência para combater crimes Valencia, que está em seu terceiro mandato como senadora, estudou Direito e Filosofia e fez uma especialização em Economia e um mestrado em Escrita Criativa.Nasceu em 1979 em Popayán, Cauca, no oeste da Colômbia. É neta de Guillermo León Valencia, presidente conservador entre 1962 e 1966, e de Mario Laserna, fundador da Universidade dos Andes.Antes de ser senadora, foi colunista e analista em meios de comunicação.Em 2006 teve sua primeira tentativa eleitoral: candidatou-se pelo partido Alas Equipo Colombia à Câmara de Representantes, sem sucesso. Chegou ao Senado em 2014 na lista fechada do recém-criado partido Centro Democrático de Uribe. Em 2018 foi pré-candidata presidencial, mas acabou apoiando Iván Duque, que chegou à Casa de Nariño.No Congresso, Valencia conseguiu transformar em lei três de seus projetos: a promoção do consumo e comercialização da panela (açúcar de cana não refinado), o fim do monopólio dos departamentos para produzir bebidas alcoólicas e uma lei de incentivos para pequenos negócios. É membro da Comissão Primeira do Senado, responsável por reformas constitucionais, leis estatutárias e organização territorial.A então pré-candidata à presidência pelo partido político Centro Democrático, Paloma Valencia, participa do evento de inscrição da ‘Gran Consulta X Colômbia’, um referendo interpartidário de direita para definir o candidato à presidência, em Bogotá, Colômbia, em 8 de fevereiro de 2026. • NurPhoto via Getty ImagesConsiderada uma senadora disciplinada, desde 2022 é uma das figuras visíveis da oposição ao governo de Gustavo Petro.A própria Valencia se descreve como a opositora de maiores conquistas: conseguiu colocar em suspensão o Ministério da Igualdade criado por Petro, impediu a nomeação de embaixadores sem requisitos e se opôs no Senado à consulta popular; além disso, busca derrubar a reforma previdenciária do governo.A senadora tem tido frequentes confrontos com membros do petrismo, como os legisladores Iván Cepeda (hoje candidato presidencial e seu principal rival) e María José Pizarro, e ao longo dos anos se envolveu em polêmicas por suas declarações.Em 2015, sugeriu, em uma entrevista, que o departamento de Cauca poderia ser dividido entre indígenas e mestiços. O Cauca é o departamento com a maior porcentagem de população indígena do país, cerca de 20%.Uma candidatura que surgiu após um processo conturbadoValencia é agora candidata de um amplo espectro político de centro-direita e é a primeira mulher a ser candidata presidencial do Centro Democrático. Ela chega após um processo interno e externo anterior à consulta, marcado pelo assassinato do pré-candidato Miguel Uribe Turbay.Em sua campanha, Valencia colocou a economia e a segurança como eixos centrais.Ela foi escolhida primeiro como aspirante do Centro Democrático em 2025 por meio de duas pesquisas contratadas pelo partido, nas quais superou também as senadoras María Fernanda Cabal e Paola Holguín.Embora ambas tenham reconhecido o resultado, Cabal pediu a divulgação dos dados e a auditoria das medições para esclarecer dúvidas sobre a transparência, uma reivindicação que revive críticas recorrentes sobre os mecanismos do partido e o peso real da decisão do ex-presidente Álvaro Uribe: as pesquisas inicialmente seriam realizadas em novembro, mas houve mudança de empresa responsável e, no meio do processo, ocorreu a saída de Miguel Uribe Londoño, pai do falecido pré-candidato.A escolha interna de Valencia também confirma que o partido de Uribe aposta novamente em uma pessoa moderada (como fez com Iván Duque em 2018), capaz de atrair apoios de eleitores de centro.A candidata à presidência da Colômbia, Paloma Valencia, participa da inscrição de sua candidatura e de seu vice, Juan Daniel Oviedo, em 13 de março de 2026, em Bogotá, Colômbia. • Andres Lozano/Long Visual Press/Universal Images Group via Getty ImagesEmbora seja considerada na Colômbia uma uribista “puro-sangue”, em sua atuação legislativa e midiática Valencia é conhecida por participar de debates com opositores e propor espaços de diálogo com políticos fora de seu partido, sendo vista como menos radical em suas posições do que colegas como María Fernanda Cabal.Agora em 2026, após vencer a consulta, o desafio à frente ainda é grande, mas Valencia teve uma alta em março nas pesquisas e o resultado da consulta lhe deu um impulso que, na reta final, se estabilizou: ela parece ter sido ultrapassada pelo advogado Abelardo de la Espriella, o outsider de posições extremas que liderou nos últimos meses no espectro da direita e que se lançou por meio de assinaturas.Ainda assim, Valencia, com um grande volume de votos que pode crescer e com a estrutura do Centro Democrático por trás, poderia frustrar a aspiração de De la Espriella.Ao agradecer sua vitória na consulta após a jornada eleitoral, Valencia reiterou sua gratidão a Álvaro Uribe. Mas agora conta com um apoio maior e tem a possibilidade (e também o desafio) de capitalizar os votos de centro conquistados por Juan Daniel Oviedo, a surpresa da consulta.Ela é, sem dúvida, uma aluna fiel do ex-presidente, e desta vez poderia ampliar o alcance do uribismo e derrotar a continuidade do projeto de Petro.Primeiro, deve superar De la Espriella e avançar para o segundo turno. Os eleitores decidirão se Paloma Valencia decola rumo à segunda etapa ou se observa o chamado Tigre da arquibancada.