O Irã acusou neste sábado (23) os Estados Unidos de sabotarem as negociações para o fim da guerra com “exigências excessivas”, em meio a especulações sobre uma retomada das hostilidades.Uma mudança na agenda do presidente americano, Donald Trump, que anunciou que não compareceria ao casamento do filho devido a “assuntos de Estado”, alimentou ainda mais esses temores.Em Teerã, o principal negociador do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, alertou para uma resposta “devastadora” caso o presidente dos EUA, Donald Trump, “cometa outro ato de loucura e reinicie a guerra”.“Se atacarem o Irã novamente, [o resultado] certamente será mais devastador e amargo para os Estados Unidos do que no primeiro dia da guerra”, publicou Ghalibaf, que também preside o Parlamento iraniano, nas redes sociais.Ghalibaf fez essas declarações após se reunir com o chefe do Estado-Maior do Exército paquistanês, Assim Munir, figura-chave nos esforços internacionais para alcançar uma solução negociada para o conflito, que chegou à capital iraniana na noite de sexta-feira (22).Em conversa com o secretário-geral da ONU, António Guterres, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, reclamou das “posições contraditórias e repetidas exigências excessivas” de Washington, segundo as agências de notícias Tasnim e Fars.Esses fatores “perturbam o processo de negociação conduzido sob mediação do Paquistão”, afirmou o ministro iraniano.“Apesar de sua profunda desconfiança em relação aos Estados Unidos, a República Islâmica do Irã tem participado do processo diplomático com uma abordagem responsável e a máxima seriedade, buscando alcançar um resultado razoável e equitativo”, acrescentou.Segundo a agência de notícias iraniana Irna, o chefe do exército paquistanês, que tem desempenhado um papel proeminente nos esforços de reaproximação, conversou com Araghchi até a madrugada de sexta para sábado sobre os “mais recentes esforços e iniciativas diplomáticas destinadas a evitar uma escalada ainda maior”.Divergências ‘profundas’O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, já havia alertado que as divergências com Washington permanecem “profundas”.Questões relativas ao fim da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano, a situação no Estreito de Ormuz e o bloqueio americano aos portos iranianos permanecem, segundo ele, “sem solução”, assim como a questão nuclear.O Catar, que foi severamente afetado pela guerra iniciada pelos Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro, e outros países da região intensificam simultaneamente os esforços de mediação alternativa. Teerã confirmou a visita de uma delegação da monarquia na sexta-feira.Em contrapartida, veículos de imprensa americanos noticiaram que Washington está considerando novos ataques contra Teerã.Segundo a CBS News, militares dos EUA estão se preparando para possíveis bombardeios durante o fim de semana ou na segunda-feira (25), que é feriado nos Estados Unidos.Na sexta-feira, Trump reuniu seus assessores para discutir a guerra, acrescentou o site Axios.O magnata republicano chegou a anunciar que não poderia comparecer ao casamento de seu filho Don Jr. e que teria que permanecer em Washington em vez de ir a um de seus campos de golfe, por “razões relacionadas a assuntos de Estado”.No entanto, ele declarou em um discurso perto de Nova York que os líderes iranianos “estão desesperados para chegar a um acordo”.Desde o cessar-fogo de 8 de abril, após mais de um mês de conflito, apenas uma rodada de negociações ocorreu em Islamabad, em 11 de abril, entre representantes dos EUA e do Irã, sem sucesso.