Copa do Mundo 2026 poderá ser a mais poluente da história

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De 11 de junho de 2026 a 19 de julho, acontece a Copa do Mundo de 2026. Serão 48 seleções e milhões de torcedores viajando entre locais espalhados pelo Canadá, Estados Unidos e México. Com a partida de abertura sendo realizada no histórico Estádio Azteca, na Cidade do México, a grande distância entre os estádios está no centro do debate climático sobre o impacto dos jogos no meio ambiente.Trata-se de uma expansão drástica: 16 equipes a mais participarão em comparação com os últimos anos, com um aumento de 64 para 104 partidas. O torneio deverá gerar mais de US$ 10 bilhões em receita. Mas a expansão também significará muito mais viagens e outras atividades que contribuem para as mudanças climáticas.Os impactos ambientais de grandes eventos esportivos como a Copa do Mundo criam um paradoxo complexo para uma indústria que luta para definir seu futuro em um mundo em aquecimento.O esporte está inegavelmente sentindo os efeitos das mudanças climáticas. O aumento das temperaturas globais coloca a saúde dos atletas em risco durante as ondas de calor do verão e encurta as temporadas de esportes de inverno. Muitas das sedes da Copa do Mundo de 2026 costumam registrar ondas de calor em junho e início de julho, período em que o torneio está programado.Divergência sobre como o esporte deve reagirAlguns atletas estão se manifestando em defesa de escolhas mais sustentáveis ​​e pedindo aos legisladores que tomem medidas para limitar as emissões que contribuem para o aquecimento global. Ao mesmo tempo, a indústria do esporte está crescendo e enfrentando uma pressão constante para aumentar a receita. A NCAA (National Collegiate Athletic Association), principal associação esportiva universitária dos EUA, também está considerando expandir seus torneios de basquete March Madness de 68 equipes para até 76.As estimativas para a Copa do Mundo de 2026 mostram o impacto que grandes expansões de torneios podem ter no clima. Um relatório da organização Scientists for Global Responsibility estima que a Copa do Mundo expandida poderá gerar mais de 9 milhões de toneladas métricas de dióxido de carbono equivalente, quase o dobro da média das últimas quatro Copas do Mundo.Foto: Chenwei Yao na UnsplashEsse aumento expressivo – e o aumento que ocorreria se os torneios de basquete da NCAA também se expandissem – seria impulsionado principalmente pelas viagens aéreas, já que torcedores e jogadores viajariam entre cidades-sede que ficam a milhares de quilômetros de distância umas das outras.Copa versus OlimpíadasOs cálculos da Universidade de Lausanne (Unil) apontam que a Copa do Mundo 2026 baterá um recorde como o evento esportivo mais poluente da história. Enquanto os Jogos Olímpicos de Paris de 2024 geraram cerca de 1,75 milhão de toneladas, a estimativa para as emissões de CO2 desta Copa variam de cinco a nove milhões de toneladas.Tal número supera em muito as estimadas 2,17 milhões de toneladas de CO2 geradas pela Rússia em 2018 e as 3,17 milhões de toneladas do Catar em 2022 -, com estádios construídos às pressas, superdimensionados e com ar-condicionado. Leia também: 1.1 em cada 4 jogos da Copa de 2026 terá risco de estresse térmico 2.Mudanças climáticas ameaçam o futuro dos Jogos Olímpicos de Inverno “Ao contrário do que acontece nos Jogos Olímpicos, onde a pegada de carbono tem diminuído nas últimas edições, o oposto ocorre na Copa do Mundo masculina da FIFA”, disse David Gogishvili, geógrafo da Unil, à AFP.Promessas climáticas e greenwashingO conflito inerente entre maximizar o lucro através do crescimento e minimizar o impacto ambiental representa um dilema para o esporte. Diversas organizações esportivas prometeram reduzir seu impacto no clima, inclusive aderindo a iniciativas como o Quadro de Ação Climática do Esporte das Nações Unidas. No entanto, com a expansão dos torneios esportivos e jogos de exibição, pode se tornar cada vez mais difícil para as organizações esportivas cumprirem seus compromissos climáticos. Em alguns casos, grupos que assumem compromissos de sustentabilidade foram acusados ​​de greenwashing, sugerindo que os objetivos visam mais às relações públicas do que a implementação de mudanças genuínas e mensuráveis.Por exemplo, as primeiras afirmações da FIFA de que realizaria uma Copa do Mundo “totalmente neutra em carbono” no Catar em 2022 foram contestadas por um grupo de países europeus que acusou a entidade máxima do futebol mundial de subestimar as emissões. A Comissão Suíça de Imparcialidade, que monitora a imparcialidade na publicidade, analisou as reclamações e determinou que as alegações da FIFA não podiam ser comprovadas.Foto: PixabayA aviação costuma ser a maior responsável pelas emissões. Um estudo sobre o torneio de basquete masculino da NCAA, aliás, constatou que cerca de 80% das emissões estavam relacionadas a viagens. E isso depois que a NCAA começou a usar o sistema de “pods” , projetado para manter as equipes mais perto de casa durante a primeira e a segunda rodadas.Como os torcedores podem reduzir o impacto ambientalOrganizações esportivas e planejadores de eventos podem tomar medidas para serem mais sustentáveis ​​e também incentivar escolhas mais sustentáveis ​​entre os fãs. Os torcedores podem reduzir seu impacto ambiental de diversas maneiras. Por exemplo:Evite viagens de avião para distâncias curtas, como entre as sedes da FIFA na Filadélfia, Nova York e Boston, opte por caronas ou trens. Os aviões podem ser mais eficientes para longas distâncias, mas o transporte aéreo ainda contribui significativamente para as emissões de poluentes;Ao chegar na cidade anfitriã, utilize o transporte público ou alugue veículos elétricos ou bicicletas para se locomover pela cidade;Considere acomodações sustentáveis, como aluguéis de curta duração, que podem ter um impacto ambiental menor do que um hotel. Ou hospede-se em um hotel com certificação ecológica, que se esforça para ser mais eficiente no uso de água e energia;Participe de atividades sustentáveis ​​antes e depois do jogo, como escolher opções de alimentos locais e sustentáveis ​​e minimizar o desperdício;Você também pode pagar para compensar as emissões de carbono ao comparecer a diferentes eventos esportivos, assim como os frequentadores de shows fazem quando vão a festivais de música. Embora os críticos questionem o verdadeiro benefício ambiental das compensações, elas representam a crescente conscientização das pessoas sobre sua pegada ecológica;Um caminho sustentável para o futuro exigirá um compromisso estratégico, porém genuíno, por parte da indústria esportiva e de seus torcedores, bem como a disposição de priorizar a saúde do planeta a longo prazo, juntamente com os ganhos econômicos – equilibrando esporte e sustentabilidade.Com informações da AFP e Brian P. McCullough | The Conversation The post Copa do Mundo 2026 poderá ser a mais poluente da história appeared first on CicloVivo.