Observatório da NASA descobre força que alimenta supernovas superenergizadas

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Uma equipe internacional de cientistas encontrou uma possível explicação para um dos fenômenos mais poderosos do Universo: as supernovas superbrilhantes. A descoberta foi feita a partir de dados do Telescópio Espacial Fermi de Raios Gama, da NASA, especializado em detectar raios gama, a forma mais energética de luz conhecida.Os pesquisadores concluíram que uma dessas explosões extremamente luminosas provavelmente foi alimentada por um magnetar, um tipo raro de estrela de nêutrons com campo magnético gigantesco. O objeto teria surgido após o colapso de uma estrela massiva, evento que também desencadeou a supernova observada.Publicado na revista científica Astronomy & Astrophysics, o estudo reforça uma hipótese debatida há anos entre astrônomos. Desde o lançamento do observatório Fermi, há quase duas décadas, cientistas procuram sinais de raios gama vindos de supernovas, mas até agora nenhuma evidência havia sido considerada definitiva.“Durante quase 20 anos, os astrônomos têm buscado nos dados do Fermi sinais de raios gama provenientes de milhares de supernovas e, embora alguns indícios intrigantes tenham sido relatados, nenhum era definitivo até agora”, afirmou o autor principal do estudo, Fabio Acero, astrofísico e pesquisador do Centro Nacional Francês de Pesquisa Científica (CNRS) e da Universidade Paris-Saclay, na França, em um comunicado.Supernovas superbrilhantes podem emitir mais de 10 vezes a luz das comunsAs supernovas de colapso de núcleo acontecem quando estrelas muito maiores que o Sol esgotam o combustível usado para produzir energia. Sem essa sustentação, o núcleo colapsa sob a própria gravidade e provoca uma explosão colossal. Em alguns casos, o centro da estrela se transforma em uma estrela de nêutrons ou até em um buraco negro.Nas últimas décadas, astrônomos identificaram cerca de 400 supernovas superbrilhantes. Esses eventos chamam atenção porque podem emitir mais de dez vezes o brilho de supernovas consideradas comuns.Em 2024, um estudo liderado por Li Shang, na China, indicou que o telescópio Fermi poderia ter detectado raios gama vindos de uma dessas explosões raras. A suspeita levou os cientistas a aprofundarem a investigação.A supernova analisada recebeu o nome de SN 2017egm. Ela ocorreu na galáxia NGC 3191, a cerca de 440 milhões de anos-luz da Terra. Apesar da enorme distância, trata-se de uma das supernovas superbrilhantes mais próximas já registradas.Os pesquisadores analisaram as seis supernovas superbrilhantes mais próximas observadas durante os primeiros 16 anos da missão Fermi. Entre todas elas, apenas a SN 2017egm apresentou evidências consistentes de emissão de raios gama.A supernova superluminosa SN 2017egm foi descoberta pela missão Gaia da Agência Espacial Europeia em 23 de maio de 2017. O círculo mostra a supernova brilhando intensamente dentro da galáxia espiral barrada massiva NGC 3191. – Crédito: Centro de Voos Espaciais Goddard / NASALeia mais:James Webb revela a supernova mais antiga já registrada Morre uma estrela: explosão de supernova é observada em tempo realSupernova revela elementos nunca antes vistos dentro de uma estrelaTelescópios em solo poderão detectar supernovas a 500 milhões de anos-luz da TerraEntre as hipóteses discutidas pelos cientistas, a mais forte envolve justamente a formação de um magnetar. Esse objeto possui os campos magnéticos mais intensos já conhecidos no Universo, milhares de vezes mais fortes que os de estrelas de nêutrons comuns.Para testar a hipótese, os cientistas compararam as observações da supernova com modelos teóricos que simulam o comportamento de um magnetar recém-formado. Os cálculos indicam que o objeto pode girar centenas de vezes por segundo logo após nascer, liberando enormes quantidades de partículas energéticas.Dentro da chamada nebulosa de vento de magnetar, essas partículas interagem com raios gama. Parte dessa radiação acaba sendo absorvida e transformada em luz visível, aumentando ainda mais o brilho da supernova.“Cerca de três meses após o colapso, à medida que os detritos da supernova se expandem e esfriam, os raios gama podem começar a vazar”, explicou Acero.A Nebulosa do Caranguejo surgiu de uma supernova em 1054. No centro, resta uma estrela de nêutrons giratória chamada pulsar que emite radiação e jatos de partículas, iluminando a nuvem ao redor. Esta imagem combina dados dos telescópios Chandra e James Webb, da NASA. – Créditos: NASA/CXC/SAO (Raios X); NASA/STScI (Infravermelho); NASA/CXC/SAO/J. Major (Processamento de imagem)O modelo baseado em magnetar conseguiu reproduzir o brilho observado e o momento em que os raios gama chegaram aos instrumentos do Fermi. Ainda assim, os cientistas acreditam que outros processos também possam influenciar o comportamento da explosão.A equipe também avaliou o potencial do futuro Cherenkov Telescope Array, observatório internacional de raios gama que terá instalações no Chile e na Espanha. Segundo os pesquisadores, o equipamento poderá detectar supernovas semelhantes a até 500 milhões de anos-luz de distância.Os cientistas afirmam que a combinação de observatórios terrestres com telescópios espaciais permitirá investigar fenômenos extremos do cosmos com muito mais detalhes nos próximos anos. A expectativa é que novas observações ajudem a compreender melhor como essas explosões se formam e por que algumas delas liberam quantidades tão extraordinárias de energia.O post Observatório da NASA descobre força que alimenta supernovas superenergizadas apareceu primeiro em Olhar Digital.