O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, reiterou que a política monetária vem atuando e mostrado efeito na moderação da atividade, mesmo diante de programas como o Desenrola. Galípolo mencionou ainda outras medidas com potencial de estímulo econômico recentes, como os precatórios e a isenção do imposto de renda (IR) até a faixa de R$ 5 mil. “A política monetária vem botando o crescimento em um patamar mais próximo, por exemplo, do nível que entendemos ser o potencial de crescimento da economia brasileira. Vemos o comportamento de vários indicadores, como chamamos aqui, cíclicos, suavizando ao longo desse período a partir de um patamar de taxa de juros mais contracionista”, afirmou Galípolo. De acordo com o banqueiro central na coletiva, a autoridade monetária não fez um estudo específico sobre o impacto do Desenrola na economia e acrescentou que a condução do BC de incorporar de forma gradativa os impactos que podem vir do programa tem sido acertada. O diretor de Política Monetária e de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos do BC, Paulo Picchetti, complementou que é importante esperar para ver o efeito desses programas na economia. “A experiência tem mostrado que é bom esperar para ver a concretização de medidas”, disse. No entanto, Picchetti pontuou que a política monetária é mais potente quando não há programa de crédito sensível à taxa Selic. Já sobre a inflação, Galípolo observou que as estimativas para a inflação no curto prazo refletem a pressão de duas variáveis: o choque de oferta relacionado ao conflito no Irã e o choque de oferta relativo ao El Niño. LEIA MAIS: Vilões da inflação? Alimentação no domicílio e serviços devem pressionar IPCA em 2026, alertam economistasBalanço do BRB e multasEm relação ao Banco de Brasília (BRB), Galípolo afirmou que as multas diárias vêm sendo aplicadas ao banco pelo atraso da divulgação do balanço e que não há nenhum tipo de perdão, ou waiver, em inglês, para a instituição. “Os casos que se fazem necessários ou que a lei impõe a aplicação de multas por atraso, as multas vêm sendo aplicadas, não há nenhum tipo de waiver concedido para qualquer tipo de instituição”, disse. Além disso, o presidente do BC afirmou que não há um prazo estabelecido pelo BC ao BRB para divulgar os resultados corporativos. Após atrasos, a expectativa é de que o banco divulgue os números em 29 de maio.“O BC não acordou nenhum prazo com nenhuma instituição e acompanha diariamente as condições de liquidez e balanço de todas as instituição”, ressaltou.Segundo Galípolo, a autoridade monetária acompanha o caso de todos os bancos, especialmente daqueles que demandam maior atenção, seguindo os ritos normais, sem comentar casos específicos de instituições financeiras.Proteção do FGCNa coletiva, Galípolo disse que não cabe à autarquia avaliar a proposta do senador Renan Calheiros (MDB-AL) para ampliar a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mas observou que é preciso ter cuidado para não distorcer o mecanismo. “Tenho bastante receio de provocarmos uma distorção sobre qual é a finalidade do FGC e que passemos a atribuir tickets maiores de um risco maior que desequilibre essa equação que falamos de probabilidades de ocorrência de sinistro a partir disso”, afirmou. O presidente do BC acrescentou que o FGC visa proteger o investidor de varejo, não um investidor institucional.