A Electra Comercializadora de Energia protocolou pedido de recuperação judicial na 1ª Vara de Falências e Recuperação Judicial de Curitiba. O grupo busca reestruturar um passivo estimado em R$ 1,27 bilhão, tornando-se mais um caso relevante na crise que atinge em efeito cascata o mercado livre de energia elétrica com uma série de empresas buscando a justiça para impedir a execução de dívidas.Na petição inicial, a qual a CNN teve acesso, a companhia sustenta que a crise foi provocada por mudanças regulatórias implementadas a partir de 2025, que alteraram a formação do PLD (Preço de Liquidação das Diferenças), elevaram a exposição financeira dos agentes e reduziram a liquidez do mercado. Segundo a empresa, a combinação entre a alta persistente dos preços de curto prazo, a necessidade de aportes de garantias financeiras e a deterioração das condições de financiamento comprometeu sua capacidade de honrar obrigações e manter a operação nos moldes anteriores.“Não se trata, portanto, de crise isolada ou individual das Requerentes, mas de quadro de deterioração estrutural de liquidez que atingiu parcela relevante do mercado livre de energia elétrica brasileiro, fenômeno este amplamente reconhecido pelo próprio setor e por múltiplos pedidos recuperacionais formulados por agentes comercializadores nos últimos anos”, diz a petição.A Electra afirma que registrou receita superior a R$ 2 bilhões em 2025 e atendia mais de 1,6 mil clientes, mas passou a enfrentar resultados negativos após a mudança do cenário setorial. A companhia relata que os acionistas realizaram aportes de R$ 390 milhões entre 2025 e 2026 na tentativa de sustentar as operações, sem sucesso diante do agravamento da crise.De acordo com o pedido, um dos fatores decisivos para o agravamento da situação ocorreu após a CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica) enquadrar a empresa em regime de Operação Balanceada e promover ajustes em contratos registrados no mercado.A comercializadora afirma que a medida reduziu seu lastro contratual, elevou sua exposição financeira e desencadeou um efeito cascata de notificações, vencimentos antecipados e rescisões contratuais por parte de contrapartes.A empresa também relata que enfrentou dificuldades para captar recursos no mercado. Segundo a petição, uma emissão de FIDC estimada em R$ 70 milhões não avançou e uma operação de debêntures teve seu volume reduzido de R$ 340 milhões para R$ 240 milhões em meio ao aumento da percepção de risco sobre o setor.Além do processamento da recuperação judicial, o grupo pede ao Judiciário medidas para preservar sua atuação no mercado. Entre os pedidos estão a suspensão de execuções, a manutenção das autorizações para comercialização de energia e a proibição de medidas da CCEE ou da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) que possam resultar em desligamento, inabilitação ou restrições operacionais que impeçam a continuidade das atividades. A empresa sustenta que sua permanência na CCEE é essencial para a sobrevivência do negócio.