Governo investirá R$ 60 milhões em núcleo de IA em Campinas

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O Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPQD), em Campinas (SP), terá um núcleo voltado ao desenvolvimento de aplicativos com uso de inteligência artificial (IA) para serviços públicos federais. O investimento previsto é de cerca de R$ 60 milhões.A pedra fundamental da estrutura foi lançada nesta sexta-feira (29), durante evento realizado no CPQD com a presença da ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck. A expectativa é que o núcleo entre em operação até o fim deste ano e contribua para ampliar e facilitar o acesso da população aos serviços oferecidos pela plataforma gov.br.Núcleo deve contribuir para ampliar e facilitar o acesso da população aos serviços oferecidos pelo gov.br“A gente vai ter um governo que vai chegar à população de forma personalizada, vai chegar de forma proativa, vai poder interagir com as pessoas, falar muito mais rápido. Vai aumentar a produtividade do setor público em números inimagináveis. É o início de uma transformação gigantesca para a nossa população”, afirmou Dweck.Infraestrutura e processamento de dados sensíveisAlém do desenvolvimento de aplicações com IA, o núcleo também será responsável por armazenar e processar dados sensíveis de usuários, incluindo cadastros de pessoas em programas do governo. Atualmente, essas informações estão hospedadas em nuvens internacionais.O prédio que receberá a operação já existe, mas passará por reforma e adequações. Segundo o CPQD, a estrutura receberá novos equipamentos, entre eles unidades de processamento gráfico (GPUs).O ambiente funcionará de forma semelhante a um laboratório, dedicado à criação de modelos de linguagem e ferramentas de IA generativa, além do tratamento de grandes volumes de dados para treinamento de algoritmos. O trabalho deverá impactar diretamente os aplicativos integrados ao gov.br, incluindo recursos como chatbots, barras de pesquisa e sistemas de processamento de dados.De acordo com o CPQD, essas soluções buscam atender diferentes perfis de usuários, especialmente aqueles com menor maturidade digital.A ministra destacou ainda a importância da chamada soberania tecnológica no tratamento das informações públicas.“A gente fala que a soberania digital tem três níveis. A de dados, a gente já vinha trabalhando nisso, de repatriar os dados brasileiros, de poder saber onde os nossos dados estratégicos estão. A gente já estava num outro processo de operação, de conseguir acessar os dados, de conseguir operar”, disse.“E tem um terceiro que é tecnológico. Essa é a mais difícil. E aqui, esse é um projeto de soberania tecnológica, digital tecnológica. Isso realmente é um terceiro passo, um dos mais difíceis de se fazer num país em desenvolvimento, mas o Brasil tem capacidade, justamente porque a gente tem um grande sistema de inovação”, completou.Projeto Inspire já atende usuáriosO núcleo fará parte do projeto Inspire (Inteligência Artificial no Serviço Público com Inovação, Responsabilidade e Ética). A proposta é que as ferramentas desenvolvidas para oferecer serviços públicos personalizados sejam criadas, armazenadas e processadas na nova estrutura.Mesmo antes da inauguração do espaço físico, o Inspire completou sete meses de operação e já implantou três chatbots em serviços do governo federal.O Chatbot de Atendimento GOV.BR foi criado para esclarecer dúvidas e prestar suporte aos usuários em um único canal inteligente. Durante a fase de testes, a ferramenta chegou a registrar cerca de 2 mil atendimentos digitais por dia, com foco em temas como recuperação de conta gov.br, autenticação em duas etapas, reconhecimento facial e uso do aplicativo.Já o Chatbot SISU/Jornada do Ensino Médio, lançado em janeiro de 2026, oferece orientações relacionadas ao SISU, Enem, Prouni e FIES. A ferramenta atende um universo potencial de 4,2 milhões de usuários inscritos no Enem.O terceiro sistema é o Chatbot Vacinação/Farmácia Popular, voltado ao esclarecimento de dúvidas sobre campanhas de vacinação do SUS, Farmácia Popular e outras iniciativas do Ministério da Saúde.Qualificação de registros de endereçosOutra iniciativa do projeto foi a criação de uma infraestrutura de IA para processar e qualificar 77 milhões de registros de endereços de pessoas no país.“Além de endereços diferentes da mesma pessoa, armazenados em bases de dados de órgãos de governo distintos, encontramos duplicações e inconsistências, por exemplo, na grafia de nomes de ruas”, afirmou Paulo Curado, diretor responsável pelo Inspire no CPQD.Segundo ele, a padronização dessas informações pode apoiar a execução de políticas públicas que dependem da correta identificação dos endereços dos cidadãos.“Ter o endereço correto das pessoas, disponível para todos os órgãos do governo, é essencial para políticas públicas que dependem desse dado para o pagamento de determinados benefícios”, explicou.O post Governo investirá R$ 60 milhões em núcleo de IA em Campinas apareceu primeiro em Olhar Digital.