Ebola cresce e cruza fronteiras, mas risco de pandemia é baixo, diz médica

Wait 5 sec.

Uganda confirmou três novos casos de Ebola, elevando para cinco o total de infecções registradas no atual surto no país, conforme informou o Ministério da Saúde local. O epicentro do surto, no entanto, permanece na República Democrática do Congo, onde foram registrados 867 casos suspeitos e mais de 200 mortes suspeitas.A OMS (Organização Mundial da Saúde) classificou o surto de uma cepa rara do vírus como uma emergência de saúde pública de preocupação internacional. Em entrevista à CNN Brasil, a médica infectologista Mirian Dal Ben, do Hospital Sírio-Libanês, avaliou o cenário e explicou os principais aspectos da doença. Leia Mais Como funcionam anticorpos monoclonais, usados para tratar médico com Ebola OMS anuncia prazo para desenvolvimento da vacina contra nova cepa de Ebola Ebola pode chegar ao Brasil? Saiba o que diz especialista “O Ebola é um vírus que causa uma doença grave, porque pode causar o que a gente chama de febre hemorrágica”, afirmou. A infectologista destacou que surtos da doença são conhecidos desde os anos 1970 e que a República Democrática do Congo já enfrenta seu 17º surto.A mortalidade por Ebola, dependendo do surto, pode chegar a 90%, e a transmissão ocorre com facilidade por meio do contato com secreções de pessoas infectadas.A cepa atual, conhecida como Bundibugyo, é apontada como uma importante causa de morte por desidratação, em razão de vômitos e diarreia intensos e de difícil controle. Os sintomas, que surgem entre dois e 21 dias após o contágio, incluem febre alta, dor de cabeça, dores no corpo, vômitos e diarreia. Em casos mais graves, o paciente pode evoluir para febre hemorrágica, com risco de sangramentos.Emergência internacional e o que ela significa na práticaMirian Dal Ben explicou que a declaração de emergência de saúde pública de preocupação internacional tem origem no Regulamento Sanitário Internacional, criado em 2005 pelos estados membros da OMS. “Uma vez que foi decretada essa emergência, os estados vão direcionar recursos, atenções do ponto de vista educativo e de verbas para tentar conter e monitorar mais de perto essa epidemia”, detalhou a especialista.Apesar da preocupação, Mirian Dal Ben afirmou que o risco de uma pandemia nos moldes da Covid-19 ainda é pequeno. Contudo, a infectologista alertou para fatores que agravam o cenário atual. “Esse surto demorou muito para ser detectado, principalmente porque a OMS sofreu um desmonte em recursos desde o ano passado, e vários programas que existiam na África e que eram financiados pelos Estados Unidos deixaram de ter financiamento”, explicou.A especialista também destacou que o número de casos detectados por dia e por semana está crescendo de forma mais acentuada do que em surtos anteriores. Além disso, a epidemia já ultrapassou as fronteiras da República Democrática do Congo, com casos registrados em Uganda e um paciente americano transferido para a Alemanha.A região afetada, marcada por conflitos internos, crise humanitária, mobilidade populacional elevada e precário acesso à saúde, representa um conjunto de fatores que favorecem a disseminação da doença.Transmissão e medidas de controleAo comparar o Ebola com a Covid-19, Mirian Dal Ben ressaltou duas diferenças fundamentais que tornam o vírus menos transmissível. A primeira é que o Ebola não é transmitido pelo ar: é necessário contato direto com fluidos ou secreções de pessoas doentes ou falecidas em decorrência da infecção.A segunda é que, ao contrário da Covid-19, a transmissão do Ebola ocorre geralmente apenas quando o paciente já apresenta sintomas, o que facilita o rastreamento de contatos e o controle da doença.Entre as medidas eficazes de controle, a infectologista citou o uso de equipamentos de proteção individual, como aventais, luvas e máscaras, além da higienização das mãos com água e sabão. Mirian Dal Ben também chamou atenção para os rituais de sepultamento praticados na região, nos quais o contato físico com os corpos dos falecidos é comum por razões culturais.“Há relatos na literatura de até 40 ou 50 pessoas que contraíram o Ebola a partir de uma pessoa que faleceu em um funeral”, alertou, destacando que estratégias educativas para a realização de sepultamentos mais seguros também estão sendo implementadas na região.Ebola: o que é, sintomas e tratamento Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.