A crise das empresas do mercado livre fez uma nova vítima. A Diferencial Comercializadora de Energia entrou com pedido de recuperação judicial na Justiça do Rio de Janeiro envolvendo passivo de R$ 154,4 milhões.Na ação à qual a CNN teve acesso, o grupo afirma que mudanças regulatórias, aumento da volatilidade do PLD (Preço de Liquidação das Diferenças), perda de liquidez no ACL (Ambiente de Contratação Livre) e inadimplência de contrapartes levaram a companhia a uma grave crise econômico-financeira.O pedido envolve também as empresas Diferencial Energia Participações e Marina Grande Participações. O grupo atua no setor elétrico desde 2005 e afirma ter movimentado cerca de R$ 6 bilhões em contratos de compra e venda de energia ao longo de duas décadas, com mais de 4,5 mil contrapartes.Na petição inicial, a companhia sustenta que o setor passa por “profunda instabilidade vivenciada por todo o setor brasileiro de comercialização de energia elétrica” nos últimos anos, marcada pela desorganização do mercado livre de energia e por alterações regulatórias e metodológicas que afetaram diretamente a formação do PLD.O documento cita reportagens e artigos escritos pela CNN que contextualizam a crise sistêmica que o mercado vive. Entre os fatores apontados estão mudanças nos parâmetros do CVaR, sigla em inglês que aponta o mecanismo utilizado nos modelos de formação de preços da energia, além do aumento do acionamento preventivo de termelétricas e da preservação de reservatórios, o que, segundo a empresa, elevou significativamente os custos operacionais e a volatilidade do mercado.Segundo a Diferencial, o novo comportamento do PLD passou a registrar oscilações abruptas ao longo do mesmo dia, com preços mais elevados no período noturno e menores durante o dia, rompendo a lógica histórica de compensação entre posições positivas e negativas de energia.A companhia afirma que esse cenário reduziu a liquidez do ACL e dificultou a recomposição de posições contratuais, tornando mais onerosa a compra de energia necessária para honrar contratos já firmados.O documento também aponta impactos causados pela insolvência de outras comercializadoras. Segundo a empresa, a crise foi agravada após perdas de contratos de compra de energia relacionadas à situação financeira da América Energia, em setembro de 2025, e da BID Comercializadora, em janeiro de 2026, além de ter sido afetada pela inadimplência da Gama Comercializadora, após decisão judicial que permitiu à empresa manter contratos inadimplidos registrados na CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica).O grupo também pediu tutela de urgência para impedir eventual desligamento da Diferencial dos quadros da CCEE em razão de inadimplência no Mercado de Curto Prazo. A companhia argumenta que a exclusão da CCEE teria efeitos equivalentes à paralisação compulsória das operações, já que a atuação no mercado livre depende dos registros, contabilizações e liquidações realizados pela Câmara.“A exclusão/desligamento da Requerente Diferencial dos quadros da CCEE acarretará a medida mais gravosa possível: impedirá a realização de novas operações, a gestão de contratos em curso e a própria atuação no mercado livre de energia”, afirma a petição.Além da proteção operacional, o grupo pediu a liberação de cerca de R$ 1,3 milhão em recursos atualmente bloqueados em favor do Aurum FIDC/KS, alegando que a dívida vinculada às garantias já teria sido integralmente quitada antes do ajuizamento da recuperação judicial.