A aprovação da PEC que propõe o fim da escala 6×1 pelo plenário da Câmara dos Deputados, ocorrida na noite de quarta-feira (27), reacendeu o debate sobre os reflexos trabalhistas no país. Embora o custo da mudança deva impactar inicialmente as varejistas listadas na Bolsa, a tendência é de que a economia absorva os efeitos de forma rápida, segundo a avaliação de Claudio Pires, sócio-diretor de investimentos da MAG Investimentos.O texto da PEC 8/2025, que reduz a jornada semanal para 40 horas e garante dois dias de descanso, estabelece uma transição de até 12 meses para a adaptação das empresas, com um corte inicial de duas horas semanais já após 60 dias da promulgação. Na visão de Pires, a definição dessa regra de transição — considerada menor do que o mercado esperava — foi o principal fator a pressionar as ações do varejo.Saiba mais: Fim da escala 6×1: tudo sobre a nova lei, votação e regra de transiçãoContudo, a gestora afasta os cenários de retração severa para o Produto Interno Bruto (PIB). Para o sócio-diretor, as pressões sobre custos e preços nas empresas consistem em um “choque momentâneo” que se dissipará com o tempo. A MAG aponta que apenas um terço dos trabalhadores brasileiros ainda opera nessa escala, visto que setores como os de bancos e seguros já abandonaram o formato há anos.Pires avalia, também, que a extinção da escala de seis dias de trabalho para um de descanso alinha o Brasil às práticas adotadas por países desenvolvidos, e ressalta que até mesmo entre as nações emergentes a incidência da 6×1 é baixa. “Pessoalmente, acho positivo”, pontuou o diretor. A nova lei não prevê contrapartidas ou compensações financeiras aos setores afetados pelo fim do formato, decisão que Pires avalia como correta.A perspectiva da instituição financeira contrasta com os alertas de lideranças do setor produtivo. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) e associações do comércio e de serviços defendem que mudanças rápidas e intensivas em mão de obra tendem a elevar custos de contratação e exigir complexas reorganizações de turno, sobretudo em negócios menores. Setores de atendimento presencial como restaurantes, hotelaria, logística e saúde estão entre os mais sensíveis.Apesar dos atritos setoriais e da resistência patronal, a leitura do mercado financeiro projeta danos contidos. Para a MAG Investimentos, a adequação exigida pela lei se restringirá apenas ao ambiente corporativo de curto prazo, sem produzir danos estruturais prolongados.Vale ressaltar que a regra não será generalizada: pelo parecer aprovado, profissionais com nível superior e que possuem renda acima de 2,5 tetos do INSS (hoje cerca de R$ 21 mil mensais) ficarão fora das novas diretrizes da jornada. O texto agora precisará passar pela apreciação do Senado antes de entrar em vigor.The post Fim da escala 6×1: Choque no varejo será momentâneo, avalia MAG appeared first on InfoMoney.