JPMorgan segue vendo eleição acirrada e projeta alta volatilidade em ações no Brasil

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O JPMorgan mantém uma visão cautelosa para as eleições presidenciais de 2026 no Brasil, projetando uma disputa apertada e elevada volatilidade nos ativos financeiros ao longo dos próximos meses. A equipe de economistas e estrategistas do banco destaca que, apesar de eventos políticos relevantes nas últimas semanas, o cenário segue marcado por polarização e pouca mudança estrutural.Segundo a análise, embora incumbentes historicamente tenham vantagem no Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não conseguiu consolidar uma liderança confortável nas pesquisas, mesmo com um pano de fundo macroeconômico relativamente benigno, com desemprego baixo, crescimento dos salários e inflação moderada.Até recentemente, inclusive, levantamentos chegaram a mostrar Lula numericamente atrás do principal nome da oposição, o senador Flávio Bolsonaro (PL), em simulações de segundo turno. Eventos recentes — como o vazamento de um áudio envolvendo Flávio e anúncios de medidas pelo governo — fizeram Lula ficar à frente, mas tiveram impacto limitado e não alteraram as premissas centrais do banco.Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa oscila em meio a novos dados e guerra em focoBolsas dos EUA operam sem força com notícias de possível acordo com Irã Meio/Ideia: gestão de Lula é desaprovada por 51,4% dos eleitoresPresidente também lidera índice de rejeição eleitoral de possíveis candidatos; Flávio Bolsonaro figura em 3ºNa leitura do JPMorgan, o cenário eleitoral permanece ancorado em restrições estruturais e em um eleitorado altamente polarizado, o que reforça a expectativa de uma disputa acirrada. “Continuamos a interpretar novos choques sob a ótica de um eleitorado com baixa elasticidade e forte divisão”, aponta o relatório.Polarização limita mudanças nas pesquisasMesmo após os episódios recentes, o avanço de Lula nas pesquisas foi apenas marginal. A taxa de rejeição ao presidente segue elevada, e há pouca evidência de migração significativa de votos entre eleitores centristas ou indecisos, avaliam os especialistas do JPMorgan. Ao mesmo tempo, os candidatos alternativos à direita — como Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (União Brasil) e Renan Santos (MBL) — continuam com intenções de voto em patamares baixos, sem sinal de consolidação como terceira via.Os dados sugerem que eleitores que eventualmente se afastaram de Flávio Bolsonaro após o escândalo não migraram diretamente para Lula, mas permaneceram dentro do campo oposicionista ou optaram pela abstenção. Essa dinâmica reforça a avaliação de que o ambiente político segue rigidamente polarizado.Além disso, o episódio pode ter limitado a capacidade de Flávio de expandir sua base eleitoral ou de explorar de forma mais eficiente o tema da corrupção — tradicionalmente relevante no debate eleitoral brasileiro.Três fases da corrida eleitoralO banco divide ainda a evolução da disputa em três etapas principais. A primeira, até o fim de 2025, foi marcada por incerteza elevada, queda de popularidade do governo e foco em temas como inflação e fiscal. Na segunda fase, entre dezembro e o início de maio, Flávio Bolsonaro se consolidou como principal nome da oposição, e o quadro passou a refletir maior estabilidade e polarização.A terceira fase, em que o país se encontra atualmente, deve ser caracterizada pela interação entre choques pontuais — como o vazamento do áudio — e as dinâmicas estruturais já estabelecidas. O período tende a trazer maior frequência de pesquisas, intensificação de articulações políticas e início da mobilização de campanha.Na avaliação do JPMorgan, a formação de coalizões e alianças regionais, embora não garanta vitória, funciona como um sinal relevante de viabilidade eleitoral, influenciando tempo de TV, recursos de campanha e capacidade de alcance do eleitorado.Decisão deve ficar para a reta finalO banco reforça que as eleições no Brasil costumam ser decididas apenas nas últimas semanas, quando fatores como intensidade da campanha, debates e medidas de governo podem influenciar eleitores ainda indecisos.Leia tambémDebandada do fluxo gringo para techs continua e BBA recomenda 3 estratégias para ALO Itaú BBA destaca que, embora o Brasil continue sendo o principal destino da região, o país também tem enfrentado redução do overweight ao longo do tempoDividendos em promoção: correção da Bolsa abre oportunidade em “vacas leiteiras”Desconto em gigantes como a Vale reflete cenário macroeconômico, e não piora operacional, segundo analistas; saiba os papéis na mira e como aproveitarApesar de eventuais oscilações, a disputa segue sustentada por dois pilares: bases fiéis robustas para os principais candidatos e altos níveis de rejeição para ambos. Isso limita o espaço para mudanças abruptas no curto prazo.Além disso, o sentimento anti-incumbente ainda é considerado elevado, o que impede uma leitura mais otimista sobre as chances de reeleição neste momento. Para o JPMorgan, variáveis-chave a monitorar incluem a evolução da aprovação de Lula, sua rejeição e os efeitos de novas medidas econômicas ou políticas.Impacto já aparece nos mercadosO relatório destaca que o ambiente político já começa a influenciar a dinâmica dos ativos brasileiros. Desde o vazamento do áudio, em 13 de maio, o desempenho do mercado local ficou significativamente atrás de outros emergentes.O JPMorgan estima que parte relevante da queda recente do MSCI Brasil pode ser atribuída a fatores domésticos, incluindo o ruído político. Apesar de haver limitações metodológicas — como a rotação global em favor de tecnologia —, o banco considera claro que o cenário eleitoral já entrou na precificação.Além disso, a curva de juros passou por reprecificação, especialmente nas taxas longas, refletindo um ambiente mais desafiador para as expectativas futuras.Estratégia: volatilidade à frente e foco em qualidadeDo ponto de vista de investimento, o banco avalia que a tendência é de aumento da volatilidade à medida que a eleição se aproxima. Historicamente, as ações brasileiras tendem a ter desempenho inferior nos meses que antecedem o pleito — padrão que já vem se repetindo em 2026.Nesse contexto, o JPMorgan recomenda priorizar ativos de maior qualidade. Entre os setores preferidos estão: ações financeiras mais sólidas, utilities e empresas de commodities.Por outro lado, o banco demonstra cautela com ações domésticas cíclicas, especialmente aquelas mais sensíveis à trajetória de juros.The post JPMorgan segue vendo eleição acirrada e projeta alta volatilidade em ações no Brasil appeared first on InfoMoney.