Os títulos públicos dos Estados Unidos, conhecidos como Treasuries, preocuparam o mercado financeiro após os rendimentos dos papéis de longo prazo atingirem os maiores níveis desde 2007, período que antecedeu a crise financeira global de 2008.Os títulos de 30 anos do governo americano chegaram ao patamar de 5,18% ao ano. Para Bernardo Pascowitch, apresentador da Resenha do Dinheiro, a alta dos rendimentos indica que investidores estão exigindo retornos maiores para financiar a dívida americana. “Ao contrário do que muitas pessoas acreditam, esses títulos de 10, 20 e 30 anos balizam o custo do crédito na economia americana e no mundo inteiro”, afirma Bernardo.O mercado não para e o dinheiro não espera. Assine a newsletter do Resenha do Dinheiro e fique por dentro de tudo que importa para o seu bolso. Basta clicar aqui.Os títulos públicos americanos são considerados a principal referência de segurança financeira global. Por isso, quando os juros desses títulos sobem, o impacto tende a se espalhar para outros mercados, afetando crédito, câmbio e custo de financiamento em diferentes países. “A taxa de juros em torno de 5% ao ano para um título americano de 30 anos é muito alta para os padrões dos EUA, considerados a principal referência de ativo livre de risco no mundo. Quando essa taxa sobe, o movimento acaba se refletindo também nas curvas de juros de países como Japão, Inglaterra, Brasil e outras economias europeias”, explica Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos. Reabertura de Ormuz traria alívio restrito para a economia global Treasuries americanos disparam e assustam os mercados Crise dos títulos do Tesouro americano testa tolerância de Washington Para Thiago Godoy, educador financeiro, o avanço dos rendimentos tem preocupado o mercado diante dos rumos da economia americana. “Estamos falando de uma desconfiança estrutural em um mercado que é balizador do mundo. A inflação não cede e os investidores não estão satisfeitos com a política econômica atual”, diz Godoy.Bernardo observa que os títulos de longo prazo costumam refletir riscos mais profundos relacionados ao futuro da economia.“O título de curto prazo acaba capturando mais disputas políticas e conflitos momentâneos. Já o título de longo prazo é um problema maior, porque 20 ou 30 anos envolvem vários governos e políticas econômicas”, analisa Pascowitch.Além das preocupações fiscais, o mercado também acompanha os impactos de conflitos geopolíticos sobre a dívida americana e a inflação global.“Os títulos são negociados diariamente, por isso o investidor precisa acompanhar esse mercado para entender como estão o risco americano e o cenário global. Qualquer aumento de gastos ou instabilidade acaba impactando esses ativos”, afirma Bernardo.Há também uma mudança comportamental dos investidores. Historicamente, momentos de crise aumentam a procura pelos títulos americanos, considerados um porto seguro em cenários de instabilidade. Desta vez, parte do mercado passou a buscar proteção em outros ativos. “Em vez de migrar para Treasuries, parte dos investidores buscou ouro e mercados emergentes. Países como Japão e China também reduziram exposição aos títulos americanos e ampliaram posições em ouro”, complementa Marilia.Resenha do DinheiroRealizado com o apoio da B3 e da gestora de investimentos BlackRock, o programa é apresentado por Thiago Godoy, o “Papai Financeiro”, Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos; Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb e propõe uma abordagem leve, direta e descomplicada sobre temas ligados a educação financeira e investimentos. A atração aborda semanalmente os principais temas da economia com a informalidade de uma conversa entre amigos — sem abrir mão da análise.A Resenha do Dinheiro vai ao ar todas as sextas-feiras, às 19h, no canal do CNN Money no YouTube e aos domingos, às 15h, na CNN Brasil.