Economista-chefe do Inter: Expectativa é que PIB cresça menos neste ano

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A economia brasileira cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026, colocando o país entre as nações com as maiores altas do PIB no período. Em entrevista ao CNN Prime Time, a economista-chefe do Inter, Rafaela Vitória, avaliou os dados e contextualizou o desempenho brasileiro em comparação com outros países.Segundo ela, o resultado do primeiro trimestre foi impulsionado por uma combinação de fatores, mas há dúvidas sobre a sustentabilidade desse ritmo de crescimento.O resultado surpreendeu positivamente, superando as expectativas de parte dos analistas, especialmente em um cenário de taxa de juros elevada e sem perspectivas de alívio significativo no curto prazo. Leia Mais: Choque prolongado pode exigir política monetária mais restritiva, diz Fed Força do consumo no PIB indica desafio para queda do juro, dizem analistas Análise: Agro desacelera, mas ainda sustenta o PIB brasileiro Rafaela Vitória explicou que os estímulos à renda — como transferências, aumento do salário mínimo e o desconto maior do imposto de renda — somados ao crescimento ainda significativo do crédito no primeiro trimestre, deram força ao consumo das famílias.No entanto, a economista foi direta ao afirmar que esse cenário não é sustentável. “Isso não é muito sustentável ao longo do ano”, afirmou. “A gente espera que esse crescimento mais forte do primeiro trimestre perca força e a gente tende a ver um PIB crescendo menos esse ano comparado com o crescimento que a gente viu no ano passado.”A taxa de investimento registrada foi de 16,5%, considerada insuficiente para garantir que a oferta de produtos acompanhe o aumento da demanda. Para isso, seria necessário que o indicador superasse 20%, segundo Lucinda Pinto, o que permitiria um crescimento sustentado sem pressionar a inflação.Indústria e juros: dois setores em trajetórias distintasAo ser questionada sobre o impacto dos juros elevados na indústria, que cresceu 1% no trimestre, Rafaela Vitória fez uma distinção importante. A indústria extrativa — voltada para exportação e ligada a petróleo, gás e mineração — tende a ser menos afetada, pois depende menos do crédito doméstico e se beneficia da forte demanda global por commodities.Já a indústria de transformação, que depende de crédito tanto para a produção quanto para o consumo de bens duráveis e semiduráveis, deve sentir os efeitos do aperto monetário.“A gente vai ver uma desaceleração do crédito daqui para frente”, afirmou Rafaela Vitória. Segundo ela, embora ainda haja expectativa de queda da Selic nas próximas reuniões do Copom, essa redução deve ser mais moderada, mantendo o juro em patamar restritivo por mais tempo e impactando a indústria de transformação.Fiscal expansionista pressiona inflação e preocupa mercadoPara Rafaela Vitória, o fator mais preocupante no cenário atual é o excesso de estímulos fiscais. “O que a gente vê de mais preocupante hoje no cenário é um excesso de estímulos fiscais do governo”, disse a economista.Segundo ela, os estímulos via subsídios, transferências de renda e crédito têm mantido a demanda aquecida, o que pressiona a inflação — especialmente a de serviços, considerada mais preocupante do que a inflação de energia e alimentos.Nesse contexto, Rafaela Vitória alertou para o risco de que o Banco Central precise fazer uma pausa no ciclo de corte de juros, caso os estímulos continuem sustentando a demanda em níveis elevados.“Como a Lucinda bem comentou, não adianta estimular o consumo se a oferta não dá conta de suprir esse consumo. O resultante disso é mais inflação e é isso que o Banco Central tenta atacar hoje”, concluiu a economista.Brasil se destaca no ranking global do PIBEntre os países que já divulgaram seus resultados referentes ao primeiro trimestre, o Brasil ficou atrás apenas da Coreia do Sul e da China, superando nações como Finlândia, Hungria, Suíça, Reino Unido e Espanha.O desempenho chama ainda mais atenção por ser alcançado em um contexto de taxa de juros de dois dígitos — uma singularidade do Brasil em relação aos demais países do ranking.A analista Lucinda Pinto destacou, no CNN Prime Time, que o agronegócio voltou a exercer papel de destaque na economia, sendo um dos principais motores do crescimento.Além disso, o consumo das famílias cresceu 1% no trimestre, sustentado em parte pelo endividamento que havia se expandido e por medidas como a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil. O consumo do governo, por sua vez, registrou alta de 0,4% no período. Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.