O consenso foi claro: diversidade e inclusão não são iniciativas paralelas são condições para o futuro das empresas.No debate participaram Joana Queiroz Ribeiro, Pessoas e Organização da Fidelidade, Filipa Gamanho Esteves, HR Country Senior Director & Executive Committee Member da Capgemini, e Mónica Chaves, founder e CEO da Brandkey e consultora da Idade Maior. A conversa foi moderada por Rita Rugeroni Saldanha, Diretora de conteúdos da Revista Líder«Não há magia que nos valha»A partir do tema da inclusão de pessoas com deficiência nas empresas, Joana Queiroz Ribeiro deixou uma mensagem direta: a inclusão não acontece por acaso nem apenas por boa vontade. «Eu acredito que é possível fazer magia, mas também sei que se esperarmos que a magia faça acontecer, não vai acontecer», afirmou.Para a responsável da Fidelidade, o ponto de partida tem de ser estratégico e cultural. «As organizações têm de saber muito bem o que querem fazer, têm de ser muito determinadas na forma como querem fazer», defendeu, sublinhando a importância de preparar não apenas os processos de recrutamento, mas sobretudo as equipas que vão integrar pessoas com necessidades específicas.A responsável alertou ainda para os riscos da generalização quando se fala de diversidade e inclusão. «Nós não podemos ter a tentação de querer colocar uma incapacidade física na mesma página de discussão de uma deficiência cognitiva», afirmou, defendendo abordagens adaptadas a cada realidade.Mais do que políticas formais, Joana Queiroz Ribeiro destacou a importância da cultura humana dentro das organizações, defendendo a necessidade de construir equipas mais cuidadoras, generosas e próximas das pessoas.O talento não tem um percurso ‘certo’Também Filipa Gamanho Esteves defendeu a necessidade de desconstruir ideias pré-concebidas sobre talento, sobretudo no setor tecnológico. «A narrativa de que para ter sucesso em IT teria de ser de engenharia informática, muito jovem e de determinada faculdade não é real», afirmou.Na Capgemini, explicou, mais de 30% dos colaboradores não vêm de áreas tecnológicas. Há profissionais oriundos de hotelaria, sociologia, educação de infância ou outras áreas sem ligação inicial ao setor.«O que fazemos é investir em competência, em potencial e em capacidade de aprender», explicou. A diversidade, acrescentou, não é apenas um valor cultural, mas parte do próprio modelo de negócio. «Quanto mais diversa for uma equipa, mais eficiente vai ser, mais qualidade vai ter e mais interessante é trabalhar.»A diretora destacou ainda a importância da diversidade geográfica e cultural, dando como exemplo os centros tecnológicos da empresa no Fundão e em Évora. «Alguém de uma aldeia perto do Fundão olha para como se programa de forma totalmente distinta de alguém em Lisboa», afirmou.Quando a diversidade deixa de ser teoriaFilipa Gamanho Esteves partilhou a história de Rui, colaborador da Capgemini diagnosticado recentemente com esclerose lateral amiotrófica (ELA). O caso tornou-se um exemplo interno de mobilização coletiva e empatia organizacional.Numa town hall habitualmente centrada em indicadores financeiros e resultados, a empresa decidiu dar palco ao colaborador e à sua mulher, também colaboradora da organização, para falarem sobre o impacto da doença, os desafios e os sonhos que continuam a ter.«A town hall foi sobre o Rui», contou. «Foi a maior lição de diversidade e de empatia que nós podíamos ter tido.» A mobilização dos colegas levou já à angariação de mais de 15 mil euros para a adaptação de um carro para a família. «As nossas circunstâncias podem mudar a qualquer momento», sublinhou.O idadismo continua presente nas empresasA questão da longevidade e da convivência entre gerações trouxe outro dos grandes temas da conversa: o preconceito etário no mercado de trabalho. Mónica Chaves lembrou que Portugal está a envelhecer rapidamente e que as organizações continuam pouco preparadas para essa realidade.«Hoje já somos 25% da população e representamos 59% dos consumos domésticos», referiu. Ainda assim, os números continuam a revelar resistência à contratação de profissionais mais velhos. «Apenas 5% das grandes empresas portuguesas recrutaram pessoas com mais de 50 anos no último ano», afirmou.Para a especialista, persistem preconceitos associados à capacidade de adaptação, aprendizagem ou utilização de tecnologia por parte das gerações mais velhas — ideias que os estudos contradizem. «As novas gerações mais velhas nada têm a ver com as gerações homólogas de há 20 ou 30 anos atrás», defendeu.Cinco gerações no mesmo local de trabalhoSegundo Mónica Chaves, as empresas vivem hoje uma realidade inédita: nunca coexistiram tantas gerações em simultâneo no mercado de trabalho. «As gerações Z, millennials, geração X e baby boomers têm perspetivas completamente diferentes, mas isso não significa que não sejam complementares», afirmou.Os dados apresentados mostram benefícios concretos da diversidade etária nas equipas:Aumento de 17% da produtividade;Redução de 41% do absentismo;Diminuição de 59% da rotatividade;Crescimento de 21% da rentabilidade.Mónica Chaves defendeu ainda que excluir profissionais mais velhos representa uma perda de experiência, conhecimento e inteligência coletiva para as organizações.«Temos de pensar experiência em vez de processos»A fechar o debate, Joana Queiroz Ribeiro deixou uma reflexão sobre aquilo que considera ser a grande transformação necessária dentro das organizações.«Se queremos que seja para todos, todos, todos, temos de conhecer quem somos todos, todos, todos», afirmou. Para isso, defendeu, é preciso combinar dados com proximidade humana. «Os dados não trazem tudo. É preciso estar com as pessoas, ouvir, conhecer e perceber que cada pessoa tem o seu contexto.»A responsável acredita que o próximo passo das empresas passa por abandonar uma lógica excessivamente centrada em processos. «Aquilo que temos de fazer dentro das organizações é pensar experiência em vez de processos», concluiu.Tenha acesso à galeria de imagens aqui.Tudo o que aconteceu na Leading People está disponível na Líder TV e no canal 560 da NOS.Além disso, à chegada, todos receberam a mais recente edição da revista Líder. Dentro do tema de capa – Condição Humana – encontram-se reflexões, entrevistas e artigos que aprofundam o debate deste dia.O conteúdo Etarismo nas empresas: «Perdemos inteligência coletiva quando excluímos pessoas pela idade», alerta Mónica Chaves aparece primeiro em Revista Líder.