Nos últimos anos, vários estudos internacionais têm alertado para os efeitos das ondas de calor no desempenho humano, tanto físico como mental. Um dos mais citados foi desenvolvido pela Harvard T.H. Chan School of Public Health, nos Estados Unidos, e concluiu que estudantes expostos a temperaturas elevadas em edifícios sem ar condicionado apresentavam tempos de reação mais lentos, menor capacidade de concentração e piores resultados em testes cognitivos.A questão não se resume ao desconforto. O corpo humano trabalha mais para regular a temperatura interna quando o ambiente aquece demasiado. Isso traduz-se em fadiga, perda de atenção e maior desgaste mental.Efeitos sentem-se nos escritórios, nas lojas e nas escolasSegundo a Organização Internacional do Trabalho, o calor extremo deverá provocar perdas massivas de produtividade nas próximas décadas, sobretudo em profissões ligadas à construção civil, agricultura, logística e restauração. A organização estima que milhões de horas de trabalho sejam perdidas todos os anos devido ao stress térmico.Mas os efeitos sentem-se também dentro de escritórios, lojas e escolas.Quem trabalha em espaços pouco ventilados conhece a sensação: depois do almoço, o raciocínio abranda, a paciência encurta e tarefas simples começam a exigir mais esforço do que o habitual. Dormir mal devido às chamadas ‘noites tropicais’ — quando a temperatura não desce suficientemente durante a madrugada — agrava ainda mais o problema.A ciência já encontrou uma ligação direta entre temperaturas elevadas e redução do desempenho cognitivo. Uma investigação publicada na revista científica PLOS Medicine refere que o calor afeta áreas do cérebro ligadas à tomada de decisão, memória e atenção.Nem tudo é mau quando chega o calorCuriosamente, nem tudo no verão joga contra a produtividade. Alguns investigadores defendem que níveis moderados de luz solar e maior exposição ao exterior podem melhorar o humor e a motivação. O problema surge quando o calor deixa de ser sazonal e passa a ser persistente.Em Portugal, onde os episódios de temperaturas extremas têm sido cada vez mais frequentes, o tema começa também a preocupar especialistas em saúde pública e condições laborais. Empresas adaptam horários, obras param nas horas de maior calor e há cada vez mais trabalhadores a relatar exaustão ainda antes do final do dia.No fundo, aquilo que muitas pessoas descrevem como ‘moleza de verão’ poderá ter uma explicação bastante mais científica do que parecia.O conteúdo O calor está a tornar-nos menos produtivos? Cientistas dizem que sim aparece primeiro em Revista Líder.