A expectativa de vida do brasileiro chegou a 76,6 anos em média, a maior já registrada no país, segundo os dados mais recentes do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), divulgados em novembro de 2025. O avanço da longevidade amplia o interesse por planejamento financeiro e proteção patrimonial na terceira idade, mas também levanta dúvidas: até que idade ainda é possível contratar um seguro de vida no Brasil e quanto isso custa?Na prática, não existe um limite máximo definido por lei para contratação de seguro de vida. Segundo a Susep (Superintendência de Seguros Privados), órgão federal que regulariza e fiscaliza o setor, cabe às seguradoras decidir quais riscos aceitam assumir e quais critérios utilizarão para calcular os preços das apólices (contratos de seguros).Leia mais: Brasileiros acreditam que viverão até os 80 anos, aponta pesquisaA Susep diz que é muito comum que o custo do seguro aumente conforme a idade do segurado. É o que ocorre na prática. Simulações feitas pela FenaPrevi (Federação Nacional de Previdência Privada e Vida) a pedido do InfoMoney mostram como o preço do seguro avança com a idade.Para uma cobertura de R$ 100 mil por morte em um seguro do tipo repartição simples (modelo em que o valor pago sobe conforme o envelhecimento e não há reserva individual) o prêmio (valor pago para contratar o seguro) mensal fica em:R$ 200,18 aos 60 anosR$ 336,78 aos 65 anosR$ 533,46 aos 70 anosR$ 786,11 aos 75 anosIsso significa que o custo mensal aos 75 anos é cerca de 294% maior do que aos 60.Já no modelo capitalizado, em que o segurado paga um valor mais elevado desde o início, mas sem reajuste por faixa etária, e com formação de reserva individual, os valores simulados foram:R$ 358,64 aos 60 anosR$ 436,18 aos 65 anosR$ 522,11 aos 70 anosR$ 673,41 aos 75 anosNesse caso, a diferença entre 60 e 75 anos fica próxima de 88%.Leia também: Seguro de vida em vida? Conheça as proteções que podem te ajudar hojeSegundo Nelson Emiliano, presidente da comissão atuarial da FenaPrevi e diretor técnico atuarial da MAG Seguros, o modelo mais vantajoso depende do momento em que a pessoa decide contratar a proteção.“Se a pessoa contratar o seguro de vida já em idade avançada, é mais vantajoso optar pelo modelo de repartição simples, pois o seguro capitalizado vai acabar saindo mais caro, devido à forma como o prêmio é nivelado para toda a expectativa de vida restante”, afirma.Ele ressalta que o preço também varia conforme o capital segurado (valor máximo que a seguradora se compromete a pagar em caso de sinistro, como acidentes, doenças ou falecimento), o estado de saúde do cliente, o histórico médico e as coberturas adicionais escolhidas.No mercado, a maior parte das seguradoras aceita novos clientes até os 75 anos, embora existam produtos específicos que chegam a permitir entrada até os 85 anos, dependendo das condições de saúde e do perfil do consumidor.Em modalidades como seguro funeral, cobertura para doenças graves e acidentes pessoais, os limites costumam ser menores e frequentemente ficam em torno dos 70 anos.O principal motivo para a alta nos preços está no aumento do risco de morte ao longo do envelhecimento. Para calcular esse risco, as seguradoras utilizam tábuas biométricas e modelos atuariais que estimam a expectativa de sobrevida do segurado.Quer saber mais sobre seguros? Inscreva-se na Segura Essa: a newsletter de Seguros do InfoMoneySeguro funeral pode ser alternativaPara quem ultrapassou a idade aceita em seguros tradicionais, o mercado oferece algumas alternativas de proteção financeira.Uma delas é o seguro funeral. Em muitos casos, pais e sogros idosos podem ser incluídos como dependentes na apólice de filhos, genros ou noras, mesmo quando já ultrapassaram a idade máxima de entrada como titulares.Segundo simulação da FenaPrevi, uma cobertura funeral de R$ 15 mil custa:R$ 6,37 por mês para titular de 40 anos em plano com titular, cônjuge e filhosR$ 131,49 mensais em plano que inclui titular, cônjuge, filhos, pais e sogrosPara um titular de 45 anos, os valores simulados foram:R$ 9,96 por mês no plano com titular, cônjuge e filhosR$ 211,59 mensais no plano ampliado com pais e sogros“O seguro funeral é um produto bastante acessível, que atende às necessidades básicas e se torna uma opção válida principalmente para as classes D e E”, diz Emiliano. Leia mais: PGBL ou VGBL: entenda as diferenças e o que avaliar para escolherPrevidência privada e seguro empresarial são opçõesOutra alternativa para quem não consegue mais contratar seguro de vida individual é recorrer aos planos de previdência privada, como PGBL e VGBL.Além da função de acumulação financeira, esses produtos permitem a indicação de beneficiários e podem evitar a necessidade de inventário em parte dos recursos, dependendo das regras aplicáveis ao plano e da legislação estadual.Já idosos que permanecem empregados podem continuar cobertos por seguros coletivos empresariais. Nesses casos, o risco é diluído entre os funcionários do grupo segurado, o que facilita a manutenção da cobertura mesmo em idades mais avançadas.Segundo especialistas, o ideal é que o planejamento do seguro de vida seja feito ainda nas fases mais jovens da vida adulta, quando o custo tende a ser menor e o acesso às coberturas é mais amplo.Tem alguma dúvida sobre o tema? Envie para leitor.seguros@infomoney.com.br que buscamos um especialista para responder para você!The post Seguro de vida para idosos vale a pena? Veja quanto custa contratar após os 60 anos appeared first on InfoMoney.