Depois do caso Master, Banco Central crava se há risco no sistema financeiro brasileiro

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Depois do caso Master, Banco Central crava se há risco no sistema financeiro brasileiroO sistema financeiro brasileiro passou por um teste real nos últimos meses com a liquidação extrajudicial de instituições do conglomerado Master, mas, segundo o Banco Central, o episódio não trouxe risco relevante à estabilidade do setor. No novo Relatório de Estabilidade Financeira, a autoridade monetária afirmou que o Sistema Financeiro Nacional segue com “capitalização e liquidez confortáveis”, enquanto 78% das instituições consultadas disseram ter muita ou total confiança na resiliência do sistema.A avaliação chega em um momento em que investidores acompanham de perto riscos fiscais, inadimplência e os efeitos dos juros elevados sobre crédito e atividade econômica.Caso Master e confiança no sistema financeiroO Banco Central foi direto ao abordar o caso envolvendo o conglomerado Master. Segundo o relatório, “a liquidação extrajudicial de instituições integrantes do conglomerado Master não gerou efeitos sistêmicos no SFN”, com acionamento dos mecanismos do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que, segundo a autoridade, evidenciaram a capacidade de absorção de choques do sistema.O documento mostra ainda que, após os ressarcimentos, os recursos migraram principalmente para instituições de maior porte, movimento considerado esperado em episódios de resolução bancária.Na percepção do mercado, a confiança no setor continua elevada. O BC apontou que 78% das instituições financeiras manifestaram muita ou total confiança na resiliência do sistema financeiro, embora preocupações com cenário fiscal, endividamento de famílias e empresas e riscos internacionais sigam no radar.Crédito mais caro pressiona famíliasSe por um lado o sistema segue resiliente, o ambiente para crédito continua desafiador.O BC destacou que houve aumento dos ativos problemáticos em todas as modalidades de crédito para famílias, com a inadimplência permanecendo como principal vetor de deterioração. O relatório também afirma que o comprometimento de renda das famílias continuou subindo, especialmente entre tomadores de menor renda, em meio ao peso maior de modalidades mais caras.Ao mesmo tempo, a autoridade monetária observou que o custo do crédito e o spread bancário avançaram em 2025, impulsionados principalmente pelo custo de captação e pela inadimplência.Mesmo com esse cenário, o BC afirma que a rentabilidade do setor permaneceu praticamente estável, mostrando capacidade dos bancos de continuar gerando lucro mesmo em ambiente mais restritivo.Para o investidor, outro dado chama atenção: enquanto o crédito desacelera, o mercado de capitais continua avançando. Segundo o Banco Central, esse segmento “segue crescendo em ritmo bastante superior ao crédito bancário”, absorvendo parte da demanda de grandes empresas por financiamento. Para o sistema financeiro, a mensagem do relatório é clara: apesar dos riscos macroeconômicos e do ambiente externo mais turbulento, “os testes de estresse demonstram a robustez do sistema bancário”.