“Pele clara e traços finos”: o que disse a banca sobre oficial do Itamaraty

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O Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty, exonerou na última semana uma oficial de chancelaria após a banca de heteroidentificação reprová-la no exame que a tornaria apta a tomar posse do cargo como uma candidata negra ou preta.Segundo o parecer da banca, Flávia de Medeiros possui “pele de tonalidade clara, cabelos lisos e traços fisionômicos finos”, que não são configurados como “traços fenotípicos inerentes à pessoa negra”. Leia Mais Itamaraty exonera funcionária após comissão contestar declaração racial “Preto não é juiz”, diz desembargadora ao relatar caso de racismo no MT Arquiteto vítima de racismo na Casacor em SP receberá R$ 32 mil de autora Flávia realizou a prova do concurso para o cargo em dezembro de 2023. No entanto, em março desde 2024, a Cebraspe (Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos) indeferiu a sua candidatura como cotista.À CNN Brasil, ela explicou que veio até Brasília para participar do processo. De acordo com a banca, o “vídeo gravado no ato” foi revisado “detalhadamente”.Flávia afirmou que, para ela, o indeferimento de sua candidatura foi um “choque”: “A vida inteira eu me entendi dessa forma. Já havia me autodeclarada antes em outros processos seletivos, fui bolsista do Prouni também com o público-alvo pessoas negras e de baixa renda”.Entenda o casoNa sexta-feira (22), foi publicada no DOU (Diário Oficial da União) a exoneração de Flávia Medeiros, que tomou posse como oficial de chancelaria do Itamaraty em abril.Flávia teve sua candidatura indeferida em março de 2023. Logo após o parecer da banca racial, ela entrou com recurso tanto administrativamente quanto judicialmente.A Justiça Federal recebeu favoravelmente o recurso apresentado pela defesa de Flávia, permitindo com que ela seguisse participando de todas as etapas do processo seletivo – o que, segundo a defesa, inclui também as fases de posse e nomeação.No entanto, a AGU (Advocacia Geral da União) recorreu da decisão judicial. Segundo o órgão, Flávia não poderia tomar posse até que o mérito da questão fosse julgado. Dessa forma, ainda que a vaga seja mantida, ela perde o cargo na prática.Servidora é exonerada por banca de heteroidentificação após tomar posse no Itamaraty | BASTIDORES