“Barata”, em melhora e cheia de opcionalidades. É assim que o Itaú BBA vê a Ternium (TX) neste momento e, por isso, o banco elevou a recomendação das ações da companhia negociadas na Bolsa de Nova York (NYSE) de neutra para compra nesta segunda-feira (25).O Itaú BBA também revisou para cima o preço-alvo para US$ 59 no fim deste ano, o que representa um potencial de valorização de 25,6% sobre o preço de fechamento da última sexta-feira (22). O número também está 25% acima do consenso da Bloomberg. O preço-alvo anterior era de US$ 39.Para a equipe de analistas liderados por Daniel Sasson, a companhia siderúrgica apresenta melhoras significativas nos preços no México, além do risco positivo adicional de uma potencial redução das tarifas de importação dos Estados Unidos devido à renegociação do Acordo EUA-México-Canadá (USMCA).Além disso, os analistas projetam números “mais fortes” no Brasil neste ano, com uma competição menos intensa com produtos importados graças às medidas antidumping. Há também “ventos favoráveis” da Argentina, na visão do banco.Todos os olhos no USMCAEm relatório, o banco afirma que a Ternium está otimista em relação a um acordo comercial entre EUA e México dentro da estrutura do USMCA, ainda que uma resolução antes de 1º de julho seja “improvável” – visão que, de acordo com os analistas, é compartilhada por outras empresas do setor como ArcelorMittal, Gerdau (GGBR4) e Nucor.“A Ternium está bem posicionada para se beneficiar de um potencial novo acordo, já que sua planta de Pesquería mira regras de origem mais rígidas para o setor automotivo e a iniciativa ‘Plano México’ está estruturalmente alinhada ao crescimento regional de longo prazo da companhia”, afirmaram os analistas.Para a equipe, os preços do México podem diminuir a diferença em relação aos preços norte-americanos se as tarifas de importação forem reduzidas pelo governo Trump, beneficiando a Ternium.Mais ventos favoráveisO Itaú BBA também considera que após trimestres marcados por competição acirrada com produtos importados no Brasil, a perspectiva é de uma melhora nos números no segundo semestre deste ano.“Após as medidas antidumping para aço plano implementadas no 1T26, a indústria brasileira vem observando uma queda significativa nas exportações de aço da China e da Coreia do Sul para o Brasil, o que nos deixa confiantes de que os próximos meses serão marcados por um ambiente mais favorável para as siderúrgicas brasileiras — isto é, preços e volumes maiores”, destacaram os analistas.Além disso, o banco espera uma melhora do mercado siderúrgico argentino devido a um cenário macroeconômico mais favorável – inflação sob controle, juros menores e crescimento resiliente do PIB – e iniciativas de investimento lideradas pelo governo, como o programa Regime de Incentivo para Grandes Investimentos (RIGI).Novas estimativas para TerniumCom a revisão das estimativas, o Itaú BBA passou a projetar um Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) de US$ 2,7 bilhões neste ano, 59% maior do que o projetado anteriormente.“Revisamos nossa projeção de Ebitda, incorporando os resultados do primeiro trimestre (1T26), a estimativa da Ternium de nova alta do Ebitda no segundo trimestre (impulsionada por maiores embarques no México e na Argentina, além de preços mais altos no México e no Brasil) e nossas expectativas de um cenário mais favorável no segundo semestre de 2026 no Brasil e no México”.O banco espera que o Ebitda alcance aproximadamente US$ 3,2 bilhões em 2027, alta de 19% na comparação anual e de 34% ante o modelo anterior, após incorporar os benefícios de Pesquería e um carregamento (“carryover”) para 2026 mais forte do que o antecipado.O banco também vê 2026 como “o fundo do poço” para o Fluxo de Caixa Livre (FCF), com “um ponto claro de inflexão” após o ramp-up de Pesquería.Os analistas destacam que, embora o FCF estimado para esse ano permaneça levemente negativo em 2%, esperam uma “forte” recuperação a partir de 2027, à medida que o Ebitda aumente e os investimentos normalizem.Nas contas do banco, o capex deve cair de aproximadamente US$ 2 bilhões em 2026 para cerca de US$ 1,2 bilhão no próximo ano, após a conclusão e o ramp-up do projeto Pesquería.Isso deve impulsionar a recuperação da geração de caixa livre, traduzindo-se em um atrativo rendimento de FCF de cerca de 9% a 10% a partir de 2027, sustentado tanto por maiores lucros quanto por um ciclo estruturalmente menor de reinvestimentos.