Estrutura atômica do ouro pode ser o segredo para o brilho eterno

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Um artigo publicado este mês na revista Physical Review Letters traz uma nova explicação para uma das características mais conhecidas do ouro: sua capacidade de manter o brilho por séculos sem enferrujar ou perder a aparência original. Segundo os pesquisadores, o segredo pode estar no comportamento dos próprios átomos do metal.O ouro é um dos metais mais valiosos da história humana. Além da raridade, ele chama atenção por resistir à ferrugem, à corrosão e à oxidação. Isso significa que joias, moedas e objetos produzidos há centenas de anos continuam praticamente intactos até hoje.Em resumo:O ouro mantém brilho sem enferrujar por séculos;Átomos superficiais reorganizam-se contra contato com oxigênio;Estruturas protetoras reduzem drasticamente reações químicas;Sem rearranjo atômico, esse metal seria muito mais reativo;Descoberta pode ampliar aplicações tecnológicas e industriais do ouro.Joias, moedas e outros objetos produzidos em ouro há centenas de anos continuam praticamente intactos até hoje. – Crédito: Youssef Edwar – iStockPhotoDurante décadas, cientistas acreditaram que essa resistência estava ligada apenas à composição química do ouro. Agora, o novo estudo sugere que existe outro fator importante: os átomos da superfície do metal conseguem se reorganizar para dificultar reações com o oxigênio.Essa descoberta pode ajudar pesquisadores a entender melhor o chamado “metal nobre”, termo usado para materiais que quase não sofrem desgaste químico. O ouro é considerado o exemplo mais clássico dessa categoria.Leia mais:Já viu ouro nascer em árvore? Na Lapônia, isso aconteceO que acontece quando você mistura ouro com hidrogênio?Ouro resiste ao calor extremo e desafia limites da físicaUso do ouro vai além da produção de joiasAlém do uso em joias e investimentos, o ouro também tem ganhado espaço em áreas tecnológicas. O metal é utilizado em catalisadores, materiais capazes de acelerar reações químicas importantes para a indústria, para a produção de energia e até para o controle de poluentes.O problema é que muitas dessas reações dependem justamente da interação entre o metal e o oxigênio. Como o ouro resiste demais à oxidação, ele acaba tendo dificuldade para ativar moléculas essenciais em processos químicos industriais.Para tentar resolver isso, cientistas vêm estudando maneiras de combinar ouro com outros metais ou utilizar nanopartículas extremamente pequenas. Alguns testes tiveram resultados promissores, mas ainda existem dificuldades para controlar esses sistemas em larga escala.Foi justamente o comportamento dessas nanopartículas que despertou novas dúvidas. Em certas situações, pequenas partículas de ouro conseguiam interagir com o oxigênio de maneira limitada. Isso levou os pesquisadores a investigar se a disposição dos átomos na superfície poderia explicar o fenômeno.O intrigante comportamento das nanopartículas de ouro e sua limitada interação com o oxigênio motivaram pesquisadores a investigar se a disposição dos átomos em sua superfície explicaria essa reação incomum. – Crédito: Studio Thongden – ShutterstockRespostas vieram de simulações computacionaisNo estudo, cientistas da Universidade Tulane, nos EUA, utilizaram simulações computacionais para observar como moléculas de oxigênio se comportam ao entrar em contato com diferentes superfícies de ouro.Os resultados mostraram que alguns tipos de superfície conseguem se reorganizar espontaneamente, formando estruturas protetoras que dificultam ainda mais a oxidação. Segundo o pesquisador Matthew Montemore, a descoberta revela que o ouro não apenas reage pouco com o oxigênio, mas também modifica sua estrutura para reforçar essa proteção.As simulações indicaram ainda que, sem esse rearranjo atômico, o ouro seria muito mais reativo. O mecanismo reduz as reações com oxigênio em níveis gigantescos, funcionando como uma espécie de barreira invisível em escala atômica.Os pesquisadores acreditam que entender esse processo pode abrir novas possibilidades para o uso do ouro em tecnologias químicas avançadas. Hoje, catalisadores feitos com ouro e paládio já participam da produção de plásticos e de compostos industriais. Outros estudos investigam aplicações na redução de poluentes emitidos por veículos e na fabricação de produtos químicos estratégicos.O post Estrutura atômica do ouro pode ser o segredo para o brilho eterno apareceu primeiro em Olhar Digital.