A taxa de homicídios no Brasil chegou a 20,1 para cada 100 mil habitantes em 2024, representando uma queda de 7,4% em relação a 2023. O índice consta na edição de 2026 do Atlas da Violência, estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) com base em registros oficiais e divulgado nesta terça-feira (26).Ao todo, o país contabilizou 42.590 assassinatos em 2024, o que representa uma diminuição de 6,9% em números absolutos. Segundo o relatório, esse desempenho consolida uma trajetória de redução da violência letal iniciada em 2018, atingindo o menor patamar da série histórica desde 1998.Na avaliação do coordenador do Atlas da Violência, Daniel Cerqueira, técnico de Planejamento e Pesquisa do Ipea, a redução acontece em um momento de transição do Brasil. Ao mesmo tempo em que vive a queda de homicídios, o país registra aumento da insegurança e manutenção ou crescimento das desigualdades que afetam populações minoritárias.Cerqueira disse que a taxa de homicídios, além de ser a menor da série histórica da pesquisa, também é a mais baixa desde 1998. Apesar disso, ele destacou que a piora da qualidade dos dados em 2024 surpreendeu os pesquisadores.“Esperávamos que houvesse menos ou, pelo menos, o mesmo número de mortes violentas por causa indeterminada. Isso não ocorreu. Pelo contrário, o número aumentou muito em 2024 e fez sombra a essa queda histórica”.As maiores quedas nos estadosO documento detalha que a melhora nos índices foi disseminada na maioria dos estados. As maiores quedas nas taxas estaduais ocorreram no Amapá (-30,0%), Tocantins (-26,7%) e Sergipe (-24,8%). Em números absolutos, o Rio de Janeiro registrou a maior redução, com 772 casos a menos que no ano anterior.Apesar da queda nos registros oficiais, o relatório alerta para a qualidade dos dados de saúde. Em 2024, houve um aumento de 23,8% nas Mortes Violentas por Causa Indeterminada (MVCI). Ao considerar a taxa estimada — que utiliza metodologia para reclassificar parte desses óbitos como homicídios —, a redução no país entre 2023 e 2024 seria menor, de 0,4%.A distribuição da violência permanece desigual no território nacional. Enquanto São Paulo (6,6) e Santa Catarina (8,1) apresentam os menores índices, o Amapá (45,7) e a Bahia (40,9) mantêm as maiores taxas de homicídios por 100 mil habitantes.O relatório também destaca os jovens são as maiores vítimas do homicídio, representando 46,5% do total de vítimas no país. Considerando os crimes ocultos, a taxa estimada sobe para 46,1 homicídios por 100 mil.*Com informações da Agência Brasil