Construção civil: O que o 1T26 revela sobre o setor, segundo o BTG

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A construção civil teve um primeiro trimestre (1T26) misto no Brasil, com avanço das empresas de baixa renda, enquanto o segmento de médio e alto padrão perdeu ritmo de vendas e mostrou sinais de desaceleração, segundo relatório do BTG Pactual.No consolidado do setor, as companhias analisadas pelo banco registraram crescimento de receita de 21% na comparação anual, margem bruta estável em 36% e lucro por ação (LPA) com alta de 18% no período.Baixa renda mantém tração forteO segmento econômico foi o principal destaque positivo do trimestre, mesmo com preocupações recentes em relação ao aumento dos custos de construção.De acordo com o BTG, as condições ainda favoráveis dentro do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida (MCMV) sustentaram a demanda e evitaram perda de ritmo no início do ano.Do lado operacional, as vendas desse nicho avançaram 20% na comparação anual. Já no campo financeiro, a receita cresceu 27%, enquanto a margem bruta ficou em 36%, com leve alta de 0,5 ponto percentual. O lucro líquido consolidado, por sua vez, teve forte expansão de 268%.O relatório destaca que o impacto das mudanças recentes no MCMV não foi sentido no período, já que os ajustes foram aprovados em março pelo Conselho Curador do FGTS, mas passaram a vigorar apenas no fim de abril.As novas regras do programa preveem o aumento dos tetos dos imóveis financiáveis, que podem chegar a R$ 400 mil na Faixa 3 e a R$ 600 mil na Faixa 4, além de uma renda mensal máxima das famílias atendidas de até R$ 13 mil.Entre as empresas especificas voltadas à baixa renda, o BTG cita Cury (CURY3) e Tenda (TEND3) como companhias com desempenho consistente no trimestre.A segunda, inclusive, segue como a principal escolha (top pick) do banco no setor, negociada a cerca de 6 vezes o múltiplo P/L estimado para 2026.Construção civil: média e alta renda perde fôlegoJá o grupo de média e alta renda apresentou um quadro mais fraco e desigual. Segundo o relatório, houve desaceleração nas vendas e no ritmo de lançamentos, especialmente em São Paulo, em meio a um cenário macroeconômico mais “desafiador”, sobretudo devido aos juros elevados.Apesar disso, a casa apontou que a receita consolidada desse nicho cresceu 13% na comparação anual, sustentada por projetos lançados em trimestres anteriores.As margens se mantiveram em níveis saudáveis, em torno de 36%, mas o lucro por ação recuou e o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) ficou abaixo do custo de capital na maior parte das empresas.No agregado, o lucro líquido do segmento avançou 6% no trimestre, com desempenho puxado por poucas companhias. Entre os destaques positivos, o BTG cita a Moura Dubeux (MDNE3).“No geral, o 1T26 mostrou algumas das tendências que prevíamos: sólido desempenho das construtoras de imóveis econômicos, apoiado por condições favoráveis do MCMV, e perda de força no setor de renda média e alta, com um cenário macroeconômico mais desafiador começando a afetar o ritmo de comercialização.”