A B3 pretende lançar, no segundo semestre deste ano, uma estrutura de tokenização de ações baseada em blockchain, segundo declarações de executivos da bolsa durante o Tokenization Day, evento promovido pela companhia na terça-feira (26) para discutir o avanço da tokenização no mercado de capitais brasileiro.A iniciativa não envolverá, neste primeiro momento, negociação direta de ações tokenizadas para investidores. Segundo Rodrigo Nardoni, vice-presidente de Tecnologia da B3, a proposta inicial é criar uma representação digital da custódia tradicional de ações dentro de uma blockchain.“O que teremos será uma réplica fiel da base de dados da depositária tradicional em uma blockchain, representada na forma de tokens. Não estamos falando, neste primeiro momento, de negociar esses tokens no mercado”, afirmou Nardoni em entrevista ao Cointelegraph Brasil.A expectativa da bolsa é concluir primeiro a nova infraestrutura de liquidação ainda no primeiro semestre e, depois, avançar para a camada de tokenização de ativos no segundo semestre. De acordo com Humberto Costa, diretor de produtos de balcão e ativos digitais da B3, o projeto começará justamente por ações por serem ativos já consolidados e amplamente discutidos do ponto de vista regulatório.Segundo os executivos, a ideia é preparar a infraestrutura da depositária para cenários futuros em que ativos tokenizados, stablecoins e liquidação em blockchain possam se integrar ao sistema financeiro tradicional.Leia também: Hyperliquid lança contrato perpétuo de Ibovespa com alavancagem de até 20 vezes“O avanço das stablecoins pode abrir espaço para liquidações de ações usando moedas digitais em modelos mais diretos e atômicos. Não estou dizendo que isso necessariamente acontecerá, mas precisamos estar preparados para essa possibilidade”, afirmou Nardoni.Outro objetivo é reduzir os processos de conciliação hoje existentes entre corretoras, custodiante, administradores e participantes do mercado. Na avaliação da B3, a blockchain pode funcionar como uma “fonte única de verdade”, simplificando troca de arquivos, conferência de registros e validação de posições.“A tecnologia não pode existir apenas pela tecnologia. Ela precisa resolver problemas reais, gerar eficiência e entregar valor para o mercado”, disse Humberto Costa durante o evento.Stablecoin da B3 e depositária tokenizadaA estratégia da bolsa envolve mais do que ações tokenizadas. Durante o evento, Lucas Coutinho, coordenador de produtos de balcão da B3, afirmou que a companhia também pretende lançar ainda no primeiro semestre a B3RL, stablecoin da bolsa desenvolvida sobre a Polygon.Segundo ele, o token em real nasce com foco em governança, compliance, KYC e prevenção à lavagem de dinheiro, buscando referências em regulações internacionais como as da União Europeia, discussões nos Estados Unidos e parâmetros adotados em Hong Kong.De acordo com Coutinho, o lastro da stablecoin será composto principalmente por caixa e títulos públicos, seguindo práticas já adotadas por emissores internacionais de stablecoins reguladas.A B3 também trabalha no desenvolvimento de uma depositária tokenizada, prevista para avançar ao longo do segundo semestre. A proposta futura é permitir liquidações diretamente dentro da rede usando a B3RL, embora essa funcionalidade ainda esteja em desenvolvimento.“A ideia, no futuro, é permitir liquidação diretamente dentro da rede”, afirmou Coutinho.O movimento faz parte de uma mudança mais ampla na estratégia digital da bolsa. Inicialmente tratada como uma frente separada para explorar criptoativos e blockchain, a agenda de ativos digitais passou a ser incorporada ao núcleo estratégico da companhia à medida que Drex, tokenização e infraestrutura blockchain ganharam relevância regulatória e institucional.Segundo os executivos, a B3 participa de discussões com Banco Central, CVM, Anbima e iniciativas ligadas ao Drex para ajudar a construir padrões de interoperabilidade e integração entre infraestrutura tradicional e modelos tokenizados.Durante o Tokenization Day, startups como BBChain, Nexa Finance, Bloxs, Parfin e Zuvia apresentaram soluções ligadas a stablecoins, ativos tokenizados e infraestrutura blockchain para o mercado financeiro. O evento reforçou a estratégia da bolsa de se posicionar como uma camada de infraestrutura para ativos digitais, sem necessariamente atuar como banco ou emissor de moeda.“A tokenização avança como uma das principais alavancas de transformação do mercado financeiro”, afirmou Nardoni. Segundo ele, a tecnologia tende a evoluir inicialmente de forma complementar ao sistema atual, ampliando eficiência e integração antes de substituir estruturas já consolidadas do mercado tradicional.Buscando uma carteira com alto ganho, mas sem o sobe e desce do mercado? A Renda Fixa Digital do MB oferece ativos com ganhos de até 18% ao ano, risco controlado e total segurança para seus investimentos. Conheça agora!O post B3 prepara lançamento de ações tokenizadas e sua própria stablecoin este ano apareceu primeiro em Portal do Bitcoin.