A interceptação de diálogos entre alvos da operação da Polícia Federal que investiga o desvio de recursos do Rioprevidência para o Banco Master revelou o interesse de Daniel Vorcaro, dono do banco, no repasse dos recursos e, posteriormente, o temor dos envolvidos com o avanço das investigações.De acordo com a representação da Polícia Federal apresentada ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), as tratativas viabilizaram a captação de bilhões em aportes no Master. Os investigadores destacaram que as decisões não respeitavam critérios técnicos e foram motivados pela relação pessoal entre o banqueiro e autoridades do Rio.Em uma das mensagens direcionadas a Vorcaro, o investigado Ricardo Siqueira Rodrigues, descrito pela PF como lobista, articulador e principal captador de recursos, celebrou o volume das operações realizadas:“Daniel, quero deixar registrado aqui meu agradecimento a toda a equipe q vc disponibilizou desde novembro. Atingimos a meta estabelecida em apenas 45 dias, o banco foi o segundo maior captador de LF (letra financeira) nesse período e temos um pipeline para o primeiro semestre já em reta final de mais de bilhão.”Leia tambémCampanha de Lula insistirá em caso Master após Flávio tentar desviar foco com TrumpPT vai atuar para não amplificar assunto, mas monitora repercussãoPF: Castro tinha “alinhamento político” com Vorcaro para investir no MasterNa manhã desta terça-feira, 26, Castro foi alvo de mandado de busca e apreensão na oitava fase da Operação Compliance ZeroEm outro episódio narrado nos autos, o então diretor-presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, enviou a cotação de uma instituição financeira concorrente diretamente a um captador do Banco Master. O diálogo, afirma a PF, repassava a mensagem de que “Estão indo pra cima do RJ”. Para a corporação, foi uma tentativa de gerar um alerta no banco de Vorcaro.A investigação sustenta que a conduta integra um “almanaque de irregularidades” e reforça a suspeita de gestão fraudulenta por parte da autarquia. A Polícia Federal reconstruiu a cronologia do suposto esquema, apontando que a alta cúpula do Rioprevidência foi alterada em um período imediatamente anterior ao início da série de investimentos. Os novos gestores nomeados teriam passado a atuar em “desconformidade” com a política conservadora até então adotada pela entidade.Os relatórios mostram que os aportes ocorreram em duas frentes: entre outubro de 2023 e julho de 2024, o RioPrevidência aplicou R$ 970 milhões em Letras Financeiras do Banco Master. Posteriormente, entre dezembro de 2024 e outubro de 2025, para contornar entraves regulatórios, foram aportados R$ 2,01 bilhões em fundos estruturados pelo mesmo grupo.The post “Atingimos a meta”: as mensagens de envolvidos em esquema do Rioprev com Master appeared first on InfoMoney.