IPCA-15 desacelera, mas inflação estoura teto da meta; alimentos e luz pesam

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IPCA-15 desacelera, mas inflação estoura teto da meta; alimentos e luz pesamO IPCA-15 desacelerou em maio, mas não o suficiente para aliviar a preocupação do investidor com os juros. A prévia da inflação oficial subiu 0,62% no mês, abaixo dos 0,89% registrados em abril, mas acumulou alta de 4,64% em 12 meses, acima do teto de 4,5% da meta perseguida pelo Banco Central. O resultado, divulgado pelo IBGE nesta quarta-feira (27), também veio acima das expectativas do mercado.No ano, o indicador acumula avanço de 3,02%. Em maio de 2025, a prévia da inflação havia sido de 0,36%, o que reforça a leitura de uma inflação ainda resistente, mesmo com o alívio pontual em transportes.Alimentos, luz e saúde pressionam o IPCA-15Dos nove grupos pesquisados pelo IBGE, Alimentação e bebidas teve a maior variação e o maior impacto sobre o índice, com alta de 1,38% e contribuição de 0,30 ponto percentual. Na sequência, vieram Habitação, com avanço de 1,03% e impacto de 0,15 ponto percentual, e Saúde e cuidados pessoais, com alta de 1,05% e impacto de 0,14 ponto percentual.Alimentação, habitação e saúde foram os grupos que mais pressionaram o IPCA-15 de maio, enquanto transportes ajudou a aliviar o índice.Na alimentação, a pressão veio principalmente dos produtos consumidos dentro de casa, que subiram 1,73% em maio. Entre os destaques, a batata-inglesa disparou 26,29%, o tomate avançou 12,97%, o leite longa vida subiu 6,07% e as carnes tiveram alta de 1,98%. Do lado contrário, maçã e café moído recuaram 2,32% e 2,09%, respectivamente.Em Habitação, o principal impacto individual do índice veio da energia elétrica residencial, que subiu 2,16%. Segundo o IBGE, em maio passou a vigorar a bandeira tarifária amarela, com cobrança adicional de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos, além de reajustes tarifários em Fortaleza, Salvador e Recife.Transportes aliviam, mas não mudam o quadroO grupo Transportes foi o único entre os principais a trazer alívio mais relevante, com queda de 0,33% em maio. Os combustíveis passaram de alta de 6,06% em abril para recuo de 1,47% em maio, puxados por etanol (-2,73%), óleo diesel (-2,04%) e gasolina (-1,32%). Ainda assim, as passagens aéreas subiram 3,25% no mês, após queda de 14,32% em abril.O resultado regional também mostrou inflação espalhada. Goiânia registrou a maior variação do mês, com alta de 1,41%, influenciada por etanol e gasolina. Já Brasília teve o menor avanço, de 0,33%, com queda nos preços do ônibus urbano e da gasolina. No recorte nacional, o índice ficou em 0,62%.Para o mercado, o dado reforça a cautela em torno da trajetória da Selic. Embora a desaceleração mensal indique algum alívio frente a abril, a inflação acumulada em 12 meses acima do teto da meta mantém pressão sobre as expectativas e dificulta uma leitura mais benigna para os juros no curto prazo.O IPCA-15 foi calculado com preços coletados entre 16 de abril e 15 de maio, em comparação com o período de 18 de março a 15 de abril. Segundo o IBGE, a metodologia é a mesma do IPCA, mas a diferença está no período de coleta e na abrangência geográfica do indicador.